Matéria Viva: Exposição no Sesc Cajuína, de 03 a 27 de março
Matéria Viva – Exposição de esculturas orgânicas contemporâneas A exposição Matéria Viva, de Luiz Rodrigues, insere-se em um campo expandido da escultura contemporânea que dialoga com práticas brasileiras e internacionais voltadas para a organicidade e a sustentabilidade. Suas obras, concebidas a partir de raízes, pedras e madeiras, revelam um estilo que pode ser identificado como escultura orgânica rústica contemporânea. No Brasil, Rodrigues se aproxima da tradição inaugurada por Frans Krajcberg, que transformou troncos queimados em denúncia ambiental, mas se diferencia ao propor uma experiência estética e espiritual, mais voltada à contemplação do que à crítica. Há também afinidade com a economia de gestos de Amilcar de Castro, que, ao cortar o ferro, buscava a essência da forma — gesto que Rodrigues traduz em sua mínima intervenção sobre a matéria natural. Internacionalmente, sua obra dialoga com artistas como Andy Goldsworthy, que cria esculturas efêmeras a partir de elementos naturais, e Isamu Noguchi, cuja busca por formas orgânicas e integração entre arte e paisagem ecoa na prática de Rodrigues. Contudo, enquanto Goldsworthy trabalha com a impermanência, Rodrigues oferece permanência e durabilidade às formas naturais, transformando-as em esculturas que atravessam o tempo. Assim, Matéria Viva se posiciona como uma exposição que não apenas celebra a natureza como coautora da obra, mas também reafirma a relevância da escultura orgânica no século XXI. Ao unir ciência, estética responsável e raciocínio estético na elaboração de protocolos personalizados, Luiz Rodrigues cria uma identidade singular: uma arte que respeita a origem dos materiais, ressignifica o espaço e convida o público a refletir sobre sustentabilidade, permanência e espiritualidade.
