Mascarados na Música!

O cenário, a iluminação e o figurino são elementos importantes na concepção de uma apresentação musical, ou na gravação de um clipe, e alguns artistas vão ainda mais longe, usando maquiagem pesada, pinturas corporais ou máscaras. São diversos os motivos ou objetivos da utilização desses itens, alguns usam como forma de marketing e outros para se manter anônimo e poder viver normalmente sem tanta exposição da sua vida particular. O uso desses artifícios não é novidade, um dos pioneiros no uso de máscaras e figurinos incomuns é o coletivo de arte americano The Residents, que faz música experimental e projetos multimídia. O grupo existe desde a década de setenta, eles se apresentam fantasiados, com um capacete de olho, cartola e rabo, o grupo tenta manter suas identidades no anonimato, eles acham que o público deve se concentrar apenas na sua arte.

A quantidade de artistas e bandas que usam figurinos, maquiagem e máscaras é imensa. Outro artista importante que posso citar nesse contexto é Alice Cooper (@alicecooper) que, além da maquiagem, os seus shows são marcados por performances teatrais inspiradas em filmes de terror, é um espetáculo sensorial completo.

Um dos grupos musicais “mascarados” mais famosos é o Kiss (kissonline), a ideia de Paul Stanley e Gene Simmons de usar um figurino e maquiagem que chamasse atenção veio do fracasso da sua banda anterior, a Wicked Lester. Eles queriam fazer algo para dominar o mundo, tocar bem e ter boas composições não era o bastante, eles precisavam chocar as pessoas e se tornarem inesquecíveis.

E eles conseguiram alcançar o objetivo e se tornaram um dos grupos que mais arrecadou royalties na história do rock e ainda compuseram alguns clássicos do rock pesado.

Um caso curioso de artista que usa máscara é o da cantora, compositora e produtora Sia (@siamusic). Ela não soube lidar com a fama, sofria de depressão e, para manter sigilo sobre sua vida pessoal, começou a usar uma máscara no palco, Sia teve problemas com álcool e drogas e revelou um diagnóstico de autismo, mas ela segue em uma carreira de sucesso com composições gravadas por outros grandes artistas e também de influência na indústria da música.

Mais estranho do que curioso é o caso do duo formado por dois canadenses, estou falando do Angine de Poitrine (@anginedepoitirne), os caras estão chamando atenção pelo visual único composto por máscaras de papel machê e roupas de bolinhas pretas e brancas, além da estética visual no mínimo diferente eles se destacam pelo som, eles fazem um rock experimental com composições microtonais, escalas fora dos padrões, elementos do jazz, funk e punk e algumas intervenções vocais em um dialeto que eles inventaram, muito estranho mesmo. Essa estética visual e sonora fez com que eles se tornassem um fenômeno viral nas redes sociais e plataformas de streaming. Vou deixar um link aqui para quem ainda não conhece o som desses dois malucos: https://www.youtube.com/watch?v=t7OIc-DBRXM&list=RDEM8fnbOb7oXZO7TYaks_3WKQ&start_radio=1

Outra banda que usa máscaras e um figurino estranho é o Glass Beams (@glass_beams), que foi criado em 2020 durante a pandemia de covid-19, por Rajan Silva, um produtor e multi-instrumentista indiano-australiano. Interessante como nesse período de isolamento forçado muitos artistas desenvolveram vários projetos como as lives e produziram bastante material inédito e de qualidade.

Os músicos do Glass Beams se apresentam usando máscaras inspiradas em napão, que é uma espécie de tapete ornamental. Quanto à parte musical, que eu particularmente gosto muito, é uma mistura de música clássica indiana, psicodelia e jazz. Eles usam sintetizadores e percussão aliados a vocalizações com melodias repetitivas, andamentos suingados e escalas incomuns, que levam o ouvinte a uma espécie de transe. Rajan usa as suas influências de música indiana para despertar estados mentais, que ajudam a quem está ouvindo a fugir da realidade.

A banda só lançou dois EPs: o Mirage em 2021 e Mahal em 2024. Esse segundo lançamento alcançou o quinto lugar na parada da Billboard na categoria álbum de jazz contemporâneo.

Se você quer ouvir um som instrumental calmo, repetitivo e inventivo, recomendo a Glass Beams.

E aqui vou deixar um link com uma música da banda: https://www.youtube.com/watch?v=nMuTgStG8w0&list=RDEMz2vRvq9X4bJfQaHpPPzBQw&start_radio=1

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back To Top