Música brasileira contemporânea!

Hoje vou destacar dois artistas que saem um pouco do convencional, tanto pela maneira de tocar como pela forma de cantar. Vou começar falando de Anna Tréa (@annatrea), cantora, compositora, arranjadora e multi-instrumentista, que nasceu em São Paulo. Anna, ao tocar violão ou guitarra, alia o virtuosismo  a uma abordagem rítmica e percussiva , além disso, ela mistura perfeitamente o modo de tocar com a sua expressão corporal, inspirada na dança e no teatro. Outra característica marcante de Anna é o seu jeito de cantar swingado e pulsante. Quando participou do The Voice espanhol, um dos jurados disse que a sua apresentação foi uma das mais originais que ele viu no programa. Ela participou da turnê mundial do rapper Emicida, como guitarrista solo e backing vocal, e também tocou com Arrigo Barnabé. Tocar com artistas com estilos tão diferentes mostra toda a versatilidade dessa artista. Em 2016, lançou seu primeiro álbum com o nome de “Clareia”, que foi produzido por Swami Jr., grande nome que trabalhou com Buena Vista Social Club, entre outros. Um fato muito interessante é que o disco é 99% acústico e executado por Anna. A turnê do disco foi projetada para ser totalmente diferente do disco, com convidados, músicos, dançarinos e artistas circenses. O que mais chama atenção no som de Anna é a forma como mistura ritmos brasileiros com sons do mundo de uma forma sutil e madura. Vou deixar um link de uma música de Anna Tréa: https://www.youtube.com/watch?v=Hd0i0uxBjXY&list=PLvrGO4IQT8KR7wJDdQdcoicGujUB7–nI       Marcelo Dai (@marcelodaimusica ) vem se firmando como um dos artistas mais expressivos da atualidade. Tocar bateria e cantar exige coordenação motora, manter o ritmo e controle da respiração, e Marcelo faz isso com maestria. Ele já acompanhou grandes nomes da música brasileira como Milton Nascimento, Lô Borges, Paulinho Moska e Zeca Baleiro. Mas decidiu que era hora de seguir carreira solo e interpretar as suas próprias canções sem deixar a bateria de lado. Com seu projeto Marcelo Dai e Macondos, ele tem excursionado pelo Brasil e outros países. E ainda tem o Marcelo Dai Trio, onde ele passeia pelo jazz, funk, soul e R&B. Marcelo não é só um baterista talentoso, ele também é considerado um dos cantores mais influentes da atualidade, principalmente pela sua criatividade. Um dos principais projetos do artista é “Marcelo Dai canta Simonal”, onde ele interpreta os grandes sucessos e canções menos conhecidas. O objetivo de Dai é mostrar para essa geração a obra de Simonal. Ele é um dos grandes artistas da MPB contemporânea, esbanjando criatividade, musicalidade e técnica. Marcelo bota o público para cantar e dançar. Vou deixar aqui o link de uma das interpretações de Marcelo: https://www.youtube.com/watch?v=EfIcmw7fuHE&list=RDEfIcmw7fuHE&start_radio=1    

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Dois talentos da MPB completam 80 anos!

Na coluna de hoje, vou falar de dois monstros da música brasileira, que completaram 80 anos de vida, são eles João Bôsco (@joaoboscoreal ) e Alceu Valença ( @alceuvalenca ),  sempre que vou citar esses grandes nomes me pergunto se devo fazer, porquê o que eu posso acrescentar que ainda não foi dito, me convenço pensando que esses caras tem que ser reverenciados de todas as formas repetidamente. Dito isso vou começar com João Bosco, o quinto filho de dez irmãos, que teve o seu gosto musical eclético, moldado pelos discos dos mais diversos estilos que duas de suas irmãs compravam. Aos dez anos, a sua irmã pianista lhe deu seu primeiro violão e com uma capacidade auditiva incrível ele conseguia transpor para o violão tudo que escutava, então não precisou de professor. João foi estudar em Ouro Preto e, em 1967, foi apresentado a Vinicius de Moraes, seu primeiro parceiro. Já começou bem essa história de parceria. Ainda na cidade, enquanto tocava em um bar, foi abordado por Pedro Lourenço, que disse ter um amigo carioca, Aldir Blanc,  com um jeito de escrever que se encaixaria com as melodias criadas por João e assim nasceu uma das parcerias mais importantes da música brasileira. As primeiras músicas compostas pelos dois foram feitas por meio de troca de cartas, já que João ainda morava em Ouro Preto. Eles só se conheceram pessoalmente quando João foi morar no Rio de Janeiro. Dessa união surgiram clássicos da MPB como “Falso Brilhante”, “Mestre-Sala dos Mares”, “Bala com Bala”,  a lista é extensa, para mim tem uma que é uma das melhores da música brasileira, “Corsário” imortalizada na voz de Elis Regina (de novo citando Elis?! Elis sempre) . A obra de João Bosco é diversificada, não se limita à MPB, tem jazz e música latina, entre outras coisas. Além de grande cantor e compositor, João é um excepcional violonista, dono de uma técnica rara, onde, enquanto a mão direita reproduz ritmos afro-brasileiros, a mão esquerda vem com sofisticadas harmonias. Como se não bastasse, o cara, quando canta, faz divisões rítmicas intrincadas e vocalizações improvisadas que sincronizam de forma perfeita com o som que sai do violão. João Bosco é referência para músicos nacionais e internacionais, para muitos, ouvi-lo tocando é como se fosse uma orquestra sintetizada em um violão. Vou deixar aqui uma interpretação fantástica ao vivo de “Corsário”: https://www.youtube.com/watch?v=s9Ye-i8fIWk&list=RDs9Ye-i8fIWk&start_radio=1   Alceu Valença, esse artista fantástico, mistura vários ritmos nordestinos como xote, baião, embolada, côco, forró e frevo com a energia do rock’n roll, sem ser roqueiro, como ele mesmo faz questão de dizer. Luiz Gonzaga disse que o som de Alceu é como se fosse uma banda de “pífanos elétrica”. Além da originalidade do seu som, Alceu difunde e valoriza a cultura nordestina como poucos e assim tornou-se um dos mais importantes artistas brasileiros. A música dele, ao mesmo tempo que é regional, também é contemporânea e urbana, talvez por isso ele tenha alcançado uma popularidade tão grande. Antes mesmo de comandar o bloco “Bicho Maluco Beleza”, que é título de uma de suas músicas, Alceu já era símbolo do carnaval pernambucano, mais especificamente de Olinda. É interessante como a música de Alceu vem conquistando várias gerações, um exemplo disso é a canção “Anunciação”, que é a sua composição mais tocada no Spotify, com 197 milhões de reproduções. Sem falar na quantidade de versões feitas por outros artistas, tem até uma versão muito legal do projeto musical infantil Mundo Bita. Com o filme “Luneta do Tempo”, um musical que conta a história de Lampião e Maria Bonita, Alceu estreou como cineasta, diretor e roteirista, comprovando a grandiosidade de seu talento. O longa foi premiado nas categorias trilha sonora e direção de arte no 42º Festival de Cinema de Gramado. O auto-intitulado discípulo de Luiz Gonzaga está em turnê desde março, com o espetáculo “80 Girassóis”, que foi idealizado para comemorar os 80 anos de vida. Além dos shows, a turnê conta com exposições de artes plásticas e exibição de filmes. Vida longa ao Bicho Maluco Beleza da música brasileira. Entre tantas músicas incríveis, vou deixar o link de “Anunciação”, que é uma das minhas preferidas: https://www.youtube.com/watch?v=OR74idpsweg&list=RDOR74idpsweg&start_radio=1                          

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Monise Borges ancestralidade e Samucapta diversidade!

Nessa edição vou falar de dois lançamentos de artistas piauienses, Monise Borges  lançou o audiovisual “Punaré” e Samucapta lançou o álbum homônimo. Foi para fechar um ciclo que começou com o  disco “Punaré”  lançado em 2024, que Monise Borges (@moniseborgesoficial ) lançou um trabalho audiovisual com as músicas desse mesmo álbum no dia 29 de julho de 2026. O sentimento de Monise com essa gravação foi como um retorno a um local com reflexões e visão diferentes. Esse novo formato permitiu à cantora e compositora uma ampliação da percepção de novos sentidos. Quando Monise se propõe a recuperar o nome do rio Punarré, que foi mudado para  Parnaíba. Ela quer chamar a atenção para a importância de não esquecermos o que os nossos ancestrais sofreram. Para quem não sabe, o nome atual se refere a Domingos Jorge Velho, que está ligado à violência contra os povos originários. Essa obra, ao mesmo tempo que entretém, busca conscientizar e mostrar a riqueza dos povos ancestrais e manter viva a memória e as raízes desses povos. A cantora e compositora Monise Borges é sinônimo de talento, engajamento e resistência! Vou deixar aqui um link do audiovisual Punaré: https://www.youtube.com/watch?v=9ispYsEmfyE&list=RD9ispYsEmfyE&start_radio=1&t=146s&pp=ygUNbW9uaXNlIGJvcmdlc6AHAdIHCQlPCwGHKiGM7w%3D%3D   Samucapta (@samucapta ) é o nome artístico  do cantor, compositor e artista plástico Samuel Brandão. Ele já fez parte das bandas  Captamata e Fabulah. Após lançar alguns singles, ele decidiu compilar algumas músicas que não foram aproveitadas nas bandas em que participou e lançou seu primeiro disco solo com o título homônimo. O trabalho me surpreendeu muito, tanto pelas composições inspiradíssimas, como pela diversidade, Samucapta mostra nesse seu trabalho todas as suas influências que vão da MPB ao rock clássico dos Beatles, do progressivo de Jethro Tull, psicodelia,  música celta e viola caipira. Apesar de boa parte das composições remeterem ao rock ou música estrangeira em geral, o disco tem identidade nordestina. Samucapta é um álbum solo e de certo modo coletivo por conta das muitas parcerias na composição das músicas. Os parceiros são Esaú Barros, Gabriel Medeiros, Joe Ferry e Vitor Lira. Apesar da diversidade de influências, as composições se conectam por terem o rock progressivo como espinha dorsal. É difícil escolher uma música, então vou deixar aqui o link do disco: https://www.youtube.com/watch?v=kh-voUMZR0o&list=RDkh-voUMZR0o&start_radio=1

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50 anos de duas obras-primas!

Duas obras-primas da música brasileira estão completando 50 anos. “Alucinação” de Belchior  e “Doces Bárbaros”  dos baianos Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia e Gilberto Gil. O segundo disco de Belchior, “Alucinação”, lançado em 1976, foi gravado em duas tardes com uma semana de ensaio, produzido pelo grande produtor Marco Mazzola. Um fato interessante foi quando Mazzola ligou para Belchior interessado em produzir um disco do jovem compositor. Ele não acreditou que era o cara que produziu discos de Elis Regina e Raul Seixas, foi preciso que Mazzola respondesse algumas perguntas para que Belchior acreditasse. Mazzola ficou surpreso com  a linguagem trazida por Belchior, que ainda por cima  conseguia se esquivar da censura. Ele conheceu o compositor cearense por meio de uma fita k7 mostrada por Elis, que naquele mesmo ano gravou  “Como Nossos Pais”  e “Velha Roupa Colorida”, ambas compostas por Belchior e estão também no álbum “Alucinação”. O  disco tem 10 faixas e dessas, cinco são clássicos da MPB, são elas “Apenas um  Rapaz Latino Americano” ,  “Velha Roupa Colorida”, “Como Nossos Pais”, “Sujeito de Sorte” e “A Palo Seco”. Com essas canções, não  poderia ser diferente, o disco rapidamente virou um sucesso de vendas com 30 mil cópias vendidas, chegando a 500 mil ao longo do tempo. No título do disco, Belchior  faz referência a como é ter que suportar o cotidiano, o verso  “e meu delírio é a experiência com coisas reais” na faixa título confirma a ideia de que a alucinação não se trata de se afastar da realidade. O modo como Belchior escreve lembra o estilo de Bob Dylan e na parte musical do álbum podemos perceber elementos de baião, rock, blues e country. Alucinação é um disco de grande relevância, que transcende o tempo e continua influenciando as novas gerações de músicos. Vou deixar aqui o link de uma música do disco: https://www.youtube.com/watch?v=FenWBF66-ow&list=RDFenWBF66-ow&start_radio=1&pp=ygUdYmVsY2hpb3IgYWx1Y2luYcOnw6NvIGFvIHZpdm-gBwHSBwkJTgsBhyohjO8%3D   Outro disco que está fazendo 50 anos é o “Doces Bárbaros”,  a união dos quatro baianos Caetano Veloso (@caetanoveloso ), Maria Bethânia (@mariabethaniaoficial),Gal Costa ( @galcosta)    e Gilberto Gil (@gilbertogil ), foi ideia de Bethânia para comemorar os dez anos de carreira do quarteto e o nome do grupo foi baseado no título de uma canção de Caetano, “Os Mais Doces Bárbaros”, a princípio não foi pensado na gravação de um disco, seria apenas a turnê, mas com o sucesso do show veio a ideia de gravar o repertório em estúdio, mas Gal e Bethânia sugeriram que o registro deveria ser do show. Além da captação do áudio para o que seria um álbum duplo, o diretor Jom Tob Azulay dirigiu um documentário que mostra todos os acontecimentos importantes, inclusive a prisão de Gilberto Gil por porte de drogas. Depois foram feitos filmes, um DVD e, em 1994, virou tema de samba enredo da Estação Primeira de Mangueira. Apesar de ser considerado uma obra prima, o disco foi bastante criticado principalmente por acharem que o álbum tem baixa qualidade técnica e gráfica. Mas as composições e interpretações superam a suposta baixa qualidade. Mesmo com a participação de grandes artistas, o disco não teve sucesso comercial e acabou sendo retirado do catálogo da gravadora Philips. Após 26 anos, os quatro baianos se reuniram como  “Doces Bárbaros” para dois shows ao ar livre em São Paulo e no Rio de Janeiro. As apresentações foram registradas em um documentário dirigido por Andrucha Waddington e foi lançado com o título “Os Outros (Doces) Bárbaros” em 2004. Com o passar do tempo, o álbum alcançou o status compatível com a sua importância para a música brasileira. Como sempre faço, vou deixar aqui o link do documentário feito sobre o projeto: https://www.youtube.com/watch?v=FlAjvgh0_Ok&pp=ygUdZG9jZXMgYsOhcmJhcm9zIGRvY3VtZW50w6FyaW8%3D      

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Nepo Baby X Talento!

Um dos assuntos que tem gerado discussão no mundo artístico é a questão dos “nepo babies”, pra quem não sabe, o termo descreve filhos de artistas que alcançam alguma notoriedade ou sucesso, supostamente, por ser filho de algum famoso e por conta disso poderá ter sua carreira facilitada e até chegar com mais facilidade ao “estrelato”. Mas se o “nepo baby” não tiver talento suficiente para manter uma carreira estável de sucesso? O fato de ter ajuda direta ou indiretamente do pai ou da mãe não vai ser determinante para que ele tenha sucesso ou reconhecimento. Para mim, o que importa é se o(a) artista é bom ou boa.  O que entra nessa discussão é que muitos artistas talentosos que não são “apadrinhados” não conseguem muitas vezes nem gravar suas músicas, enquanto que os filhos dos artistas famosos têm mais facilidade para gravar e divulgar o seu trabalho. Outra questão que deve ser levada em conta é a pressão que os filhos de famosos devem sofrer pra  “provar” que  herdaram talento dos pais e que, de certa forma, têm que manter o legado do seu sobrenome. Viver à sombra de uma estrela da música, deve ser muito difícil como o caso da cantora Maria Rita  (mariaritaoficial), filha da maior cantora brasileira, Elis Regina,  ainda mais por ela  ter uma voz parecida com a da mãe, então é mais complicado fugir das comparações. Felizmente, a filha tem muito talento,  personalidade e conseguiu furar a bolha e se tornou uma grande estrela da MPB. Um cantor e compositor que está sendo chamado de  “nepo baby” é o Chico Chico (@duasvezeschico), filho de Cássia Eller. Que já teve música e disco indicados ao Grammy Latino, já participou de shows e gravações de grandes artistas como Maria Bethânia, Nando Reis, Tetê Espíndola entre outros. Com sua bela voz, carisma, talento e personalidade o cantor e compositor está construindo uma carreira sólida. Claro que o “nome da mãe” ajuda mas na minha opinião ele merece o reconhecimento que alcançou até agora. Vou deixar um link de uma música do Chico Chico: https://www.youtube.com/watch?v=zWKeWzbWn1U&list=RDzWKeWzbWn1U&start_radio=1   O número de filhos de artistas que seguiram ou seguem os passos dos pais é imenso, temos exemplos de músicos, atores, atrizes e etc. Acredito que as pessoas deve analisar o trabalho desses artistas, deixando de lado a paternidade ou maternidade dos mesmos, focando na capacidade artística. Se o talento se perpetua no DNA a arte e o público só tem a ganhar.

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Música preta brasileira!

Nessa edição, vou falar de artistas que, na minha opinião, merecem mais visibilidade. A grande mídia, infelizmente, não está interessada em mostrar esse tipo de artista, que faz trabalhos mais elaborados, mas isso não quer dizer que sejam de difícil assimilação. Também não estão começando as suas carreiras, mas podemos dizer que fazem parte da nova MPB. Vou começar destacando a cantora, compositora, atriz, ativista e pesquisadora sergipana, Héloa (@heloaeu). Quando ainda estava na faculdade cursando artes visuais, Héloa teve sua primeira experiência com banda. Muito antes disso, aos treze anos, ela começou a estudar canto lírico, dança e teatro. Em 2013, ela lançou o Ep “Solta”, com esse primeiro trabalho ela conseguiu ganhar prêmios e fez uma turnê pelo nordeste. Com a boa aceitação de seu trabalho, Héloa percebeu que era hora de mudar para um grande centro cultural, a cidade de  São Paulo, isso em 2016. Nesse mesmo ano, ela lança o álbum “Eu” e já consegue uma boa repercussão tanto da crítica quanto do público. O álbum “Opará”,  lançado em 2019, teve total influência da imersão da cantora na religião afro-brasileira e no contato com os indígenas da tribo Kariri-Xocó. Em dezesseis anos de carreira, podemos constatar que Héloa busca uma troca com artistas e ativistas negros e indígenas, buscando a exaltação da força das raízes das matrizes africanas e indígenas, mostrando a sonoridade dos povos de terreiro e de aldeia. Algo interessante no trabalho de Héloa é como ela consegue unir elementos de suas raízes ancestrais com a música contemporânea, juntando a percussão com bases eletrônicas.  Ela é mais um grande talento que deve ser mais vista! Como sempre, vou deixar aqui um link de uma música dela: https://www.youtube.com/watch?v=a7ShNYWvtDY&list=RDEMKx867ofCcEFzhReJOqDQkg&index=2   O Soul de brasileiro (@soudebr)  é um trio vocal carioca que iniciou suas atividades em 2005, é formado por Negra Silva, José Júnior e Ge Vieira, o grupo chamou atenção em 2011 quando foi finalista do Favela Festival. O som deles é uma mistura de soul music, MPB e jazz, enfatizando a cultura afro-diaspórica. Dessa salada surge algo totalmente brasileiro. O Ep  “Ciclo 4” foi lançado em 2021 e teve a produção e direção artística da grande Sandra de Sá. Com harmonias vocais elaboradas, eles mostram força no seu canto. A ideia do grupo é retratar a periferia como um local onde também existe arte, fé e raízes ancestrais. Celebrando o que há de bom nesses locais, assim como resistência e orgulho de suas origens. No significativo mês da consciência negra, em 2025, foi lançado o single “De onde eu vim”, que é o primeiro single do primeiro álbum do trio, que terá o título de “Sou”. Para divulgar a faixa, foi produzido um clipe documental gravado na Vila Kennedy, comunidade onde os integrantes nasceram. A canção foi gravada no lendário estúdio “Toca do Bandido” com distribuição da Universal Music Brasil. O aguardado primeiro álbum do trio deve trazer toda a energia da periferia, fundindo soul music, samba e poesia urbana. Vem coisa boa por aí. Enquanto esse disco não vem, vou deixar aqui um link de uma música do trio: https://www.youtube.com/watch?v=TDUydZEw52M&list=RDTDUydZEw52M&start_radio=1                              

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Vejam e ouçam, André de Sousa e Aloha Haole!

Como falei na primeira coluna dessa nova “temporada”, não tenho compromisso de mostrar artistas novos ou lançamentos,  lógico que eventualmente irei citar artistas ou trabalhos novos. Dito isso, vou  destacar dois trampos audiovisuais lançados há alguns anos, mas que merecem ser destacados e foram produzidos no Piauí. Vou falar de um trampo de André de Sousa  e também da  banda Aloha Haule. A banda  de surf punk instrumental Aloha Haole (@alohahaoleband) foi idealizada pelo guitarrista  Guilherme Muniz. Ele não tinha grandes pretensões; a princípio, ele pensou em gravar algumas músicas com a expectativa de que a galera baixasse e curtisse. Nessa época, ele se apresentava  ao vivo sozinho, acompanhado por um sample de bateria, e o primeiro show foi nesse formato. Mas durante a gravação do primeiro álbum ‘If wanna dance’, Guilherme viu a necessidade de ter outros músicos para levar o projeto adiante. Após algumas mudanças, a formação se estabilizou com o baterista Jairo Anderson e o baixista Flávio Rio Lima. A banda se apresentou em vários festivais pelo país e ainda fez shows na Argentina. O grupo lançou dois álbuns e dois EPs. E, para comemorar os cinco anos da banda, Guilherme teve a ideia de gravar um DVD ao vivo. A gravação foi no Bueiro do rock no dia 28 de novembro de 2018, mas só foi lançada quase três anos depois, no dia 21 de julho de 2021, no canal da banda no YouTube. O vídeo captou de muito bem a força, precisão e agressividade dos caras. Aloha Haole é uma das melhores bandas que já surgiram por aqui. Espero que eles voltem a ativa, a cena precisa de bandas como essa. STAY HAOLE TILL DEATH! E claro, vou deixar o link do DVD dos caras, difícil vai ser ficar sentado no sofá. https://www.youtube.com/watch?v=QSp7BsPL_8A&t=139s Para celebrar os 30 anos de carreira do excelente guitarrista, compositor, arranjador e professor André de Sousa (@andredesousap), foi inicialmente lançado no dia 15 de fevereiro de 2025, um compacto intitulado “Esse blues é para você”, que conta com duas faixas, a música homônima  rearranjada e com a participação da cantora Soraya Castello Branco (@sorayacastellobranco)  e a outra canção é uma versão de um clássico de Nuno Mindelis, “Blues para o Brasil”. André é um dos grandes guitarristas de blues do Nordeste e consequentemente do Brasil, mas ele também empresta seu talento para artistas de outros gêneros como jazz e MBP, já acompanhou vários artistas locais, nacionais e até internacionais.Ele também faz parte de  duas das bandas de rock mais importantes do Piauí, o Conjunto Roque Moreira(@roque.moreira) e Narguilé Hidromecânico (@narguilehidromecanico.oficial ), o cara é daquele tipo de artista que não se contenta em simplesmente tocar seu instrumento, ele passa uma vibe de que está se divertindo muito o que acaba contagiando o público. Continuando as comemorações dos 30 anos de carreira, começou a ser produzida em abril de 2024 no estúdio A Casa uma live session, com o título de “30 anos de música”, com canções autorais e mais seis inéditas que farão parte de um álbum de estúdio. O projeto contou com várias participações especiais. Além da parte musical, o material contém depoimentos e entrevistas colhidas para fazer parte de um documentário. O projeto todo foi fruto de um financiamento coletivo custeado por fãs e amigos do artista. Trinta anos de carreira de um músico tão talentoso e querido não poderiam passar em branco, a live session cumpriu bem o papel de celebrar tantos anos de dedicação à música. Então a dica é uma boa companhia, uma bebida e uns petiscos para curtir uma verdadeira celebração. Aqui o link do Youtbe: https://www.youtube.com/watch?v=Eb1bisRfB70&t=2747s

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Mascarados na Música!

O cenário, a iluminação e o figurino são elementos importantes na concepção de uma apresentação musical, ou na gravação de um clipe, e alguns artistas vão ainda mais longe, usando maquiagem pesada, pinturas corporais ou máscaras. São diversos os motivos ou objetivos da utilização desses itens, alguns usam como forma de marketing e outros para se manter anônimo e poder viver normalmente sem tanta exposição da sua vida particular. O uso desses artifícios não é novidade, um dos pioneiros no uso de máscaras e figurinos incomuns é o coletivo de arte americano The Residents, que faz música experimental e projetos multimídia. O grupo existe desde a década de setenta, eles se apresentam fantasiados, com um capacete de olho, cartola e rabo, o grupo tenta manter suas identidades no anonimato, eles acham que o público deve se concentrar apenas na sua arte. A quantidade de artistas e bandas que usam figurinos, maquiagem e máscaras é imensa. Outro artista importante que posso citar nesse contexto é Alice Cooper (@alicecooper) que, além da maquiagem, os seus shows são marcados por performances teatrais inspiradas em filmes de terror, é um espetáculo sensorial completo. Um dos grupos musicais “mascarados” mais famosos é o Kiss (kissonline), a ideia de Paul Stanley e Gene Simmons de usar um figurino e maquiagem que chamasse atenção veio do fracasso da sua banda anterior, a Wicked Lester. Eles queriam fazer algo para dominar o mundo, tocar bem e ter boas composições não era o bastante, eles precisavam chocar as pessoas e se tornarem inesquecíveis. E eles conseguiram alcançar o objetivo e se tornaram um dos grupos que mais arrecadou royalties na história do rock e ainda compuseram alguns clássicos do rock pesado. Um caso curioso de artista que usa máscara é o da cantora, compositora e produtora Sia (@siamusic). Ela não soube lidar com a fama, sofria de depressão e, para manter sigilo sobre sua vida pessoal, começou a usar uma máscara no palco, Sia teve problemas com álcool e drogas e revelou um diagnóstico de autismo, mas ela segue em uma carreira de sucesso com composições gravadas por outros grandes artistas e também de influência na indústria da música. Mais estranho do que curioso é o caso do duo formado por dois canadenses, estou falando do Angine de Poitrine (@anginedepoitirne), os caras estão chamando atenção pelo visual único composto por máscaras de papel machê e roupas de bolinhas pretas e brancas, além da estética visual no mínimo diferente eles se destacam pelo som, eles fazem um rock experimental com composições microtonais, escalas fora dos padrões, elementos do jazz, funk e punk e algumas intervenções vocais em um dialeto que eles inventaram, muito estranho mesmo. Essa estética visual e sonora fez com que eles se tornassem um fenômeno viral nas redes sociais e plataformas de streaming. Vou deixar um link aqui para quem ainda não conhece o som desses dois malucos: https://www.youtube.com/watch?v=t7OIc-DBRXM&list=RDEM8fnbOb7oXZO7TYaks_3WKQ&start_radio=1 Outra banda que usa máscaras e um figurino estranho é o Glass Beams (@glass_beams), que foi criado em 2020 durante a pandemia de covid-19, por Rajan Silva, um produtor e multi-instrumentista indiano-australiano. Interessante como nesse período de isolamento forçado muitos artistas desenvolveram vários projetos como as lives e produziram bastante material inédito e de qualidade. Os músicos do Glass Beams se apresentam usando máscaras inspiradas em napão, que é uma espécie de tapete ornamental. Quanto à parte musical, que eu particularmente gosto muito, é uma mistura de música clássica indiana, psicodelia e jazz. Eles usam sintetizadores e percussão aliados a vocalizações com melodias repetitivas, andamentos suingados e escalas incomuns, que levam o ouvinte a uma espécie de transe. Rajan usa as suas influências de música indiana para despertar estados mentais, que ajudam a quem está ouvindo a fugir da realidade. A banda só lançou dois EPs: o Mirage em 2021 e Mahal em 2024. Esse segundo lançamento alcançou o quinto lugar na parada da Billboard na categoria álbum de jazz contemporâneo. Se você quer ouvir um som instrumental calmo, repetitivo e inventivo, recomendo a Glass Beams. E aqui vou deixar um link com uma música da banda: https://www.youtube.com/watch?v=nMuTgStG8w0&list=RDEMz2vRvq9X4bJfQaHpPPzBQw&start_radio=1

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Inovação na cena independente!

Na coluna de hoje, vou falar de três bandas brasileiras de rock. São três grupos que procuram e conseguem fazer um som que não chega a ser original, mas é algo diferente e com muita personalidade. A primeira banda foi formada no Rio de Janeiro, o El Efecto (@el_efecto). A proposta dos caras é criar algo inovador e, uma coisa que achei muito legal, eles entendem que a arte deve ser como uma trincheira e deve reverberar e organizar ideias que sejam aliadas da justiça social. Para eles, a arte deve estimular, questionar e ser um ponto de partida para transformações. A El Efecto é uma banda que não se prende à formação clássica do rock, incluindo no seu som instrumentos como clarinete, trompete, flauta e cavaquinho, e isso resulta numa variedade sonora que ainda tem elementos de música brasileira e latina. Vou deixar aqui um link de um clipe dos caras: https://www.youtube.com/watch?v=EU2vNzdmFPM&list=RDEU2vNzdmFPM&start_radio=1 A segunda banda é a Barba Rala (@barbaralaoficial), que foi formada em 2017 em Santa Rosa do Sul, Santa Catarina. Não é fácil definir o estilo deles porque eles misturam rock progressivo, stoner rock, groove metal e rock psicodélico, incorporando elementos de música brasileira. As letras em português abordam temas reflexivos que às vezes podem gerar várias interpretações. Um dos elementos que merecem destaque é a parte vocal com estruturas complexas, aliadas a refrões fortes, mas de fácil assimilação, buscando sempre surpreender e combinar com a parte rítmica, que também chama atenção pelas variações na estrutura das composições. Essas mudanças quebram as expectativas ao longo das músicas e isso prende a atenção do público. A Barba Rala, a princípio, teve uma boa aceitação de crítica e público, apresentando-se  e vencendo festivais independentes e fazendo shows por vários anos. Ao contrário do que geralmente acontece, as bandas só alcançam alguma notoriedade quando fazem alguns shows e lançam algum material de estúdio. Eles lançaram alguns singles antes do primeiro álbum, todos em 2025, e o disco de estúdio com o título “Nos Tempos do Egoritmo” foi lançado este ano. E aqui um link de um som da banda: https://www.youtube.com/watch?v=zoI1izN-W1o&list=RDzoI1izN-W1o&start_radio=1 A terceira banda é a teresinense Repthoids (@repthoids.band.oficial), que foi formada em outubro de 2023. A principal proposta musical está ligada à ufologia; o universo cosmológico é o tema abordado nas composições dos caras. A banda utiliza vários estilos com a intenção de ser experimental e inovadora. As influências que constroem e norteiam o som do grupo passam pelo cyberpunk, psicodelismo, hardcore, metal gótico, pós-punk, heavy metal, punk rock e hard rock. Tem que ter coragem e personalidade pra misturar todas essas vertentes. Outros diferenciais da banda são os nomes dos integrantes inspirados no universo ufológico, os integrantes Draconian guitarra e vocal, Siriano (baixo e backing vocal e Arcturiano na bateria se apresentam de máscaras inspiradas em ETs, que foram criadas pelo escultor Braga Thepi (@bragatepi.atelier) que fez parte da primeira formação da banda. No início de 2024 lançaram o seu primeiro single entitulado “Reptilianos” em todas as plataformas digitais em parceria com o selo Mundo Fechado (@mundofechadostudio). Vou postar aqui um link do som dos caras: https://www.youtube.com/watch?v=HUdSmDf3yQQ&list=RDHUdSmDf3yQQ&start_radio=1 É isso, galera, tem muita coisa boa rolando na cena independente, então vamos apoiar esses artistas que insistem nessa difícil missão de fazer rock nesse país.

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Luna Di, faz música romântica e experimental!

Nessa edição, vou falar de uma artista brasileira que, nas minhas audições principalmente no YouTube, me chamou a atenção. É a cantora e compositora Luna Di (@lunadimusic), que aos cinco anos já cantava musicais da Disney, mas foi aos quatorze anos que seu pai, por acaso, viu sua filha cantando uma música de Fred Mercury e percebeu que a menina tinha talento e se tornou um dos maiores incentivadores para que Luna seguisse a carreira de cantora. Ela nasceu em Joinville, Santa Catarina, mas foi quando mudou para Pinhais, no Paraná, que Luna venceu a timidez e, na igreja, começou a aprender a tocar piano, cantar em banda e a se desenvolver como artista. Aos dezessete anos, teve que mudar para Balneário Camboriú, onde foi morar com sua mãe. Foi lá, por diversão, que Luna começou a cantar na rua e essa experiência faria grande diferença na carreira da artista. Quando mudou para São Paulo, Luna continuou cantando nas ruas e assim foi desenvolvendo uma forma de se apresentar ao público. Durante a fatídica pandemia de covid, a artista produziu vídeos no Tik Tok, começou a compor e as primeiras composições foram em inglês. Quando estava planejando lançar um EP, Luna começou a trabalhar com a SNI Produções e, nas conversas sobre a condução da carreira da cantora, decidiram começar com um single em português. E assim surgiu “Princesa Paulista”, que viralizou com mais de quarenta e cinco mil visualizações no antigo Twitter e mais algumas milhares no Tik Tok. A canção ajudou a alavancar a carreira da cantora de vinte anos. Luna transcende e transita por várias linguagens e tem um cuidado apurado com a estética do seu trabalho, explorando uma performance teatral. Sua música é experimental, nostálgica e romântica, entre outras coisas, mas ela não abre mão do pop e de melodias simples. Vale a pena conferir o som de Luna Di e vou deixar aqui um link da música “Querido”. https://www.youtube.com/watch?v=4fkR1M6MBAI

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