Respeitem as minas!

Muitas guitarristas brasileiras estão se destacando em diferentes estilos musicais, vou falar de duas, provavelmente citarei outras na coluna. Jessica Falchi (@jessica.falchi), guitarrista e compositora, começou a estudar música no renomado Conservatório Sousa Lima, unidade de Ribeirão Preto, mas ela nasceu em Monte Alto, interior de São Paulo. Desde 2015 atua profissionalmente e começou a se destacar tocando em grupos que faziam tributos; desses, o que chamou mais atenção foi o “Iron Ladies”, formada somente com meninas que tocam clássicos do “Iron Maiden”. Esse projeto ajudou Jessica a ganhar experiência de palco; durante uma década elas se apresentaram pelo país, participou também de outro tributo, a “Hardwired”, tocando músicas do “Metallica”. Com certeza esse tempo serviu para ajudar no amadurecimento musical da guitarrista. A passagem pela banda de death metal “Crypta”, que ocorreu de maio de 2022 a março de 2025, foi determinante na carreira de Jessica, que foi convidada para atuar apenas em algumas datas que restavam de uma turnê que a banda faria pela América Latina e Europa, mas ela mostrou muita técnica e segurança e foi efetivada na banda. Como guitarrista oficial da banda, Jessica participou da composição das músicas e da gravação do segundo disco do grupo, lançado em 2023, “Shades of Sorrow”, pela gravadora “Napalm Records”. Esse trabalho fez com que Jessica fosse reconhecida em várias revistas especializadas em metal, como uma grande guitarrista. Mas Jessica queria ampliar seu modo de tocar, explorando outras sonoridades que o metal extremo da “Crypta” não permitia, então deixou a banda. Após sair da “Crypta”, a artista decidiu se dedicar à carreira solo, começou a compor músicas baseadas no metal moderno, prog metal totalmente instrumentais. A partir daí criou o projeto “Falchi”; ela não pensa em ter uma banda com seu nome, por isso não usou o primeiro nome para dar nome a essa empreitada. Com o título de “Solace”, foi lançado em 23 de janeiro de 2026 o EP com quatro faixas. Jessica diz que, mesmo com tanto tempo de carreira, precisava estar confiante para expor seu trabalho; ela não quis se limitar a apenas um estilo, então podemos encontrar faixas no estilo thrash metal, metal moderno e progressivo. E claro, você encontra em todos os canais de streaming. Ela busca compor músicas atemporais, que não saiam da cabeça das pessoas e não sejam só para músicos; também espera que as músicas sejam fáceis de assimilar e que as pessoas possam cantarolar. O convite para ser guitarrista da lenda do “thrash metal” nacional “Korzus” define a consolidação de Jessica como uma das principais artistas do metal nacional e, para afirmar essa nova fase criativa com a entrada da nova integrante, a banda lançou o single “No Light Within”. O metal, assim como o rock em geral, ainda é machista, e Jessica se preocupa e se posiciona contra a sexualização das mulheres no meio; ela diz que, claro, cada um é livre para agir como quiser, mas algumas meninas que estão começando acham que precisam ser sexualizadas para se firmar, elas devem focar na música. É assim mesmo que um artista deve agir , com o talento e o reconhecimento vem também algumas responsabilidades e a necessidade de se posicionar diante de temas importantes. Parabéns, Jessica Falchi. Como sempre faço, vou deixar o link de uma música do projeto Falchi: https://www.youtube.com/watch?v=llkUcCeNTuI A cearense Rayane Fortes (@rayanefortes), cantora, compositora e guitarrista, teve como primeira inspiração sua irmã mais velha, que tocava contrabaixo e foi ela que lhe ensinou os primeiros acordes. No final da adolescência, ela disse a sua mãe que sentia vibrações como se fossem de outras vidas, ela entendia que tinha algo a contribuir para o mundo, que não seria uma artista comum. E não é mesmo. Aos 17 anos, ganhou sua primeira guitarra e, a partir daí, começou a tocar profissionalmente. Com muito esforço e de forma independente, Rayane foi percorrendo o caminho da maioria dos artistas brasileiros, lançando singles e fazendo shows regionais e nacionais, até chegar ao lançamento do seu primeiro álbum em 2021, “Atenta”. Em 2022, seu vídeo tocando “Anunciação”, de Alceu Valença, na guitarra, no show do intervalo da final da Copa do Nordeste, viralizou nas redes sociais e para ela ficou marcado como um grande acontecimento, foi um momento de representatividade para ela como mulher nordestina. A sua grande aparição para o país foi no reality The Voice Brasil de 2023, todos os jurados viraram as cadeiras para ela. Mesmo tocando um rock, ela quis representar o Nordeste e o Ceará, através do figurino, assinado pelo estilista cearense Ivanildo Nunes, e a guitarra feita pelo luthier baiano Yuri Barreto. O vídeo da apresentação já tem mais de 5 milhões de visualizações e, a cada dia, ganha mais seguidores do Brasil e do mundo. Rayane continuou se apresentando pelo país e, em 2026, lançou seu segundo álbum, “Ray”, gravado ao vivo no estúdio, o trabalho foi lançado em duas partes, “Lado A e Lado B”. Para ela, “Ray” é o momento mais importante da sua carreira, onde ela se sentiu mais livre para criar e conseguiu mostrar de uma forma mais transparente a sua identidade musical. Esse trabalho mostra a capacidade de Rayane em unir rhythm & blues, blues, soul e pop, com personalidade única. Vou deixar aqui o link de uma música de Rayane: https://www.youtube.com/watch?v=wJvZG_hzAEY&list=RDwJvZG_hzAEY&start_radio=1&pp=ygUNUmF5YW5lIGZvcnRlc6AHAQ%3D%3D

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Mascarados na Música!

O cenário, a iluminação e o figurino são elementos importantes na concepção de uma apresentação musical, ou na gravação de um clipe, e alguns artistas vão ainda mais longe, usando maquiagem pesada, pinturas corporais ou máscaras. São diversos os motivos ou objetivos da utilização desses itens, alguns usam como forma de marketing e outros para se manter anônimo e poder viver normalmente sem tanta exposição da sua vida particular. O uso desses artifícios não é novidade, um dos pioneiros no uso de máscaras e figurinos incomuns é o coletivo de arte americano The Residents, que faz música experimental e projetos multimídia. O grupo existe desde a década de setenta, eles se apresentam fantasiados, com um capacete de olho, cartola e rabo, o grupo tenta manter suas identidades no anonimato, eles acham que o público deve se concentrar apenas na sua arte. A quantidade de artistas e bandas que usam figurinos, maquiagem e máscaras é imensa. Outro artista importante que posso citar nesse contexto é Alice Cooper (@alicecooper) que, além da maquiagem, os seus shows são marcados por performances teatrais inspiradas em filmes de terror, é um espetáculo sensorial completo. Um dos grupos musicais “mascarados” mais famosos é o Kiss (kissonline), a ideia de Paul Stanley e Gene Simmons de usar um figurino e maquiagem que chamasse atenção veio do fracasso da sua banda anterior, a Wicked Lester. Eles queriam fazer algo para dominar o mundo, tocar bem e ter boas composições não era o bastante, eles precisavam chocar as pessoas e se tornarem inesquecíveis. E eles conseguiram alcançar o objetivo e se tornaram um dos grupos que mais arrecadou royalties na história do rock e ainda compuseram alguns clássicos do rock pesado. Um caso curioso de artista que usa máscara é o da cantora, compositora e produtora Sia (@siamusic). Ela não soube lidar com a fama, sofria de depressão e, para manter sigilo sobre sua vida pessoal, começou a usar uma máscara no palco, Sia teve problemas com álcool e drogas e revelou um diagnóstico de autismo, mas ela segue em uma carreira de sucesso com composições gravadas por outros grandes artistas e também de influência na indústria da música. Mais estranho do que curioso é o caso do duo formado por dois canadenses, estou falando do Angine de Poitrine (@anginedepoitirne), os caras estão chamando atenção pelo visual único composto por máscaras de papel machê e roupas de bolinhas pretas e brancas, além da estética visual no mínimo diferente eles se destacam pelo som, eles fazem um rock experimental com composições microtonais, escalas fora dos padrões, elementos do jazz, funk e punk e algumas intervenções vocais em um dialeto que eles inventaram, muito estranho mesmo. Essa estética visual e sonora fez com que eles se tornassem um fenômeno viral nas redes sociais e plataformas de streaming. Vou deixar um link aqui para quem ainda não conhece o som desses dois malucos: https://www.youtube.com/watch?v=t7OIc-DBRXM&list=RDEM8fnbOb7oXZO7TYaks_3WKQ&start_radio=1 Outra banda que usa máscaras e um figurino estranho é o Glass Beams (@glass_beams), que foi criado em 2020 durante a pandemia de covid-19, por Rajan Silva, um produtor e multi-instrumentista indiano-australiano. Interessante como nesse período de isolamento forçado muitos artistas desenvolveram vários projetos como as lives e produziram bastante material inédito e de qualidade. Os músicos do Glass Beams se apresentam usando máscaras inspiradas em napão, que é uma espécie de tapete ornamental. Quanto à parte musical, que eu particularmente gosto muito, é uma mistura de música clássica indiana, psicodelia e jazz. Eles usam sintetizadores e percussão aliados a vocalizações com melodias repetitivas, andamentos suingados e escalas incomuns, que levam o ouvinte a uma espécie de transe. Rajan usa as suas influências de música indiana para despertar estados mentais, que ajudam a quem está ouvindo a fugir da realidade. A banda só lançou dois EPs: o Mirage em 2021 e Mahal em 2024. Esse segundo lançamento alcançou o quinto lugar na parada da Billboard na categoria álbum de jazz contemporâneo. Se você quer ouvir um som instrumental calmo, repetitivo e inventivo, recomendo a Glass Beams. E aqui vou deixar um link com uma música da banda: https://www.youtube.com/watch?v=nMuTgStG8w0&list=RDEMz2vRvq9X4bJfQaHpPPzBQw&start_radio=1

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Há 39 anos, Todo Dia é Dia de Rock.

O rock`n roll estilo musical mais popular do planeta surgiu pra mim com o boom do rock nacional entre 1983 e 84, em casa já ouvia muita música, MPB e jovem guarda. Mas foi em meados de 84 que através de uns amigos que ouvi algumas  fitas k7 com músicas do Ac/dc, Ozzy Osbourne e Black Sabbath, a partir daí minha vida mudou e pra melhor, aos poucos fui descobrindo outras bandas e outros estilos do rock, como o blues, punk e o progressivo. O rock com a sua rebeldia, energia e irreverência era tudo que eu precisava pra me socializar e externar toda as minhas angústias e dúvidas próprias da adolescência e como de certo modo quem gostava de rock era deixado meio de lado, isso fez com que eu começasse a ver as coisas de uma forma mais analítica e crítica, principalmente em relação a música e ao que de certo modo era imposto pela sociedade. Em Setembro de 84 aconteceu a primeira edição do Setembro Rock um festival que foi importantíssimo para disseminar definitivamente o rock em Teresina e eu estava lá com a minha turma, o festival cresceu e na época era um dos maiores do país trazendo bandas do Nordeste, do Rio de Janeiro e de São Paulo, que alguns anos depois se tornaram importantes no país como Viper e Dorsal Atlântica, esses eventos eram empolgantes pra nós que não tínhamos como ver shows das bandas gringas das quais éramos fãs, os discos e novidades sobre as bandas chegavam com pelo menos uns seis meses de atraso, hoje em dia com a internet, streamings e o youtube é bem diferente. Um dos maiores festivais de rock do país o Rock in Rio foi um acontecimento incrível por que eu já conhecia várias bandas que se apresentaram no festival e ver os shows daquelas lendas só fez crescer ainda mais a minha paixão pelo rock principalmente pelo heavy metal. O rock abriu minha mente para outros estilos como o jazz e música clássica que também influenciam o metal e o progressivo desde sempre. Pra mim o final da década de 60 e os anos setenta são as épocas mais importantes e criativas do rock, foi naqueles anos que surgiram as lendas como Jimy Hendrix, The Beatles, Black Sabbath, Led Zeppelin entre outros, artistas que além de moldar revolucionaram o rock. Nas décadas seguintes o rock foi ficando cada vez mais popular, as gravadoras faturavam e investiam alto e com a invenção dos vídeos clips  a divulgação ficou mais fácil e abrangente. Duas afirmações que me incomodam e não é de hoje é que o rock morreu e que no Brasil não tem mais boas bandas, as duas afirmações são furadas, o estilo continua gerando grandes bandas não só no Brasil como no mundo. Acontece que a grande mídia prefere dar mais visibilidade a outros estilos, mas o rock nunca dependeu do mainstream, é um estilo essencialmente underground e na minha visão dificilmente chegará um dia em que ou não surgiram novas bandas ou que alguns garotos ou garotas não vão querer empunhar uma guitarra pra fazer e ouvir muito barulho. Eu sou muito grato a esse estilo fantástico que moldou minha personalidade, me fez passar por experiências incríveis, me trouxe grandes amigos e até a mulher da minha vida. O mundo precisa do rock. LONG LIVE THE LOUD. E claro essa coluna sempre acaba em música e vou homenagear a rainha do rock brasileiro Rita Lee uma das artistas que melhor personificou o espírito rock´n roll.  https://www.youtube.com/watch?v=qT1myIcEzq8

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