A nova MPB, vem forte!

  É impressionante a quantidade e a qualidade de artistas brasileiros que eu encontro nas minhas pesquisas e que o algoritmo me mostra. Hoje vou destacar mais dois artistas brasileiros, muito talentosos. Começando com Emanuel Santos Sousa, que adotou o nome artístico de Will Santt (@will.santt), o primeiro nome faz referência ao ator Will Smith por causa do cabelo black power que Emanuel usa, e o segundo vem de Santos, do seu sobrenome. Will não é uma novidade, o cantor, compositor e multi-instrumentista começou sua carreira em 2019, quando criou um perfil no Instagram que virou palco para sua arte e foi onde ele começou a ser reconhecido até internacionalmente. Ele começou na música aos nove anos, tocando bateria e para não brigar com seu irmão, teve que, a contragosto, optar pelo violão. Aos doze, assistiu a um vídeo no YouTube que despertou seu interesse pela bossa nova, era Tom Jobim e Elis Regina cantando “Águas de março”. A base sonora de Will é a bossa nova, mas ele diz que tem uma veia “djavanica”, referência a Djavan, no tocante as letras que falam de amor e romance, e também tem influência de Caetano Veloso e claro João Gilberto. Mas ele não se prende apenas a um tema ou ritmo, tendo passado pelo rock e música clássica. Em 2024, partiu para sua terceira turnê pela Europa e lançou um disco gravado ao vivo, “Will Santt – Ao vivo no Blue Note”, com a participação de Roberto Menescal, que elogiou a forma de tocar do jovem músico. Ele comenta que seu público é mais velho, mas que gostaria de chegar a um público mais jovem e quebrar um pouco a seriedade da MPB. Will já lançou dois álbuns: “Meu Caminho” de 2024 e “Cores do meu coração” em 2026, e dois EPs: “O novo sempre vem” e “Slap sessions”, ambos em 2026, além do ao vivo no Blue Note. Algumas pessoas acham que ele imita o João Gilberto por causa da forma de cantar, mas para outras, ele apenas tem um jeito parecido e o próprio Will diz que fala baixo, não gosta de barulho e que não conseguiria imitar o ídolo. O mais importante é que ele é mais um grande artista brasileiro, que veio renovar a nossa música. E quem quiser conferir, é só acessar esse link: https://www.youtube.com/watch?v=iUagI0V8YmA&list=RDiUagI0V8YmA&start_radio=1&t=141s   O recifense Fitti (@fitti_____ ), teve seu canto moldado desde cedo, já que em sua casa a música estava muito presente. Da capital pernambucana  veio a sua essência e personalidade artística, e se tornou ator, cantor, compositor e produtor musical. Fitti vem em ascensão na música brasileira e transita em várias linguagens e expressões artísticas, música, teatro e audiovisual. Já participou de espetáculos de teatro e da série “Só se for por amor” da  Netflix. Em 2024, lançou seu primeiro álbum, “Transespacial”, produzido por Zé Nigro. Em 2025, o disco foi indicado ao Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa”. Fitti é o primeiro cantor trans da história a ter uma indicação a esse prêmio. Ele busca, nesse trabalho, partilhar com o público como o indivíduo se relaciona com suas emoções e dificuldades de acordo com a vivência do próprio artista. E estreou o projeto “O Novo Sempre Vem”, apresentado por João Marcelo Bôscoli, exibido na TV Cultura. Foi por meio desse audiovisual que conheci Fitti. Recomendo para quem quer conhecer novos artistas. Iniciando uma nova fase, Fitti lançou o single “Postal de Amor”. Nesse momento, se dedica a um audacioso projeto que é “Fitti Canta Ney”, com direção musical de Pupilo, ex-baterista da Nação Zumbi, que agora trabalha também como produtor musical. Nessa empreitada, Fitti busca uma leitura artística diferente para a obra dessa lenda da música brasileira, tem que ter muita coragem e personalidade para fazer isso. E ainda deve fazer a turnê do disco “Transespacial”, mostrando assim o seu talento para um público maior. O que me chama atenção em artistas como Fitti é o jeito “estranho” que, em alguns momentos, ele coloca a voz, é essa estranheza que eu busco e felizmente encontrei nele. Como faço sempre vou deixar aqui o link de uma música: https://www.youtube.com/watch?v=hVqAo68TplU&list=RDhVqAo68TplU&start_radio=1    

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Rock e nordestinidade!

Na coluna de hoje, vou falar de duas bandas nordestinas de rock. A primeira é “Janete saiu para beber” ( @janetesaiuparabeber ), foi formada em 2010 na cidade pernambucana de Cabo de Santo Agostinho. A proposta sonora não é nada que já não tenha sido feito, que é uma mistura de punk, rock de garagem e ritmos nordestinos, como coco de roda, cavalo marinho e frevo, mas os caras conseguem se sobressair com muita agressividade, percussão e boas letras que falam da indignação com os rumos da sociedade e a falta de consciência de classe. Os integrantes têm empregos comuns, então sentem na pele o que é ser um assalariado no Brasil e daí vem inspiração para as letras. O nome da banda é inspirado em uma personagem de Charles Bukowski, Jane, que, ao fim da jornada de trabalho, saía para beber, na esperança de se sentir melhor. Para trazer ao “universo” da banda, eles resolveram colocar “Janete” em vez de Jane, e assim surgiu o nome. A banda é formada por César Braga, vocal, Kin Noise guitarra, Lennon Carneiro no baixo, Niel Melo na bateria e na percussão Eudes Júnior e Erivaldo Romão. Esses dois últimos não faziam parte da formação original. A banda só lançou alguns singles, talvez por conta de um hiato na carreira. Em 2022, gravou um audiovisual no projeto Estúdio Show Livre, e o mais recente foi lançado em 2025 e veio acompanhado de um clipe, com o título de “Iluminado”. Agora é aguardar novas músicas dessa banda que tem muito a mostrar. Vida longa a Janete. Vou deixar aqui o link do clipe de “Iluminado”: https://www.youtube.com/watch?v=MpYJvmRyK2U&list=RDMpYJvmRyK2U&start_radio=1     A segunda banda é a “Dona Iracema” ( @donairacema ) , da cidade de Vitória da Conquista, na Bahia, que foi criada pelo vocalista Rodrigo Bodão, pelo baixista Diegão Aprígio , Igor Kekas na bateria  que já não faz mais parte da banda e Pedro Pena na outra guitarra, que se uniram para tocar covers da banda Raimundos. Sobre o nome, eles queriam que fosse um nome forte feminino e que tivesse algo de pessoal com os integrantes. Um dia, durante uma conversa para definir o nome, a Dona Iracema, mãe de Diegão, liga para dar uma bronca no filho. Ao fim da ligação, eles não tiveram dúvidas,  ela preenchia todas as características para ser a “homenageada”. Com o tempo, foram se destacando no cenário regional e fazendo muitos shows, a partir daí veio a ideia de dar um passo importante, que foi compor suas próprias músicas. Eles denominaram o som da banda como sendo “Catingore Iracematico”. Na verdade, é um hardcore influenciado por Mamonas Assassinas, Raimundos, Luiz Gonzaga, Nação Zumbi e System of a Down. As letras podem tratar de situações complicadas que aconteceram com eles  e fazem questão de que sejam expressadas de uma forma divertida. Uma das características da banda é a irreverência,  que é uma das coisas mais legais  do rock. A banda lançou quatro álbuns: “Catingore Iracemático”, “Balbúrdia”, “Velório” e “Rojão 12×1”. O  disco “Velório”,  de 2021, foi lançado no formato de audiovisual, o primeiro do estado lançado dessa forma. A Dona Iracema detém o recorde mundial da música mais curta do mundo,  com a canção “Centro do Universo”, do disco “Balbúrdia”,  que tem duração de dois segundos. Nesse álbum tem a participação de Luiz Caldas em “Volta pra casa, João”. Em 2017, para atestar que a banda está no caminho certo e que o seu som é realmente muito bom,  se apresentaram no Rock In Rio. Também em 2017 a formação muda com a entrada da vocalista Balaio, uma mulher trans, que infelizmente já passou por situações constrangedoras e até agressões, mas isso não a desmotiva  e a vocalista acrescenta muito com sua voz poderosa e presença de palco Que a irreverência e o “Catingore Iracemático”  da Dona Iracema cheguem cada vez mais longe! Vou deixar aqui o link de um catingore pra vocês: https://www.youtube.com/watch?v=hiGhgHi7rUk&list=RDhiGhgHi7rUk&start_radio=1                

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Modernidade e ancestralidade na música!

A nova MPB se alia a bases e batidas eletrônicas, mas não esquece suas raízes afro e regionais, na coluna de hoje, vou mostrar o trabalho desenvolvido por artistas que sabem extrair coisas boas  dessa vertente. Vou começar com Karola Nunes ( @karola_nunes ), cantora, compositora e instrumentista que atua profissionalmente na música há 20 anos. Com versatilidade, ela busca, dentro de diferentes projetos, expressar suas influências musicais. Entre os estilos que Karola já trabalhou estão samba, baião, reggae e maracatu. Até chegar a ter a sua própria linguagem, as letras falam de igualdade social, relações vividas por ela e também sobre a força e influência da música. Karola começou  a carreira em uma banda inspirada no movimento mangue beat, “Marakadaje”. Quando se mudou para Cuiabá, fez parte de um grupo de choro e samba feminino, “Bionne”, de um grupo de forró pé de serra, “Fuá”, da banda de reggae “Negramina” e do projeto “Orgânico Dub” . Em 2015, Karola faz seu primeiro show solo; a partir daí, ela viajou pelo estado do Mato-Grosso fazendo shows e oficinas. O EP “Já É” foi lançado em 2017, junto a um audiovisual da música título do disco. A exibição do clipe durante os intervalos da programação da TV Centro América  rendeu uma ótima repercussão dentro do estado. O seu primeiro álbum completo, “Somos som”, foi lançado em 2019, que traz a busca por uma nova sonoridade e suas primeiras composições e participações especiais, como o músico Curumim, Pacha Ana e Abel Dy Anjos. A pandemia atrapalhou a divulgação do álbum e, com isso, Karola se dedicou a trabalhos audiovisuais junto a um coletivo de artistas mato-grossenses, tratando de temas fortes como questões ambientais, raça e gênero. O material foi premiado em festivais de música e cinema. A grande referência de Karola é a MPB e, para ela, cantar é mais uma forma de se comunicar do que diversão. Ela segue em uma busca angustiante,  que é a definição do seu som, e espera que o público consiga entender a sua música. Vou deixar aqui um som da Karola Nunes: https://www.youtube.com/watch?v=Z0FN76s-SNU&list=RDZ0FN76s-SNU&start_radio=1   Aline de Silva Lira, cantora, compositora, atriz, escritora e ativista, adotou o nome artístico Kaê Guajajara (@kaekaekae ),que foi dado pelo seu povo. A maranhense teve que deixar sua aldeia rumo à favela da Maré, no Rio de Janeiro,  juntamente com sua mãe, em busca de uma vida melhor. Sua aldeia, além de não ser demarcada, sofria com conflitos com os madeireiros. No Rio, teve contato com funk e música periférica e montou um grupo de rap, “Crônicos”. Quando decidiu seguir carreira solo, ela pensou em não falar sobre as questões indígenas, mas chegou à conclusão de que seu trabalho poderia contribuir para alertar sobre, por exemplo, as violências que uma mulher indígena sofre em uma cidade. Kaê é muito atuante nas redes sociais, principalmente no Instagram, onde, além de divulgar seu trabalho, ela manifesta seu ativismo por meio de denúncias sobre as questões indígenas. A música de Kaê é uma união de elementos da língua do seu povo  e instrumentos tradicionais com  hip hop. As letras falam, entre outras coisas, da vivência dos povos originários no ambiente urbano e da extinção da identidade indígena. No palco, ela busca  que a sua imagem seja uma forma de resistência; ela se apresenta com pinturas e acessórios indígenas, valorizando a cultura do seu povo. Em 2021, seu show foi indicado como o melhor do ano pela “Women’s Music Event” e foi mencionada nos anos de 2022 e 2023 pela “Forbes Mulher” entre as 10 novas e promissoras cantoras brasileiras. Ela lançou em 2022 o primeiro álbum visual indígena da música brasileira, “Kwarahy Tazyr”. A moça é multi; em 2024 lançou seu livro “Descomplicando com Kaê Guajajara – o que você precisa saber sobre os povos originários e como ajudar na luta antirracista”. Kaê segue quebrando barreiras; foi a primeira mulher indígena a se apresentar no festival The Town. A artista já lançou três EPs e quatro álbuns e fundou o selo “Azuruhu”, que é voltado ao desenvolvimento e divulgação de artistas indígenas. É muito bom ver artistas com tanto talento e personalidade para manter viva a identidade e cultura do seu povo. Vou deixar aqui um link de uma música de Kaê: https://www.youtube.com/watch?v=lcGgjwnrO7U&list=RDlcGgjwnrO7U&start_radio=1

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A guitarra brilhando na MPB!

A guitarra é um dos instrumentos mais versáteis que existem, ela pode ser usada nos mais diversos ritmos e estilos musicais. No rock, por exemplo, é essencial ter guitarra, alguns roqueiros até conseguem abrir mão da guitarra, mas são exceções. Isso é assunto para uma próxima edição. Claro que o instrumento se destaca em outros estilos, como jazz e pop, mas eu vou falar aqui de alguns casos em que a guitarra se sobressai na MPB. Tem um disco da Gal Costa que é o “Gal” de 1969, que tem um trampo de guitarra fantástico. O guitarrista desse disco é Lanny Gordin, que é um mestre em harmonia, reverenciado por grandes guitarristas brasileiros, e nos arranjos e direção musical, nada mais, nada menos que Rogério Duprat. Com essas feras participando, não podia dar errado. O álbum, na verdade, não pode ser considerado de MPB, ele é mais de rock e psicodélico do que qualquer outra coisa. Mas, como a Gal não está “na prateleira do rock”, eu resolvi citá-lo mesmo assim. Nesse álbum tem a música “Meu nome é Gal”, que foi composta por Erasmo Carlos para Gal. Essa canção tem uma versão ao vivo em que ela duela com a guitarra e mostra todo o seu alcance vocal. Vou deixar aqui o link da música: https://www.youtube.com/watch?v=8KHtYIL7_-Q&list=RD8KHtYIL7_-Q&start_radio=1   Outra canção da MPB que tem um solo marcante é “Tropicana” de Alceu Valença. Foi gravada no disco “Cavalo de Pau” de 1982, um dos grandes sucessos de Alceu, e quem faz o solo foi o grande guitarrista Paulo Rafael (in memoriam). Esse músico tinha um estilo que mesclava psicodelia e regionalismo,  o que combinava muito com a forma de compor de Alceu Valença. A parceria desses dois rendeu vários momentos fantásticos da nossa música. E aqui deixo um link do solo: https://www.youtube.com/watch?v=12a-kXxovoE   Claro que eu poderia citar aqui pelo menos dez músicas, mas vou destacar só mais essa que é uma das minhas preferidas gravadas pelo grande cantor e compositor Milton Nascimento, estou falando de “Caçador de Mim” que foi lançada no disco homônimo em 1981. Mas essa linda canção é na verdade da banda também mineira  “14 Bis” e foi composta por Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá, e gravada no disco 14 Bis II de 1980. Um detalhe interessante é que na versão do  “14 Bis” não tem solo de guitarra e tem um estilo mais rock progressivo do que a de Milton. Quem fez o solo na canção interpretada por Milton foi um dos melhores guitarristas brasileiros, Hélio Delmiro, que, tocando jazz e MPB, se tornou um ícone do instrumento no Brasil. O solo feito por ele é um dos mais importantes da música brasileira. Vou deixar aqui um link da música: https://www.youtube.com/watch?v=JSxO2BLvm8M&list=RDJSxO2BLvm8M&start_radio=1&pp=ygUhY2HDp2Fkb3IgZGUgbWltIG1pbHRvbiBuYXNjaW1lbnRvoAcB        

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Literatura punk/rock!

Na coluna de hoje, vou destacar livros que retratam a história do punk e do rock piauiense. Vou começar com a biografia de uma das principais bandas do Piauí, “Narguilé hidromecânico”  ( @narguilehidromecanico), o título é “A alegria da festa é o que me resta”, escrito pelo vocalista e  um dos fundadores da banda, Fábio Crazy Christian (@fabiocrazychristian). A banda surgiu em 1998, com a proposta de fazer um som com muito groove nas guitarras, misturadas com percussão, zabumba, triângulo e ainda durante uma fase, a banda contou com um DJ mandando uns beats eletrônicos. Com esses instrumentos, eles mesclavam rock com forró, reggae e hardcore, mas com o passar do tempo, a banda ficou com um som mais direto, mas sem deixar de lado as influências de Luiz Gonzaga, Raimundo Soldado e Maria da Inglaterra. O Fábio conta a história da banda de um jeito fluido, deixando a leitura ainda mais prazerosa. Como toda biografia, o livro mostra como a banda surgiu e as “aventuras” pelo sul do país, onde por pouco a banda não fechou contrato com uma produtora que provavelmente levaria a banda a ter o reconhecimento nacional que merece. Não vou dar mais spoilers, quem quiser saber mais, pode acessar o link https://clubedeautores.com.br/livro/a-alegria-da-festa-e-o-que-me-resta.   “Chakal” foi lançado em dezembro de 2021, publicado pela editora Cancioneiro ( @editora_cancioneiro ) e escrito pelos historiadores  Aristide Oliveira, Heitor Matos e com a colaboração de Altaíde Pedreira, o próprio Chakal. A biografia teve como principal objetivo mostrar a evolução do adolescente Altaíde, até chegar ao professor e vocalista da banda “Obtus”. Ele é um dos ícones do hardcore piauiense, tanto participando de bandas como produzindo fanzines, com isso o que não falta é história para contar sobre o underground piauiense. Boa parte do livro é sobre a banda “Obtus” onde Chakal atua há três décadas. O livro é um relato sobre a cena punk desde os primórdios, sem deixar de lado outros gêneros do rock pesado, Chakal tem histórias incríveis que também mostram a dificuldade de se fazer música pesada no estado, fala das influências sonoras e da vivência de Altaíde na escola e como era  o acesso a discos, revistas e camisetas, itens importantes na vida de qualquer roqueiro. Vale a pena conhecer um pouco mais desse cara carismático e gente boa, que é um dos grandes do nosso underground. Para adquirir o livro, você pode entrar em contato com o próprio Chakal (@chakalpedreira) ou com Aristides Oliveira (86 998345393). “Vozes do punk”, o livro foi publicado pela editora Cancioneiro e escrito a três mãos pelo escritor, pesquisador nas áreas de música, cinema e cultura brasileira dos anos 70 e professor da UFPI Aristide Oliveira, Dante Galvão ( @dantegalvão),  ex-vocalista da banda “Anarcóticos” , professor e sociólogo, e por Eduardo Djow ( @eduardodjow ), vocalista da banda “Miséria”, criador da página “Piauí punk” e produtor de eventos punk/hardcore como “Arraiá da desgraça”. A publicação mostra, por meio de fatos e entrevistas, como era ser punk em Teresina nos anos 80. Além de ter que enfrentar o conservadorismo dos pais, os eventos eram escassos, então o que levava o movimento à frente eram os encontros nas praças onde rolavam debates sobre questões políticas e sociais, planos para realização de shows e também a troca de informações através de fanzines e revistas sobre o movimento, bandas locais, nacionais e internacionais. Pra quem se interessou vou deixar aqui o link para compra do livro: https://www.editoracancioneiro.com.br/vozes-do-punk. E para celebrar a trajetória de uma das melhores, se não a melhor banda de hardcore do Piauí, foi lançado esse ano o livro “Obtus”  30 anos de porrada”, escrito por Aristides Oliveira em parceria com Altaíde Pedreira, o Chakal, vocalista da banda. O livro encerra de certa forma uma trilogia sobre o punk/hardcore no Piauí que começou com a publicação de “Chakal”. A publicação retrata através de depoimentos de membros da banda desde a formação até hoje, experiências vividas ao longo de três décadas. Além de mostrar a história da banda o livro expõe uma visão de como era a identificação da  juventude piauiense com o punk/hardcore . O lançamento é fruto de uma campanha colaborativa nas redes sociais, financiada pelos fãs da banda e pra adquirir esse relato histórico você pode acessas o site da editora Debulhar, (https://editoradebulhar.com.br/), ou diretamente com os autores Arítides Oliveira (86 998345393) e Altaíde Pedreira (@chakalpedreira).

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Getúlio Abelha, irreverência em músicas para dançar e para pensar!

Alguns artistas se destacam por não serem fáceis de rotular, mesmo fazendo algo que não seja totalmente original, é o caso do piauiense Getúlio Abelha ( @getulioabelha). As principais características da música de Getúlio são irreverência e a fusão de ritmos como forró, punk, brega e eletrônico, mas suas composições vão além: exploram temas existenciais e convidam tanto a dançar quanto a pensar. Getúlio sabe que não basta ter talento e se preparou para seguir na carreira artística cursando artes cênicas na Universidade Federal do Ceará. Nessa época, se envolveu com teatro, dança e cinema. Suas primeiras músicas, “Laricado” e “Tamanco de Fogo”, foram lançadas de forma independente em 2017, com clipes no YouTube, participou de festivais em Fortaleza e São Paulo e em 2021 lançou o álbum “Marmota”  com novas versões dos singles que já haviam sido lançados e algumas inéditas. As letras desse disco falam sobre LGBTQIAfobia, política, violência. Tratando desse tema, ele foi rotulado como cantor de forró  “queer “, mas ele preferiu que o chamassem de forró eletrônico. Com esse trabalho, ele se tornou uma das figuras mais cativantes e surpreendentes da nossa música. Um ano depois desse lançamento, ele se mudou para São Paulo. Essa mudança fez com que o artista buscasse novas experimentações, como no single “Ranço”, que  tem elementos do brega. Uma das referências no trabalho de Getúlio são os videoclipes, nos quais ele participa da direção artística, roteiro e produção. Nos clipes, ele abusa da criatividade, os recursos financeiros são poucos, mas ele consegue fazer algo realmente sofisticado, não é à toa que o número de visualizações só cresce. E o reconhecimento da contribuição e destaque desses audiovisuais, veio com a premiação no MVF 2026, que é a principal premiação de videoclipes do Brasil, na categoria potência criativa, com o clipe de “Freak”. Em 2025, lançou “Autopsia”, que mostra uma nova fase influenciada pela mudança para São Paulo. Ele conseguiu preservar sua identidade mesmo deixando o humor um pouco de lado e partindo para temas mais introspectivos, onde ele busca descobrir coisas sobre si mesmo. Esse trabalho mostra o amadurecimento do artista, que agora não tem mais medo de expor sobre suas dores. Apesar de ainda ter forró, outros estilos foram agregados às composições desse disco, como emo, brega, e funk. Para Getúlio, a grande variedade de ritmos não faz com que o produto final não seja coeso. Uma confirmação da excelência da música feita por Getúlio foi a indicação da Associação de Críticos de Arte de São Paulo ao disco “Autopsia” como um dos melhores do Brasil em 2025. O mais novo lançamento de Getúlio é “Autopsia+”, que é um complemento do disco anterior. Nesse novo trampo, percebe-se que ele continua desafiando limites, assim reafirma sua autenticidade e identidade, com isso ele vai se firmando como um dos grandes artistas da atual música brasileira. Pra quem ainda não conhece vou deixar aqui o link de um dos clipes de Getúlio Abelha: https://www.youtube.com/watch?v=DOFoVw5mN2E&list=RDDOFoVw5mN2E&start_radio=1                    

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Música brasileira contemporânea!

Hoje vou destacar dois artistas que saem um pouco do convencional, tanto pela maneira de tocar como pela forma de cantar. Vou começar falando de Anna Tréa (@annatrea), cantora, compositora, arranjadora e multi-instrumentista, que nasceu em São Paulo. Anna, ao tocar violão ou guitarra, alia o virtuosismo  a uma abordagem rítmica e percussiva , além disso, ela mistura perfeitamente o modo de tocar com a sua expressão corporal, inspirada na dança e no teatro. Outra característica marcante de Anna é o seu jeito de cantar swingado e pulsante. Quando participou do The Voice espanhol, um dos jurados disse que a sua apresentação foi uma das mais originais que ele viu no programa. Ela participou da turnê mundial do rapper Emicida, como guitarrista solo e backing vocal, e também tocou com Arrigo Barnabé. Tocar com artistas com estilos tão diferentes mostra toda a versatilidade dessa artista. Em 2016, lançou seu primeiro álbum com o nome de “Clareia”, que foi produzido por Swami Jr., grande nome que trabalhou com Buena Vista Social Club, entre outros. Um fato muito interessante é que o disco é 99% acústico e executado por Anna. A turnê do disco foi projetada para ser totalmente diferente do disco, com convidados, músicos, dançarinos e artistas circenses. O que mais chama atenção no som de Anna é a forma como mistura ritmos brasileiros com sons do mundo de uma forma sutil e madura. Vou deixar um link de uma música de Anna Tréa: https://www.youtube.com/watch?v=Hd0i0uxBjXY&list=PLvrGO4IQT8KR7wJDdQdcoicGujUB7–nI       Marcelo Dai (@marcelodaimusica ) vem se firmando como um dos artistas mais expressivos da atualidade. Tocar bateria e cantar exige coordenação motora, manter o ritmo e controle da respiração, e Marcelo faz isso com maestria. Ele já acompanhou grandes nomes da música brasileira como Milton Nascimento, Lô Borges, Paulinho Moska e Zeca Baleiro. Mas decidiu que era hora de seguir carreira solo e interpretar as suas próprias canções sem deixar a bateria de lado. Com seu projeto Marcelo Dai e Macondos, ele tem excursionado pelo Brasil e outros países. E ainda tem o Marcelo Dai Trio, onde ele passeia pelo jazz, funk, soul e R&B. Marcelo não é só um baterista talentoso, ele também é considerado um dos cantores mais influentes da atualidade, principalmente pela sua criatividade. Um dos principais projetos do artista é “Marcelo Dai canta Simonal”, onde ele interpreta os grandes sucessos e canções menos conhecidas. O objetivo de Dai é mostrar para essa geração a obra de Simonal. Ele é um dos grandes artistas da MPB contemporânea, esbanjando criatividade, musicalidade e técnica. Marcelo bota o público para cantar e dançar. Vou deixar aqui o link de uma das interpretações de Marcelo: https://www.youtube.com/watch?v=EfIcmw7fuHE&list=RDEfIcmw7fuHE&start_radio=1    

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Dois talentos da MPB completam 80 anos!

Na coluna de hoje, vou falar de dois monstros da música brasileira, que completaram 80 anos de vida, são eles João Bôsco (@joaoboscoreal ) e Alceu Valença ( @alceuvalenca ),  sempre que vou citar esses grandes nomes me pergunto se devo fazer, porquê o que eu posso acrescentar que ainda não foi dito, me convenço pensando que esses caras tem que ser reverenciados de todas as formas repetidamente. Dito isso vou começar com João Bosco, o quinto filho de dez irmãos, que teve o seu gosto musical eclético, moldado pelos discos dos mais diversos estilos que duas de suas irmãs compravam. Aos dez anos, a sua irmã pianista lhe deu seu primeiro violão e com uma capacidade auditiva incrível ele conseguia transpor para o violão tudo que escutava, então não precisou de professor. João foi estudar em Ouro Preto e, em 1967, foi apresentado a Vinicius de Moraes, seu primeiro parceiro. Já começou bem essa história de parceria. Ainda na cidade, enquanto tocava em um bar, foi abordado por Pedro Lourenço, que disse ter um amigo carioca, Aldir Blanc,  com um jeito de escrever que se encaixaria com as melodias criadas por João e assim nasceu uma das parcerias mais importantes da música brasileira. As primeiras músicas compostas pelos dois foram feitas por meio de troca de cartas, já que João ainda morava em Ouro Preto. Eles só se conheceram pessoalmente quando João foi morar no Rio de Janeiro. Dessa união surgiram clássicos da MPB como “Falso Brilhante”, “Mestre-Sala dos Mares”, “Bala com Bala”,  a lista é extensa, para mim tem uma que é uma das melhores da música brasileira, “Corsário” imortalizada na voz de Elis Regina (de novo citando Elis?! Elis sempre) . A obra de João Bosco é diversificada, não se limita à MPB, tem jazz e música latina, entre outras coisas. Além de grande cantor e compositor, João é um excepcional violonista, dono de uma técnica rara, onde, enquanto a mão direita reproduz ritmos afro-brasileiros, a mão esquerda vem com sofisticadas harmonias. Como se não bastasse, o cara, quando canta, faz divisões rítmicas intrincadas e vocalizações improvisadas que sincronizam de forma perfeita com o som que sai do violão. João Bosco é referência para músicos nacionais e internacionais, para muitos, ouvi-lo tocando é como se fosse uma orquestra sintetizada em um violão. Vou deixar aqui uma interpretação fantástica ao vivo de “Corsário”: https://www.youtube.com/watch?v=s9Ye-i8fIWk&list=RDs9Ye-i8fIWk&start_radio=1   Alceu Valença, esse artista fantástico, mistura vários ritmos nordestinos como xote, baião, embolada, côco, forró e frevo com a energia do rock’n roll, sem ser roqueiro, como ele mesmo faz questão de dizer. Luiz Gonzaga disse que o som de Alceu é como se fosse uma banda de “pífanos elétrica”. Além da originalidade do seu som, Alceu difunde e valoriza a cultura nordestina como poucos e assim tornou-se um dos mais importantes artistas brasileiros. A música dele, ao mesmo tempo que é regional, também é contemporânea e urbana, talvez por isso ele tenha alcançado uma popularidade tão grande. Antes mesmo de comandar o bloco “Bicho Maluco Beleza”, que é título de uma de suas músicas, Alceu já era símbolo do carnaval pernambucano, mais especificamente de Olinda. É interessante como a música de Alceu vem conquistando várias gerações, um exemplo disso é a canção “Anunciação”, que é a sua composição mais tocada no Spotify, com 197 milhões de reproduções. Sem falar na quantidade de versões feitas por outros artistas, tem até uma versão muito legal do projeto musical infantil Mundo Bita. Com o filme “Luneta do Tempo”, um musical que conta a história de Lampião e Maria Bonita, Alceu estreou como cineasta, diretor e roteirista, comprovando a grandiosidade de seu talento. O longa foi premiado nas categorias trilha sonora e direção de arte no 42º Festival de Cinema de Gramado. O auto-intitulado discípulo de Luiz Gonzaga está em turnê desde março, com o espetáculo “80 Girassóis”, que foi idealizado para comemorar os 80 anos de vida. Além dos shows, a turnê conta com exposições de artes plásticas e exibição de filmes. Vida longa ao Bicho Maluco Beleza da música brasileira. Entre tantas músicas incríveis, vou deixar o link de “Anunciação”, que é uma das minhas preferidas: https://www.youtube.com/watch?v=OR74idpsweg&list=RDOR74idpsweg&start_radio=1                          

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Monise Borges ancestralidade e Samucapta diversidade!

Nessa edição vou falar de dois lançamentos de artistas piauienses, Monise Borges  lançou o audiovisual “Punaré” e Samucapta lançou o álbum homônimo. Foi para fechar um ciclo que começou com o  disco “Punaré”  lançado em 2024, que Monise Borges (@moniseborgesoficial ) lançou um trabalho audiovisual com as músicas desse mesmo álbum no dia 29 de julho de 2026. O sentimento de Monise com essa gravação foi como um retorno a um local com reflexões e visão diferentes. Esse novo formato permitiu à cantora e compositora uma ampliação da percepção de novos sentidos. Quando Monise se propõe a recuperar o nome do rio Punarré, que foi mudado para  Parnaíba. Ela quer chamar a atenção para a importância de não esquecermos o que os nossos ancestrais sofreram. Para quem não sabe, o nome atual se refere a Domingos Jorge Velho, que está ligado à violência contra os povos originários. Essa obra, ao mesmo tempo que entretém, busca conscientizar e mostrar a riqueza dos povos ancestrais e manter viva a memória e as raízes desses povos. A cantora e compositora Monise Borges é sinônimo de talento, engajamento e resistência! Vou deixar aqui um link do audiovisual Punaré: https://www.youtube.com/watch?v=9ispYsEmfyE&list=RD9ispYsEmfyE&start_radio=1&t=146s&pp=ygUNbW9uaXNlIGJvcmdlc6AHAdIHCQlPCwGHKiGM7w%3D%3D   Samucapta (@samucapta ) é o nome artístico  do cantor, compositor e artista plástico Samuel Brandão. Ele já fez parte das bandas  Captamata e Fabulah. Após lançar alguns singles, ele decidiu compilar algumas músicas que não foram aproveitadas nas bandas em que participou e lançou seu primeiro disco solo com o título homônimo. O trabalho me surpreendeu muito, tanto pelas composições inspiradíssimas, como pela diversidade, Samucapta mostra nesse seu trabalho todas as suas influências que vão da MPB ao rock clássico dos Beatles, do progressivo de Jethro Tull, psicodelia,  música celta e viola caipira. Apesar de boa parte das composições remeterem ao rock ou música estrangeira em geral, o disco tem identidade nordestina. Samucapta é um álbum solo e de certo modo coletivo por conta das muitas parcerias na composição das músicas. Os parceiros são Esaú Barros, Gabriel Medeiros, Joe Ferry e Vitor Lira. Apesar da diversidade de influências, as composições se conectam por terem o rock progressivo como espinha dorsal. É difícil escolher uma música, então vou deixar aqui o link do disco: https://www.youtube.com/watch?v=kh-voUMZR0o&list=RDkh-voUMZR0o&start_radio=1

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50 anos de duas obras-primas!

Duas obras-primas da música brasileira estão completando 50 anos. “Alucinação” de Belchior  e “Doces Bárbaros”  dos baianos Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia e Gilberto Gil. O segundo disco de Belchior, “Alucinação”, lançado em 1976, foi gravado em duas tardes com uma semana de ensaio, produzido pelo grande produtor Marco Mazzola. Um fato interessante foi quando Mazzola ligou para Belchior interessado em produzir um disco do jovem compositor. Ele não acreditou que era o cara que produziu discos de Elis Regina e Raul Seixas, foi preciso que Mazzola respondesse algumas perguntas para que Belchior acreditasse. Mazzola ficou surpreso com  a linguagem trazida por Belchior, que ainda por cima  conseguia se esquivar da censura. Ele conheceu o compositor cearense por meio de uma fita k7 mostrada por Elis, que naquele mesmo ano gravou  “Como Nossos Pais”  e “Velha Roupa Colorida”, ambas compostas por Belchior e estão também no álbum “Alucinação”. O  disco tem 10 faixas e dessas, cinco são clássicos da MPB, são elas “Apenas um  Rapaz Latino Americano” ,  “Velha Roupa Colorida”, “Como Nossos Pais”, “Sujeito de Sorte” e “A Palo Seco”. Com essas canções, não  poderia ser diferente, o disco rapidamente virou um sucesso de vendas com 30 mil cópias vendidas, chegando a 500 mil ao longo do tempo. No título do disco, Belchior  faz referência a como é ter que suportar o cotidiano, o verso  “e meu delírio é a experiência com coisas reais” na faixa título confirma a ideia de que a alucinação não se trata de se afastar da realidade. O modo como Belchior escreve lembra o estilo de Bob Dylan e na parte musical do álbum podemos perceber elementos de baião, rock, blues e country. Alucinação é um disco de grande relevância, que transcende o tempo e continua influenciando as novas gerações de músicos. Vou deixar aqui o link de uma música do disco: https://www.youtube.com/watch?v=FenWBF66-ow&list=RDFenWBF66-ow&start_radio=1&pp=ygUdYmVsY2hpb3IgYWx1Y2luYcOnw6NvIGFvIHZpdm-gBwHSBwkJTgsBhyohjO8%3D   Outro disco que está fazendo 50 anos é o “Doces Bárbaros”,  a união dos quatro baianos Caetano Veloso (@caetanoveloso ), Maria Bethânia (@mariabethaniaoficial),Gal Costa ( @galcosta)    e Gilberto Gil (@gilbertogil ), foi ideia de Bethânia para comemorar os dez anos de carreira do quarteto e o nome do grupo foi baseado no título de uma canção de Caetano, “Os Mais Doces Bárbaros”, a princípio não foi pensado na gravação de um disco, seria apenas a turnê, mas com o sucesso do show veio a ideia de gravar o repertório em estúdio, mas Gal e Bethânia sugeriram que o registro deveria ser do show. Além da captação do áudio para o que seria um álbum duplo, o diretor Jom Tob Azulay dirigiu um documentário que mostra todos os acontecimentos importantes, inclusive a prisão de Gilberto Gil por porte de drogas. Depois foram feitos filmes, um DVD e, em 1994, virou tema de samba enredo da Estação Primeira de Mangueira. Apesar de ser considerado uma obra prima, o disco foi bastante criticado principalmente por acharem que o álbum tem baixa qualidade técnica e gráfica. Mas as composições e interpretações superam a suposta baixa qualidade. Mesmo com a participação de grandes artistas, o disco não teve sucesso comercial e acabou sendo retirado do catálogo da gravadora Philips. Após 26 anos, os quatro baianos se reuniram como  “Doces Bárbaros” para dois shows ao ar livre em São Paulo e no Rio de Janeiro. As apresentações foram registradas em um documentário dirigido por Andrucha Waddington e foi lançado com o título “Os Outros (Doces) Bárbaros” em 2004. Com o passar do tempo, o álbum alcançou o status compatível com a sua importância para a música brasileira. Como sempre faço, vou deixar aqui o link do documentário feito sobre o projeto: https://www.youtube.com/watch?v=FlAjvgh0_Ok&pp=ygUdZG9jZXMgYsOhcmJhcm9zIGRvY3VtZW50w6FyaW8%3D      

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