Vanessa Moreno, uma força criativa!

Algo que me incomoda é ver e ouvir um(a) cantor(a), com um timbre bonito ou diferente e ou com uma extensão vocal que proporciona muitas possibilidades, e ele ou ela não usam essa capacidade, cantam sem mostrar nada de diferente,  acho um desperdício. Mas esse não é o caso de Vanessa Moreno (@vanessamorenooficial) ,ela explora sua voz combinando ritmos populares, improviso e percussão vocal, foi o que me chamou atenção. Essa cantora, compositora e instrumentista paulista, começou na música aos 15 anos, incentivada pela mãe, que gostava muito de música, principalmente MPB, mas nessa época Vanessa era fã de rock. Apesar disso, com as aulas de violão, ela acabou se aproximando mais da música popular brasileira, Vanessa é uma estudiosa, aprendeu a tocar violino, estudou canto popular e erudito e, na Faculdade Souza Lima & Berklee, se formou bacharel em canto popular. Antes da carreira solo, Vanessa cantava MPB e rock em uma banda. Após essa fase, ela formou o quarteto vocal Kallangá, com amigos do projeto Guri. Nessa entidade são oferecidas aulas de música gratuitamente; foi lá que ela aprendeu a tocar violino. O grupo durou sete anos, ganhou prêmios em festivais e lançou o disco “Kallangá por natureza”. As músicas foram compostas por  Vanessa e Lari Finocchiaro. Vanessa sempre fugiu do convencional e formou um duo no formato contrabaixo e voz com  Fi Maróstica. O primeiro disco deles foi “Vem ver”, com um repertório baseado em música regional, erudita e jazz, o segundo disco foi “Cores vivas”, um tributo a Gilberto Gil. O seu primeiro álbum solo foi “Em movimento”, lançado em 2017, no repertório, músicas autorais e de novos compositores. Depois partiu para mais um trabalho em duo, agora com o pianista Salomão Soares. No álbum “Chão de flutuar”, eles gravaram, entre vários compositores consagrados, Djavan, Tom Jobim e Milton Nascimento. Ela também já participou de shows e gravações de grandes artistas como Ellen Oléria, Criolo, Dani Black, Roberto Menescal e Edu Lobo, esse último considera Vanessa uma das grandes revelações entre jovens cantoras. Vanessa participou de vários festivais, vencendo alguns nas categorias “Solista vocal”, “Melhor Arranjo”, “Melhor Intérprete” e “Melhor Instrumentista”. Durante a pandemia, Vanessa participou de projetos com Monica Salmasso e Teresa Cristina, que possibilitaram uma maior visibilidade ao seu trabalho. Em 2023, lançou o disco “Solar”,  que foi indicado pela Associação Paulista de Críticos de Arte, como um dos 50 melhores do ano. Essa artista usa criatividade e talento para fazer música não só com a voz, mas com o corpo. Além disso, usa objetos como caixa de fósforo, balde e até saco plástico. Com esse arsenal, ela consegue de forma única misturar as influências que vão de Djavan a Rita Lee, passando por Jackson do Pandeiro e Rosa Passos. Ela destaca ainda a importância de se colocar inteira diante do público. No palco, apesar de estar “vulnerável”, é onde ela se sente segura e lá pode sentir a música de forma plena. Pra quem ainda não conhece vou deixar aqui o link de uma de suas músicas: https://www.youtube.com/watch?v=eYFYAHTx1z4&list=RDeYFYAHTx1z4&start_radio=1    

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Ney Matogrosso, 85 Anos de Ousadia!

Um dos ícones da música brasileira, Ney Matogrosso, anuncia mais uma turnê e, aos 85 anos, nem pensa em parar. Ele diz que, enquanto tiver prazer em se apresentar, vai continuar; que bom para nós. Com um sangue latino que parece ferver mais que o normal e uma alma incrivelmente cativante, ele segue em uma carreira onde, segundo ele, ousadia nada mais é do que caminhar com liberdade. A vontade de ser livre fez com que ele saísse de casa, e os conflitos com o pai militar também contribuíram para isso, mas provavelmente, mesmo que não existisse esse conflito familiar, Ney buscaria a liberdade de ser artista. Após sair de casa, Ney foi morar em Brasília, na casa de um primo, teve empregos formais, mas não deixou a arte de lado, atuou em peças de teatro e, em busca desse sonho, foi para o Rio de Janeiro, onde adotou a cultura “hippie” como modo de vida e fazia artesanato para sobreviver. Nas andanças entre Rio e São Paulo, conheceu João Ricardo, que estava à procura de um cantor para um conjunto musical, e convidou Ney para entrar no “Secos & Molhados”. Gravaram dois discos antológicos e, no auge de um sucesso surpreendente e meteórico, Ney, insatisfeito com a forma que foi feita a mudança do empresário da banda, decidiu sair; isso ocorreu em 1974. Acredito que muitos outros pensariam duas vezes, mas talvez ele já soubesse que aqueles dois discos serviriam como impulso para sua carreira solo. No ano seguinte à saída da banda, Ney lança seu primeiro álbum, “Água do Céu-Pássaro”, com um direcionamento considerado vanguardista e extravagante; esse primeiro trabalho não vendeu bem, um dos poucos destaques foi a música “América do Sul”. Com o segundo disco, “Bandido”, Ney começou a ter o reconhecimento merecido; a música “Corazon Bandido”, composta por sua amiga Rita Lee, foi seu primeiro sucesso, e o espetáculo montado para divulgar o disco é considerado um dos mais ousados da sua carreira. A partir daí, ele segue gravando bons discos, criando figurinos exóticos que, junto à sua voz incrível e a uma presença de palco única e magnética, o levaram ao patamar de ídolo da música brasileira. Ney, mesmo fazendo sucesso na música, ainda se arriscava em outras áreas, como no teatro, onde projetava a iluminação de peças, e também foi diretor artístico da banda “RPM”, uma das maiores do rock brasileiro. Alguns anos depois, dirigiu o show da histórica turnê “O tempo não para”, de Cazuza. Um dos fatos interessantes nessa trajetória é que Ney gravou vários estilos, passando pelo rock, mambo, fado, MPB, samba e forró; nesse estilo, gravou uma música que fez um grande sucesso, mas que, a princípio, ele achava que não tinha nada a ver com ele, por conta do ritmo. A música é “Homem com H”; para surpresa dele, a música estourou e, de certo modo, foi um marco na ousada carreira de Ney. Além da voz, figurinos e presença de palco, o lado intérprete é um dos pontos fortes desse artista. Ney gravou alguns discos homenageando grandes compositores, como Cartola e Chico Buarque; além disso, fez releituras de clássicos e de músicas que não tiveram grande repercussão, mas que na voz dele ganharam uma vida nova. Outro ponto de destaque na carreira dele é que, ao mesmo tempo que gravou ou interpretou clássicos ou músicas mais rebuscadas, Ney soube explorar músicas mais populares, como no caso de “Homem com H”. Ney sempre esteve aberto a trabalhar com novos talentos; gravou com o grande violonista Rafael Rabello, que infelizmente já nos deixou, trabalhou com Pedro Luiz e a Parede, Ana Cañas, Duda Brack, se apresentou no Rock in Rio com a banda Nação Zumbi, entre muitos outros. Claro que uma carreira como a dele deve ser reverenciada de várias formas, como a cinebiografia “Homem com H”, com direção e roteiro de Esmir Filho, e que teve Jesuita Barbosa como Ney. O filme é bom, mas, na minha opinião, poderia ser melhor; achei que o Jesuita exagerou um pouco nos trejeitos. Até o próprio Ney declarou sobre a atuação do ator que “no geral ele acertou”; para mim, isso quer dizer que não foi o esperado. Posso estar errado quanto à interpretação dessa declaração. A turnê “85 anos de Ousadia” está prevista para apenas dez apresentações, e terá início em janeiro de 2027, mas acredito que, com o sucesso que será, deve ser estendida. Ney diz que revisitará momentos e figurinos marcantes na sua trajetória, com novas propostas visuais, logicamente com a ousadia que é uma de suas marcas. Ele é de Neandertal, é homem com H e bota o bloco na rua, com liberdade e ousadia, que esse sentimento de prazer em se apresentar, dure por muito tempo. Viva a ousadia e o talento de Ney Matogrosso. E aqui vou tentar cumprir a difícil missão de, no meio de tantas, escolher uma grande interpretação de Ney Matogrosso: https://www.youtube.com/watch?v=-39x2OwnLmM&list=PLaLInJb1ogu5dGG0NtZykLyqtIUQIuHuE&index=4

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Anno Zero!

Na coluna de hoje vou falar de uma banda piauiense que surgiu da vontade de seus integrantes de fazer algo que ainda não tivesse sido feito em Teresina em termos de som pesado, a banda é o “Anno Zero” (@annozeroband  ). Após o fim da banda “Monasterium”, os ex-integrantes Fyb C, guitarrista, e o baixista Eduardo Zee foram em busca de um baterista, no caso Chris Gomes, e de um guitarrista, André Melo; essa foi a primeira formação do grupo. A ânsia de fazer algo novo deu resultado, em poucos meses várias composições estavam prontas. A AZ é influenciada por bandas da cena metal como Moonspell, Katatonia, Paradise Lost e Anathema e por bandas que não são da cena pesada, como Depeche Mode, Sisters of Mercy, Joy Division e The Cure; é perceptível o impacto dessas bandas no som da AZ, mas eles conseguem fazer um som com personalidade, passando longe de ser uma cópia. Os rótulos de gothic metal ou darkwave metal não definem com precisão o som da banda, que mistura a aura dark do rock gótico com agressividade e peso, complementando com letras melancólicas e vocais que alternam entre limpos e agressivos de acordo com o que a música pede. Não demorou para a banda se destacar na cena local e, com isso, veio o lançamento, em 2004, do primeiro CD “Another Pleasant Evening”, lançado pelo selo Superoil Records; o álbum foi divulgado em todo o Brasil, EUA, Ásia e Europa, pelos membros da banda e pelo selo, através de revistas, zines e sites, e as críticas foram ótimas. Em 2013, foi lançado um promo vídeo de “Infected”, uma amostra para os fãs do que viria a seguir, ou seja, o segundo álbum. Após quase dez anos do lançamento do primeiro álbum, em 2014 a AZ lança seu segundo e aguardado disco “Next Level”; o material foi gravado e mixado no estúdio Jardim Elétrico, pelo guitarrista e produtor André Melo e outros membros da banda, e a masterização foi feita na Suécia por Jens Bogren. A banda buscou fazer algo que não soasse monótono, variando entre músicas mais melódicas ou melancólicas e outras mais agressivas; o vocal de Fyb C contribui bastante para isso. Com esse álbum, a banda mostra amadurecimento e segue fiel ao que se propôs desde o início, que é fazer músicas dark, góticas, mas sem se prender a estéticas pré-estabelecidas. Não é fácil manter a mesma formação por muito tempo e no AZ não foi diferente; em 2015, o baterista Chris Gomes decide sair e, em seu lugar, entra Rick Santos. A banda contou também, por um tempo, com a participação do tecladista Leandro Sales, mas ele já deixou a banda. E em 2016, Pádua Belo fez alguns shows substituindo Eduardo Zee, mas ele só foi efetivado na banda em 2023. A banda segue fazendo shows e se prepara para lançar dois singles: “Destructive Progress” e “Bleed”; essa última terá um clipe. Só nos resta aguardar mais um grande trabalho dessa banda, que se enquadra em um estilo, mas não se prende a ele, fazendo um som instigante e de muita qualidade.  A banda fará um show dentro do projeto “Boca da Noite” no dia 28 de outubro, no Clube dos diários a partir das 19hs com participação da banda A Falange. Para mais informações, sigam a banda nas redes sociais. Vou deixar aqui o link de uma música da banda: https://www.youtube.com/watch?v=M6pDZUc1jao&list=OLAK5uy_ngwJNGc9dk2HUU0Y7ggIDHi7ytv1sqm-Q&index=2

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Tangolo Mangos e Papangu!

Dessa vez vou falar de duas bandas de rock brasileiras, nordestinas, que fazem um som de primeiríssima qualidade, são elas Tangolo Mangos e Papangu. A Tangolo Mangos (@tangolomangos ), foi formada em 2017, na cidade de Salvador, por Felipe Vaqueiro, vocalista da banda; a princípio era um projeto para gravar as canções compostas por Felipe, mas ele percebeu que precisava fazer algo coletivo, com outras ideias e composições, e assim, junto com alguns colegas da universidade, surgiu um grupo que tem seu som descrito como “camaleônico, diverso, miscelânico e eclético”; essas denominações vêm da mistura de MPB, rock, psicodelia e ritmos nordestinos, é uma “fórmula” que já foi usada por outras bandas, mas o Tangolo se sobressai pela criatividade. A atual formação, além de Felipe, conta com Bruno Fecchine (Neca), vocais, guitarra e percussão, João Antônio Dourado, bateria e percussão, João Denovaro, baixo e percussão, e Theo Kiono, guitarra. O grupo começou a se destacar na cena e, em 2019, de forma totalmente independente, eles lançam o EP “Mangas a caminho da feira n 1”; a engenharia de som, captação, produção e mixagem foram feitas pela própria banda, contando com algumas parcerias. O grupo se hospedou em um sítio durante dez dias para gravar o material. Os caras são adeptos da cultura do “Faça você mesmo”, mas alguns processos de finalização do disco são mais caros e a banda não tinha como arcar, então veio a ideia do financiamento coletivo e deu muito certo; a resposta foi rápida e surpreendeu a banda. Nesse mesmo ano iniciaram a produção de um novo material, mas aí veio a pandemia e o processo foi interrompido; como não poderiam se encontrar, eles usaram as formas possíveis para gravar as músicas que resultaram no EP “tngl_mngs.rar”; o disco conta com as participações de Colibri e André Becker, ambas gravadas através de smartphones. Em 2022 a banda volta aos palcos, se apresentou no Teatro Casto Alves e iniciou a produção do seu primeiro álbum completo, “Garatujas”, que também foi gravado em salas, quartos e estúdios de Salvador; para comemorar o lançamento, foi feita uma audição pública no dia 05 de dezembro, no Teatro Cambará da Casa Rosa. No dia 08 de dezembro o álbum chegou às plataformas de streaming; a boa repercussão do disco levou a banda a fazer turnês pelo Brasil e até na Europa. O segundo álbum da banda, “Pedágios Y Caronas”, dessa vez com um novo desafio para os integrantes, gravar em um estúdio profissional, essa experiência resultou em um som mais direto e sólido. O álbum foi lançado esse ano; com meia hora de duração, o disco abre ainda mais o leque sonoro da banda; nesse novo trabalho eles evoluíram tanto na parte técnica como nas composições, com refrões fáceis de cantar e harmonias difíceis de esquecer. Vou deixar aqui o link de uma música: https://www.youtube.com/watch?v=MXosW_YTzgc&list=RDMXosW_YTzgc&start_radio=1   O Papangu (@papangu.br), foi formado em 2012 na cidade de João Pessoa, só agora no começo de 2026 que o som desses caras chegou até mim, logo eu que pesquiso tanto e gosto tanto de rock progressivo. E o que essa banda faz é muito bom, eles conseguem mesclar, rock progressivo, jazz fusion, black metal com ritmos nordestinos, uma missão difícil mas muito bem concretizada. Em 2021, quando lançou seu primeiro disco “Holoceno” foi logo considerada uma grande revelação do rock brasileiro e o álbum entrou na lista entre os 50 melhores discos do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte e também figurou em sites e revistas especializadas como um dos melhores lançamentos do ano no Brasil e no exterior. O segundo disco “Lampião Rei” foi lançado em setembro de 2024, a princípio pelo selo britânico “Repose Records”, é um disco que vem com um som mais refinado, sem deixar de lado os blast beats, vocais guturais e linhas de baixo marcantes, que foram gravadas pelo baixista Phelipe Bussonet, ex integrante da banda francesa Magma, que é uma das influências do Papangu. No Brasil o disco só foi lançado em 2025 pelo selo paraibano Taioba Discos e novamente a banda teve um disco selecionado entre os 50 melhores do ano pela APCA. Em agosto desse mesmo ano a banda faz sua primeira turnê pela Europa, participando de festivais na Inglaterra e Holanda, eles aproveitaram que estavam por lá e foram até Berlim, gravar o terceiro disco “Celestial”, produzido por Richard Behrens que já havia trabalhado no álbum “Lampião Rei”, a captação, mixagem e masterização foram feitas totalmente de forma analógica, essa atitude é uma forma de se posicionar contra o uso de inteligência artificial na música. Uma banda com as influências e sonoridade do Papangu tem um desafio muito grande, o risco de fazer algo repetitivo e sem originalidade é grande, mas eles conseguem de forma impressionante fazer um som que tem ecos do passado, está sintonizado com o presente e aponta para o que virá. Como sempre faço vou deixar aqui o link de uma música da banda: https://www.youtube.com/watch?v=K_yy9hua9L8&list=RDK_yy9hua9L8&start_radio=1

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Respeitem as minas!

Muitas guitarristas brasileiras estão se destacando em diferentes estilos musicais, vou falar de duas, provavelmente citarei outras na coluna. Jessica Falchi (@jessica.falchi), guitarrista e compositora, começou a estudar música no renomado Conservatório Sousa Lima, unidade de Ribeirão Preto, mas ela nasceu em Monte Alto, interior de São Paulo. Desde 2015 atua profissionalmente e começou a se destacar tocando em grupos que faziam tributos; desses, o que chamou mais atenção foi o “Iron Ladies”, formada somente com meninas que tocam clássicos do “Iron Maiden”. Esse projeto ajudou Jessica a ganhar experiência de palco; durante uma década elas se apresentaram pelo país, participou também de outro tributo, a “Hardwired”, tocando músicas do “Metallica”. Com certeza esse tempo serviu para ajudar no amadurecimento musical da guitarrista. A passagem pela banda de death metal “Crypta”, que ocorreu de maio de 2022 a março de 2025, foi determinante na carreira de Jessica, que foi convidada para atuar apenas em algumas datas que restavam de uma turnê que a banda faria pela América Latina e Europa, mas ela mostrou muita técnica e segurança e foi efetivada na banda. Como guitarrista oficial da banda, Jessica participou da composição das músicas e da gravação do segundo disco do grupo, lançado em 2023, “Shades of Sorrow”, pela gravadora “Napalm Records”. Esse trabalho fez com que Jessica fosse reconhecida em várias revistas especializadas em metal, como uma grande guitarrista. Mas Jessica queria ampliar seu modo de tocar, explorando outras sonoridades que o metal extremo da “Crypta” não permitia, então deixou a banda. Após sair da “Crypta”, a artista decidiu se dedicar à carreira solo, começou a compor músicas baseadas no metal moderno, prog metal totalmente instrumentais. A partir daí criou o projeto “Falchi”; ela não pensa em ter uma banda com seu nome, por isso não usou o primeiro nome para dar nome a essa empreitada. Com o título de “Solace”, foi lançado em 23 de janeiro de 2026 o EP com quatro faixas. Jessica diz que, mesmo com tanto tempo de carreira, precisava estar confiante para expor seu trabalho; ela não quis se limitar a apenas um estilo, então podemos encontrar faixas no estilo thrash metal, metal moderno e progressivo. E claro, você encontra em todos os canais de streaming. Ela busca compor músicas atemporais, que não saiam da cabeça das pessoas e não sejam só para músicos; também espera que as músicas sejam fáceis de assimilar e que as pessoas possam cantarolar. O convite para ser guitarrista da lenda do “thrash metal” nacional “Korzus” define a consolidação de Jessica como uma das principais artistas do metal nacional e, para afirmar essa nova fase criativa com a entrada da nova integrante, a banda lançou o single “No Light Within”. O metal, assim como o rock em geral, ainda é machista, e Jessica se preocupa e se posiciona contra a sexualização das mulheres no meio; ela diz que, claro, cada um é livre para agir como quiser, mas algumas meninas que estão começando acham que precisam ser sexualizadas para se firmar, elas devem focar na música. É assim mesmo que um artista deve agir , com o talento e o reconhecimento vem também algumas responsabilidades e a necessidade de se posicionar diante de temas importantes. Parabéns, Jessica Falchi. Como sempre faço, vou deixar o link de uma música do projeto Falchi: https://www.youtube.com/watch?v=llkUcCeNTuI A cearense Rayane Fortes (@rayanefortes), cantora, compositora e guitarrista, teve como primeira inspiração sua irmã mais velha, que tocava contrabaixo e foi ela que lhe ensinou os primeiros acordes. No final da adolescência, ela disse a sua mãe que sentia vibrações como se fossem de outras vidas, ela entendia que tinha algo a contribuir para o mundo, que não seria uma artista comum. E não é mesmo. Aos 17 anos, ganhou sua primeira guitarra e, a partir daí, começou a tocar profissionalmente. Com muito esforço e de forma independente, Rayane foi percorrendo o caminho da maioria dos artistas brasileiros, lançando singles e fazendo shows regionais e nacionais, até chegar ao lançamento do seu primeiro álbum em 2021, “Atenta”. Em 2022, seu vídeo tocando “Anunciação”, de Alceu Valença, na guitarra, no show do intervalo da final da Copa do Nordeste, viralizou nas redes sociais e para ela ficou marcado como um grande acontecimento, foi um momento de representatividade para ela como mulher nordestina. A sua grande aparição para o país foi no reality The Voice Brasil de 2023, todos os jurados viraram as cadeiras para ela. Mesmo tocando um rock, ela quis representar o Nordeste e o Ceará, através do figurino, assinado pelo estilista cearense Ivanildo Nunes, e a guitarra feita pelo luthier baiano Yuri Barreto. O vídeo da apresentação já tem mais de 5 milhões de visualizações e, a cada dia, ganha mais seguidores do Brasil e do mundo. Rayane continuou se apresentando pelo país e, em 2026, lançou seu segundo álbum, “Ray”, gravado ao vivo no estúdio, o trabalho foi lançado em duas partes, “Lado A e Lado B”. Para ela, “Ray” é o momento mais importante da sua carreira, onde ela se sentiu mais livre para criar e conseguiu mostrar de uma forma mais transparente a sua identidade musical. Esse trabalho mostra a capacidade de Rayane em unir rhythm & blues, blues, soul e pop, com personalidade única. Vou deixar aqui o link de uma música de Rayane: https://www.youtube.com/watch?v=wJvZG_hzAEY&list=RDwJvZG_hzAEY&start_radio=1&pp=ygUNUmF5YW5lIGZvcnRlc6AHAQ%3D%3D

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Dois gênios pouco conhecidos, Moacir Santos e Téo Azevedo!

Às vezes fico pensando quantos artistas incríveis, não conseguem ter o reconhecimento que merecem em termos de popularidade. Hoje vou mostrar dois que conheci recentemente, que são muito respeitados por quem conhece bem a música brasileira, e um deles fez até trabalhos fora do país, então vamos ver quem são eles.   Moacir Santos, compositor, arranjador, multi-instrumentista e maestro, completaria cem anos em julho deste ano. O pernambucano de Flores do Pajeú,  ficou órfão aos dois anos de idade e foi adotado por uma família branca que lhe ofereceu educação formal e musical. Por outro lado, sofria maus-tratos e, aos quatorze anos, fugiu de casa. Aos nove anos, ele brincava de banda de música com os amigos nas ruas de sua cidade,  aos dez, a banda já tocava marchinhas. Foi o início de sua vivência com a música. Quando fugiu de casa, vagou pelo Nordeste, tocando em bandas militares e de circos. Nessas andanças, foi para João Pessoa e ainda nem tinha dezoito anos quando comandou a Orquestra da Rádio Tabajara. Foi para o Rio de Janeiro com vinte e dois anos, seu talento foi rapidamente reconhecido e logo se tornou saxofonista da Orquestra da Rádio Nacional. Não demorou a ser promovido a arranjador e regente,  nessa época trabalhou com Radamés Gnatalli. A partir daí, foi estudar música clássica com maestros renomados como Guerra Peixe e Cláudio Santoro. Após se formar, como professor, ajudou a criar uma geração nova de músicos incríveis, por exemplo, Baden Powell, Sérgio Mendes e João Donato,  só por esses nomes, já dá para ter uma ideia da importância de Moacir para a cultura brasileira. Moacir deixou sua marca no chamado “Cinema Novo”, compondo trilhas sonoras de alguns filmes. Uma parte delas foi lançada no disco que é considerado sua obra-prima, “Coisas”, no início da década de sessenta. Um fato interessante é que ele nomeou as canções do disco baseado na forma erudita de catalogar  e as chamou de “coisas”, por exemplo, “Coisa 1” e assim sucessivamente. A sonoridade do disco era uma fusão de “Big Band Jazz” com ritmos afro-brasileiros. Quando foi lançado, teve pouca repercussão, mas, com o tempo, recebeu a devida aclamação, o “The New York Times” disse que a obra era “uma das grandes realizações da música brasileira moderna”. Nessa mesma época, arranjou álbuns de Elizeth Cardoso e Baden Powell. Em 1967, mudou-se para os Estados Unidos, foi convidado a compor trilhas para filmes de Hollywood. Um fato estranho é que os seus trabalhos não foram creditados, apenas “Final Justice” foi oficialmente registrado. Moacir permaneceu por lá até o fim dos seus dias. O álbum “Ouro Negro”, lançado em 2001, foi um projeto criado por Zé Nogueira e Mário Adnet, para regravar composições de Moacir e teve a participação de Milton Nascimento, João Donato e Gilberto Gil. O disco reacendeu o interesse pela obra do artista no Brasil e no exterior. Pouco antes de falecer nos EUA, em 6 de agosto de 2006, Moacir recebeu o Prêmio Shell de Música e o Prêmio Tim. Moacir dominava vários instrumentos e é considerado um dos grandes mestres da renovação harmônica da música brasileira. Com certeza é mais um artista que merece ter sua obra divulgada para que mais brasileiros possam desfrutar da sua arte. Deixo aqui um link de uama de suas músicas: https://www.youtube.com/watch?v=L8DCv2RQba0&list=PLmMoWdh-X390nixGG5M8giWOeIrcqa8cb&index=7   Téo Azevedo, foi cantor, compositor, repentista, violeiro, folclorista, escritor, produtor musical e radialista. Mineiro de Bocaiúva, seguiu os passos do pai, que era seresteiro, folião de reis, repentista e cantador popular. Para ajudar a família, trabalhou de engraxate e, nessa época, começou a cantar repentes e participar de concursos de calouros em parques e circos. Aos 16 anos, já em Belo Horizonte, se apresentava nas ruas cantando repentes. Por conta disso, foi preso por vadiagem e, para se livrar da prisão, criou um repente que dizia que era um crime prender um cantador. O delegado gostou tanto que o soltou e autorizou que ele continuasse a se apresentar nas ruas. Não tinha tempo ruim para Téo, e sua vida não foi fácil. No começo dos anos 60, foi campeão de boxe e se apresentava em casas de shows cantando repente. Em 1965, gravou no estúdio Discobel, seu primeiro disco, “Brasil Terra da Gente”. Três anos depois, foi apontado pelo cronista Gerson Evangelista como o melhor compositor mineiro do ano. Quando chegou em São Paulo em 1969, conheceu o cantador alagoano Guaiatã de Coqueiros, e com ele aprendeu todas as modalidades de cantorias nordestinas. Cantou nas ruas, onde passava o chapéu em busca de uns trocados, e na Feira de Arte da Praça da República, chegou a cantar com um jovem pernambucano que iniciava sua carreira artística, Alceu Valença. Junto a outros companheiros, criou em 1980 a ARPPNM, Associação de Repentistas Populares do Norte de Minas. No mesmo ano, conheceu Zé Coco do Riachão, violeiro e tocador de rabeca, do qual produziu os primeiros discos. Ele se dedicou também à literatura, sempre enfatizando a cultura regional. Seu primeiro livro foi “Literatura Popular do Norte de Minas”. Em seu segundo livro, “Plantas medicinais e Benzeduras”, ele captou o depoimento de mais de 120 curandeiros e benzedeiras. Téo musicou várias peças de teatro. Além de algumas de Guimarães Rosa, musicou também um especial sobre ele para a FM Cultura de São Paulo e, para uma TV alemã, um especial sobre “Grandes Sertão Veredas” e outro sobre “Cantigas de vaqueiro e repentistas”. Com o saxofonista Bobby Keys, que tocou nos Rolling Stones, gravou uma versão de “For Bobby Keys” de Michael Grosman, e com Charlie Musselwhite, considerado o maior gaitista de blues do mundo, gravou de sua autoria “Puxe o fole sanfoneiro, Dominguinhos tocador”. A canção foi indicada como a melhor do disco. Vou ter que resumir os feitos de Téo, sua obra é muito extensa. Ele teve mais de 1.500 músicas gravadas por outros artistas, entre eles Luiz Gonzaga, Clemilda e Zé Ramalho, a lista chega a mais de vinte. Até o ano de 2000, era considerado o terceiro compositor com mais músicas gravadas no Brasil e compôs mais de 2.500. E, até…

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A nova MPB, vem forte!

  É impressionante a quantidade e a qualidade de artistas brasileiros que eu encontro nas minhas pesquisas e que o algoritmo me mostra. Hoje vou destacar mais dois artistas brasileiros, muito talentosos. Começando com Emanuel Santos Sousa, que adotou o nome artístico de Will Santt (@will.santt), o primeiro nome faz referência ao ator Will Smith por causa do cabelo black power que Emanuel usa, e o segundo vem de Santos, do seu sobrenome. Will não é uma novidade, o cantor, compositor e multi-instrumentista começou sua carreira em 2019, quando criou um perfil no Instagram que virou palco para sua arte e foi onde ele começou a ser reconhecido até internacionalmente. Ele começou na música aos nove anos, tocando bateria e para não brigar com seu irmão, teve que, a contragosto, optar pelo violão. Aos doze, assistiu a um vídeo no YouTube que despertou seu interesse pela bossa nova, era Tom Jobim e Elis Regina cantando “Águas de março”. A base sonora de Will é a bossa nova, mas ele diz que tem uma veia “djavanica”, referência a Djavan, no tocante as letras que falam de amor e romance, e também tem influência de Caetano Veloso e claro João Gilberto. Mas ele não se prende apenas a um tema ou ritmo, tendo passado pelo rock e música clássica. Em 2024, partiu para sua terceira turnê pela Europa e lançou um disco gravado ao vivo, “Will Santt – Ao vivo no Blue Note”, com a participação de Roberto Menescal, que elogiou a forma de tocar do jovem músico. Ele comenta que seu público é mais velho, mas que gostaria de chegar a um público mais jovem e quebrar um pouco a seriedade da MPB. Will já lançou dois álbuns: “Meu Caminho” de 2024 e “Cores do meu coração” em 2026, e dois EPs: “O novo sempre vem” e “Slap sessions”, ambos em 2026, além do ao vivo no Blue Note. Algumas pessoas acham que ele imita o João Gilberto por causa da forma de cantar, mas para outras, ele apenas tem um jeito parecido e o próprio Will diz que fala baixo, não gosta de barulho e que não conseguiria imitar o ídolo. O mais importante é que ele é mais um grande artista brasileiro, que veio renovar a nossa música. E quem quiser conferir, é só acessar esse link: https://www.youtube.com/watch?v=iUagI0V8YmA&list=RDiUagI0V8YmA&start_radio=1&t=141s   O recifense Fitti (@fitti_____ ), teve seu canto moldado desde cedo, já que em sua casa a música estava muito presente. Da capital pernambucana  veio a sua essência e personalidade artística, e se tornou ator, cantor, compositor e produtor musical. Fitti vem em ascensão na música brasileira e transita em várias linguagens e expressões artísticas, música, teatro e audiovisual. Já participou de espetáculos de teatro e da série “Só se for por amor” da  Netflix. Em 2024, lançou seu primeiro álbum, “Transespacial”, produzido por Zé Nigro. Em 2025, o disco foi indicado ao Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa”. Fitti é o primeiro cantor trans da história a ter uma indicação a esse prêmio. Ele busca, nesse trabalho, partilhar com o público como o indivíduo se relaciona com suas emoções e dificuldades de acordo com a vivência do próprio artista. E estreou o projeto “O Novo Sempre Vem”, apresentado por João Marcelo Bôscoli, exibido na TV Cultura. Foi por meio desse audiovisual que conheci Fitti. Recomendo para quem quer conhecer novos artistas. Iniciando uma nova fase, Fitti lançou o single “Postal de Amor”. Nesse momento, se dedica a um audacioso projeto que é “Fitti Canta Ney”, com direção musical de Pupilo, ex-baterista da Nação Zumbi, que agora trabalha também como produtor musical. Nessa empreitada, Fitti busca uma leitura artística diferente para a obra dessa lenda da música brasileira, tem que ter muita coragem e personalidade para fazer isso. E ainda deve fazer a turnê do disco “Transespacial”, mostrando assim o seu talento para um público maior. O que me chama atenção em artistas como Fitti é o jeito “estranho” que, em alguns momentos, ele coloca a voz, é essa estranheza que eu busco e felizmente encontrei nele. Como faço sempre vou deixar aqui o link de uma música: https://www.youtube.com/watch?v=hVqAo68TplU&list=RDhVqAo68TplU&start_radio=1    

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Rock e nordestinidade!

Na coluna de hoje, vou falar de duas bandas nordestinas de rock. A primeira é “Janete saiu para beber” ( @janetesaiuparabeber ), foi formada em 2010 na cidade pernambucana de Cabo de Santo Agostinho. A proposta sonora não é nada que já não tenha sido feito, que é uma mistura de punk, rock de garagem e ritmos nordestinos, como coco de roda, cavalo marinho e frevo, mas os caras conseguem se sobressair com muita agressividade, percussão e boas letras que falam da indignação com os rumos da sociedade e a falta de consciência de classe. Os integrantes têm empregos comuns, então sentem na pele o que é ser um assalariado no Brasil e daí vem inspiração para as letras. O nome da banda é inspirado em uma personagem de Charles Bukowski, Jane, que, ao fim da jornada de trabalho, saía para beber, na esperança de se sentir melhor. Para trazer ao “universo” da banda, eles resolveram colocar “Janete” em vez de Jane, e assim surgiu o nome. A banda é formada por César Braga, vocal, Kin Noise guitarra, Lennon Carneiro no baixo, Niel Melo na bateria e na percussão Eudes Júnior e Erivaldo Romão. Esses dois últimos não faziam parte da formação original. A banda só lançou alguns singles, talvez por conta de um hiato na carreira. Em 2022, gravou um audiovisual no projeto Estúdio Show Livre, e o mais recente foi lançado em 2025 e veio acompanhado de um clipe, com o título de “Iluminado”. Agora é aguardar novas músicas dessa banda que tem muito a mostrar. Vida longa a Janete. Vou deixar aqui o link do clipe de “Iluminado”: https://www.youtube.com/watch?v=MpYJvmRyK2U&list=RDMpYJvmRyK2U&start_radio=1     A segunda banda é a “Dona Iracema” ( @donairacema ) , da cidade de Vitória da Conquista, na Bahia, que foi criada pelo vocalista Rodrigo Bodão, pelo baixista Diegão Aprígio , Igor Kekas na bateria  que já não faz mais parte da banda e Pedro Pena na outra guitarra, que se uniram para tocar covers da banda Raimundos. Sobre o nome, eles queriam que fosse um nome forte feminino e que tivesse algo de pessoal com os integrantes. Um dia, durante uma conversa para definir o nome, a Dona Iracema, mãe de Diegão, liga para dar uma bronca no filho. Ao fim da ligação, eles não tiveram dúvidas,  ela preenchia todas as características para ser a “homenageada”. Com o tempo, foram se destacando no cenário regional e fazendo muitos shows, a partir daí veio a ideia de dar um passo importante, que foi compor suas próprias músicas. Eles denominaram o som da banda como sendo “Catingore Iracematico”. Na verdade, é um hardcore influenciado por Mamonas Assassinas, Raimundos, Luiz Gonzaga, Nação Zumbi e System of a Down. As letras podem tratar de situações complicadas que aconteceram com eles  e fazem questão de que sejam expressadas de uma forma divertida. Uma das características da banda é a irreverência,  que é uma das coisas mais legais  do rock. A banda lançou quatro álbuns: “Catingore Iracemático”, “Balbúrdia”, “Velório” e “Rojão 12×1”. O  disco “Velório”,  de 2021, foi lançado no formato de audiovisual, o primeiro do estado lançado dessa forma. A Dona Iracema detém o recorde mundial da música mais curta do mundo,  com a canção “Centro do Universo”, do disco “Balbúrdia”,  que tem duração de dois segundos. Nesse álbum tem a participação de Luiz Caldas em “Volta pra casa, João”. Em 2017, para atestar que a banda está no caminho certo e que o seu som é realmente muito bom,  se apresentaram no Rock In Rio. Também em 2017 a formação muda com a entrada da vocalista Balaio, uma mulher trans, que infelizmente já passou por situações constrangedoras e até agressões, mas isso não a desmotiva  e a vocalista acrescenta muito com sua voz poderosa e presença de palco Que a irreverência e o “Catingore Iracemático”  da Dona Iracema cheguem cada vez mais longe! Vou deixar aqui o link de um catingore pra vocês: https://www.youtube.com/watch?v=hiGhgHi7rUk&list=RDhiGhgHi7rUk&start_radio=1                

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Modernidade e ancestralidade na música!

A nova MPB se alia a bases e batidas eletrônicas, mas não esquece suas raízes afro e regionais, na coluna de hoje, vou mostrar o trabalho desenvolvido por artistas que sabem extrair coisas boas  dessa vertente. Vou começar com Karola Nunes ( @karola_nunes ), cantora, compositora e instrumentista que atua profissionalmente na música há 20 anos. Com versatilidade, ela busca, dentro de diferentes projetos, expressar suas influências musicais. Entre os estilos que Karola já trabalhou estão samba, baião, reggae e maracatu. Até chegar a ter a sua própria linguagem, as letras falam de igualdade social, relações vividas por ela e também sobre a força e influência da música. Karola começou  a carreira em uma banda inspirada no movimento mangue beat, “Marakadaje”. Quando se mudou para Cuiabá, fez parte de um grupo de choro e samba feminino, “Bionne”, de um grupo de forró pé de serra, “Fuá”, da banda de reggae “Negramina” e do projeto “Orgânico Dub” . Em 2015, Karola faz seu primeiro show solo; a partir daí, ela viajou pelo estado do Mato-Grosso fazendo shows e oficinas. O EP “Já É” foi lançado em 2017, junto a um audiovisual da música título do disco. A exibição do clipe durante os intervalos da programação da TV Centro América  rendeu uma ótima repercussão dentro do estado. O seu primeiro álbum completo, “Somos som”, foi lançado em 2019, que traz a busca por uma nova sonoridade e suas primeiras composições e participações especiais, como o músico Curumim, Pacha Ana e Abel Dy Anjos. A pandemia atrapalhou a divulgação do álbum e, com isso, Karola se dedicou a trabalhos audiovisuais junto a um coletivo de artistas mato-grossenses, tratando de temas fortes como questões ambientais, raça e gênero. O material foi premiado em festivais de música e cinema. A grande referência de Karola é a MPB e, para ela, cantar é mais uma forma de se comunicar do que diversão. Ela segue em uma busca angustiante,  que é a definição do seu som, e espera que o público consiga entender a sua música. Vou deixar aqui um som da Karola Nunes: https://www.youtube.com/watch?v=Z0FN76s-SNU&list=RDZ0FN76s-SNU&start_radio=1   Aline de Silva Lira, cantora, compositora, atriz, escritora e ativista, adotou o nome artístico Kaê Guajajara (@kaekaekae ),que foi dado pelo seu povo. A maranhense teve que deixar sua aldeia rumo à favela da Maré, no Rio de Janeiro,  juntamente com sua mãe, em busca de uma vida melhor. Sua aldeia, além de não ser demarcada, sofria com conflitos com os madeireiros. No Rio, teve contato com funk e música periférica e montou um grupo de rap, “Crônicos”. Quando decidiu seguir carreira solo, ela pensou em não falar sobre as questões indígenas, mas chegou à conclusão de que seu trabalho poderia contribuir para alertar sobre, por exemplo, as violências que uma mulher indígena sofre em uma cidade. Kaê é muito atuante nas redes sociais, principalmente no Instagram, onde, além de divulgar seu trabalho, ela manifesta seu ativismo por meio de denúncias sobre as questões indígenas. A música de Kaê é uma união de elementos da língua do seu povo  e instrumentos tradicionais com  hip hop. As letras falam, entre outras coisas, da vivência dos povos originários no ambiente urbano e da extinção da identidade indígena. No palco, ela busca  que a sua imagem seja uma forma de resistência; ela se apresenta com pinturas e acessórios indígenas, valorizando a cultura do seu povo. Em 2021, seu show foi indicado como o melhor do ano pela “Women’s Music Event” e foi mencionada nos anos de 2022 e 2023 pela “Forbes Mulher” entre as 10 novas e promissoras cantoras brasileiras. Ela lançou em 2022 o primeiro álbum visual indígena da música brasileira, “Kwarahy Tazyr”. A moça é multi; em 2024 lançou seu livro “Descomplicando com Kaê Guajajara – o que você precisa saber sobre os povos originários e como ajudar na luta antirracista”. Kaê segue quebrando barreiras; foi a primeira mulher indígena a se apresentar no festival The Town. A artista já lançou três EPs e quatro álbuns e fundou o selo “Azuruhu”, que é voltado ao desenvolvimento e divulgação de artistas indígenas. É muito bom ver artistas com tanto talento e personalidade para manter viva a identidade e cultura do seu povo. Vou deixar aqui um link de uma música de Kaê: https://www.youtube.com/watch?v=lcGgjwnrO7U&list=RDlcGgjwnrO7U&start_radio=1

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A guitarra brilhando na MPB!

A guitarra é um dos instrumentos mais versáteis que existem, ela pode ser usada nos mais diversos ritmos e estilos musicais. No rock, por exemplo, é essencial ter guitarra, alguns roqueiros até conseguem abrir mão da guitarra, mas são exceções. Isso é assunto para uma próxima edição. Claro que o instrumento se destaca em outros estilos, como jazz e pop, mas eu vou falar aqui de alguns casos em que a guitarra se sobressai na MPB. Tem um disco da Gal Costa que é o “Gal” de 1969, que tem um trampo de guitarra fantástico. O guitarrista desse disco é Lanny Gordin, que é um mestre em harmonia, reverenciado por grandes guitarristas brasileiros, e nos arranjos e direção musical, nada mais, nada menos que Rogério Duprat. Com essas feras participando, não podia dar errado. O álbum, na verdade, não pode ser considerado de MPB, ele é mais de rock e psicodélico do que qualquer outra coisa. Mas, como a Gal não está “na prateleira do rock”, eu resolvi citá-lo mesmo assim. Nesse álbum tem a música “Meu nome é Gal”, que foi composta por Erasmo Carlos para Gal. Essa canção tem uma versão ao vivo em que ela duela com a guitarra e mostra todo o seu alcance vocal. Vou deixar aqui o link da música: https://www.youtube.com/watch?v=8KHtYIL7_-Q&list=RD8KHtYIL7_-Q&start_radio=1   Outra canção da MPB que tem um solo marcante é “Tropicana” de Alceu Valença. Foi gravada no disco “Cavalo de Pau” de 1982, um dos grandes sucessos de Alceu, e quem faz o solo foi o grande guitarrista Paulo Rafael (in memoriam). Esse músico tinha um estilo que mesclava psicodelia e regionalismo,  o que combinava muito com a forma de compor de Alceu Valença. A parceria desses dois rendeu vários momentos fantásticos da nossa música. E aqui deixo um link do solo: https://www.youtube.com/watch?v=12a-kXxovoE   Claro que eu poderia citar aqui pelo menos dez músicas, mas vou destacar só mais essa que é uma das minhas preferidas gravadas pelo grande cantor e compositor Milton Nascimento, estou falando de “Caçador de Mim” que foi lançada no disco homônimo em 1981. Mas essa linda canção é na verdade da banda também mineira  “14 Bis” e foi composta por Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá, e gravada no disco 14 Bis II de 1980. Um detalhe interessante é que na versão do  “14 Bis” não tem solo de guitarra e tem um estilo mais rock progressivo do que a de Milton. Quem fez o solo na canção interpretada por Milton foi um dos melhores guitarristas brasileiros, Hélio Delmiro, que, tocando jazz e MPB, se tornou um ícone do instrumento no Brasil. O solo feito por ele é um dos mais importantes da música brasileira. Vou deixar aqui um link da música: https://www.youtube.com/watch?v=JSxO2BLvm8M&list=RDJSxO2BLvm8M&start_radio=1&pp=ygUhY2HDp2Fkb3IgZGUgbWltIG1pbHRvbiBuYXNjaW1lbnRvoAcB        

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