Há 98 anos nascia, em Teresina, o poeta H. Dobal, um dos nomes mais importantes da literatura piauiense. Reconhecido pela escrita concisa, lírica e profundamente ligada à sua terra, Dobal ocupou a Cadeira nº 10 da Academia Piauiense de Letras (APL) e construiu uma obra marcada pela fidelidade ao Piauí e pela busca do essencial na palavra.
Nascido em 1927, Herbert Dobal faleceu em 22 de maio de 2008, na capital piauiense. Além de poeta, foi professor, cronista e auditor fiscal. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Piauí em 1952 e exerceu carreira pública sem abandonar a literatura. Viveu no Rio de Janeiro, Brasília, Londres e Berlim, mas manteve o olhar voltado à sua província natal, cenário constante de suas reflexões poéticas.
Dobal integrou o Movimento Meridiano, grupo literário que marcou uma geração de escritores piauienses nos anos 1960. Seu livro de estreia, O Tempo Consequente (1966), apresentou uma poesia madura e rigorosa, que viria a se consolidar em títulos posteriores como O Dia Sem Presságios (1970) — vencedor do Prêmio Jorge de Lima —, As Formas Incompletas, A Província Deserta, A Serra das Confusões, A Cidade Substituída, Os Signos e as Siglas e Ephemera.
Entre as muitas vozes que reconheceram seu talento, está a do poeta Manuel Bandeira, que escreveu:
“Poeta ecumênico, chamou Odylo a Dobal no seu tão belo e compreensivo estudo apresentando o novo poeta. Mas eu prefiro dizer o poeta total, o poeta por excelência… Só mesmo um poeta ‘ecumênico’ como Dobal podia fixar a sua província com expressão tão exata, despojada de quaisquer sentimentalidades, mas rica do sentimento profundo, visceral da terra.”
Em homenagem ao escritor, a Academia Piauiense de Letras publicou sua Obra Completa (Poesia) na Coleção Centenário, volume 104, reafirmando a importância de Dobal para a cultura piauiense e nacional. A publicação reúne toda a produção poética do autor e reforça sua contribuiçãora a consolidação da identidade literária do Piauí.
Ao completar 98 anos de nascimento, H. Dobal é lembrado como um poeta que fez da sobriedade uma forma de revelação e do Piauí um território universal da palavra. Sua obra permanece como referência de autenticidade, precisão e amor à terra, inspirando novas gerações de escritores e leitores.
