Carlos Belo

Dois gênios pouco conhecidos, Moacir Santos e Téo Azevedo!

Às vezes fico pensando quantos artistas incríveis, não conseguem ter o reconhecimento que merecem em termos de popularidade. Hoje vou mostrar dois que conheci recentemente, que são muito respeitados por quem conhece bem a música brasileira, e um deles fez até trabalhos fora do país, então vamos ver quem são eles.   Moacir Santos, compositor, arranjador, multi-instrumentista e maestro, completaria cem anos em julho deste ano. O pernambucano de Flores do Pajeú,  ficou órfão aos dois anos de idade e foi adotado por uma família branca que lhe ofereceu educação formal e musical. Por outro lado, sofria maus-tratos e, aos quatorze anos, fugiu de casa. Aos nove anos, ele brincava de banda de música com os amigos nas ruas de sua cidade,  aos dez, a banda já tocava marchinhas. Foi o início de sua vivência com a música. Quando fugiu de casa, vagou pelo Nordeste, tocando em bandas militares e de circos. Nessas andanças, foi para João Pessoa e ainda nem tinha dezoito anos quando comandou a Orquestra da Rádio Tabajara. Foi para o Rio de Janeiro com vinte e dois anos, seu talento foi rapidamente reconhecido e logo se tornou saxofonista da Orquestra da Rádio Nacional. Não demorou a ser promovido a arranjador e regente,  nessa época trabalhou com Radamés Gnatalli. A partir daí, foi estudar música clássica com maestros renomados como Guerra Peixe e Cláudio Santoro. Após se formar, como professor, ajudou a criar uma geração nova de músicos incríveis, por exemplo, Baden Powell, Sérgio Mendes e João Donato,  só por esses nomes, já dá para ter uma ideia da importância de Moacir para a cultura brasileira. Moacir deixou sua marca no chamado “Cinema Novo”, compondo trilhas sonoras de alguns filmes. Uma parte delas foi lançada no disco que é considerado sua obra-prima, “Coisas”, no início da década de sessenta. Um fato interessante é que ele nomeou as canções do disco baseado na forma erudita de catalogar  e as chamou de “coisas”, por exemplo, “Coisa 1” e assim sucessivamente. A sonoridade do disco era uma fusão de “Big Band Jazz” com ritmos afro-brasileiros. Quando foi lançado, teve pouca repercussão, mas, com o tempo, recebeu a devida aclamação, o “The New York Times” disse que a obra era “uma das grandes realizações da música brasileira moderna”. Nessa mesma época, arranjou álbuns de Elizeth Cardoso e Baden Powell. Em 1967, mudou-se para os Estados Unidos, foi convidado a compor trilhas para filmes de Hollywood. Um fato estranho é que os seus trabalhos não foram creditados, apenas “Final Justice” foi oficialmente registrado. Moacir permaneceu por lá até o fim dos seus dias. O álbum “Ouro Negro”, lançado em 2001, foi um projeto criado por Zé Nogueira e Mário Adnet, para regravar composições de Moacir e teve a participação de Milton Nascimento, João Donato e Gilberto Gil. O disco reacendeu o interesse pela obra do artista no Brasil e no exterior. Pouco antes de falecer nos EUA, em 6 de agosto de 2006, Moacir recebeu o Prêmio Shell de Música e o Prêmio Tim. Moacir dominava vários instrumentos e é considerado um dos grandes mestres da renovação harmônica da música brasileira. Com certeza é mais um artista que merece ter sua obra divulgada para que mais brasileiros possam desfrutar da sua arte. Deixo aqui um link de uama de suas músicas: https://www.youtube.com/watch?v=L8DCv2RQba0&list=PLmMoWdh-X390nixGG5M8giWOeIrcqa8cb&index=7   Téo Azevedo, foi cantor, compositor, repentista, violeiro, folclorista, escritor, produtor musical e radialista. Mineiro de Bocaiúva, seguiu os passos do pai, que era seresteiro, folião de reis, repentista e cantador popular. Para ajudar a família, trabalhou de engraxate e, nessa época, começou a cantar repentes e participar de concursos de calouros em parques e circos. Aos 16 anos, já em Belo Horizonte, se apresentava nas ruas cantando repentes. Por conta disso, foi preso por vadiagem e, para se livrar da prisão, criou um repente que dizia que era um crime prender um cantador. O delegado gostou tanto que o soltou e autorizou que ele continuasse a se apresentar nas ruas. Não tinha tempo ruim para Téo, e sua vida não foi fácil. No começo dos anos 60, foi campeão de boxe e se apresentava em casas de shows cantando repente. Em 1965, gravou no estúdio Discobel, seu primeiro disco, “Brasil Terra da Gente”. Três anos depois, foi apontado pelo cronista Gerson Evangelista como o melhor compositor mineiro do ano. Quando chegou em São Paulo em 1969, conheceu o cantador alagoano Guaiatã de Coqueiros, e com ele aprendeu todas as modalidades de cantorias nordestinas. Cantou nas ruas, onde passava o chapéu em busca de uns trocados, e na Feira de Arte da Praça da República, chegou a cantar com um jovem pernambucano que iniciava sua carreira artística, Alceu Valença. Junto a outros companheiros, criou em 1980 a ARPPNM, Associação de Repentistas Populares do Norte de Minas. No mesmo ano, conheceu Zé Coco do Riachão, violeiro e tocador de rabeca, do qual produziu os primeiros discos. Ele se dedicou também à literatura, sempre enfatizando a cultura regional. Seu primeiro livro foi “Literatura Popular do Norte de Minas”. Em seu segundo livro, “Plantas medicinais e Benzeduras”, ele captou o depoimento de mais de 120 curandeiros e benzedeiras. Téo musicou várias peças de teatro. Além de algumas de Guimarães Rosa, musicou também um especial sobre ele para a FM Cultura de São Paulo e, para uma TV alemã, um especial sobre “Grandes Sertão Veredas” e outro sobre “Cantigas de vaqueiro e repentistas”. Com o saxofonista Bobby Keys, que tocou nos Rolling Stones, gravou uma versão de “For Bobby Keys” de Michael Grosman, e com Charlie Musselwhite, considerado o maior gaitista de blues do mundo, gravou de sua autoria “Puxe o fole sanfoneiro, Dominguinhos tocador”. A canção foi indicada como a melhor do disco. Vou ter que resumir os feitos de Téo, sua obra é muito extensa. Ele teve mais de 1.500 músicas gravadas por outros artistas, entre eles Luiz Gonzaga, Clemilda e Zé Ramalho, a lista chega a mais de vinte. Até o ano de 2000, era considerado o terceiro compositor com mais músicas gravadas no Brasil e compôs mais de 2.500. E, até…

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A nova MPB, vem forte!

  É impressionante a quantidade e a qualidade de artistas brasileiros que eu encontro nas minhas pesquisas e que o algoritmo me mostra. Hoje vou destacar mais dois artistas brasileiros, muito talentosos. Começando com Emanuel Santos Sousa, que adotou o nome artístico de Will Santt (@will.santt), o primeiro nome faz referência ao ator Will Smith por causa do cabelo black power que Emanuel usa, e o segundo vem de Santos, do seu sobrenome. Will não é uma novidade, o cantor, compositor e multi-instrumentista começou sua carreira em 2019, quando criou um perfil no Instagram que virou palco para sua arte e foi onde ele começou a ser reconhecido até internacionalmente. Ele começou na música aos nove anos, tocando bateria e para não brigar com seu irmão, teve que, a contragosto, optar pelo violão. Aos doze, assistiu a um vídeo no YouTube que despertou seu interesse pela bossa nova, era Tom Jobim e Elis Regina cantando “Águas de março”. A base sonora de Will é a bossa nova, mas ele diz que tem uma veia “djavanica”, referência a Djavan, no tocante as letras que falam de amor e romance, e também tem influência de Caetano Veloso e claro João Gilberto. Mas ele não se prende apenas a um tema ou ritmo, tendo passado pelo rock e música clássica. Em 2024, partiu para sua terceira turnê pela Europa e lançou um disco gravado ao vivo, “Will Santt – Ao vivo no Blue Note”, com a participação de Roberto Menescal, que elogiou a forma de tocar do jovem músico. Ele comenta que seu público é mais velho, mas que gostaria de chegar a um público mais jovem e quebrar um pouco a seriedade da MPB. Will já lançou dois álbuns: “Meu Caminho” de 2024 e “Cores do meu coração” em 2026, e dois EPs: “O novo sempre vem” e “Slap sessions”, ambos em 2026, além do ao vivo no Blue Note. Algumas pessoas acham que ele imita o João Gilberto por causa da forma de cantar, mas para outras, ele apenas tem um jeito parecido e o próprio Will diz que fala baixo, não gosta de barulho e que não conseguiria imitar o ídolo. O mais importante é que ele é mais um grande artista brasileiro, que veio renovar a nossa música. E quem quiser conferir, é só acessar esse link: https://www.youtube.com/watch?v=iUagI0V8YmA&list=RDiUagI0V8YmA&start_radio=1&t=141s   O recifense Fitti (@fitti_____ ), teve seu canto moldado desde cedo, já que em sua casa a música estava muito presente. Da capital pernambucana  veio a sua essência e personalidade artística, e se tornou ator, cantor, compositor e produtor musical. Fitti vem em ascensão na música brasileira e transita em várias linguagens e expressões artísticas, música, teatro e audiovisual. Já participou de espetáculos de teatro e da série “Só se for por amor” da  Netflix. Em 2024, lançou seu primeiro álbum, “Transespacial”, produzido por Zé Nigro. Em 2025, o disco foi indicado ao Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa”. Fitti é o primeiro cantor trans da história a ter uma indicação a esse prêmio. Ele busca, nesse trabalho, partilhar com o público como o indivíduo se relaciona com suas emoções e dificuldades de acordo com a vivência do próprio artista. E estreou o projeto “O Novo Sempre Vem”, apresentado por João Marcelo Bôscoli, exibido na TV Cultura. Foi por meio desse audiovisual que conheci Fitti. Recomendo para quem quer conhecer novos artistas. Iniciando uma nova fase, Fitti lançou o single “Postal de Amor”. Nesse momento, se dedica a um audacioso projeto que é “Fitti Canta Ney”, com direção musical de Pupilo, ex-baterista da Nação Zumbi, que agora trabalha também como produtor musical. Nessa empreitada, Fitti busca uma leitura artística diferente para a obra dessa lenda da música brasileira, tem que ter muita coragem e personalidade para fazer isso. E ainda deve fazer a turnê do disco “Transespacial”, mostrando assim o seu talento para um público maior. O que me chama atenção em artistas como Fitti é o jeito “estranho” que, em alguns momentos, ele coloca a voz, é essa estranheza que eu busco e felizmente encontrei nele. Como faço sempre vou deixar aqui o link de uma música: https://www.youtube.com/watch?v=hVqAo68TplU&list=RDhVqAo68TplU&start_radio=1    

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Rock e nordestinidade!

Na coluna de hoje, vou falar de duas bandas nordestinas de rock. A primeira é “Janete saiu para beber” ( @janetesaiuparabeber ), foi formada em 2010 na cidade pernambucana de Cabo de Santo Agostinho. A proposta sonora não é nada que já não tenha sido feito, que é uma mistura de punk, rock de garagem e ritmos nordestinos, como coco de roda, cavalo marinho e frevo, mas os caras conseguem se sobressair com muita agressividade, percussão e boas letras que falam da indignação com os rumos da sociedade e a falta de consciência de classe. Os integrantes têm empregos comuns, então sentem na pele o que é ser um assalariado no Brasil e daí vem inspiração para as letras. O nome da banda é inspirado em uma personagem de Charles Bukowski, Jane, que, ao fim da jornada de trabalho, saía para beber, na esperança de se sentir melhor. Para trazer ao “universo” da banda, eles resolveram colocar “Janete” em vez de Jane, e assim surgiu o nome. A banda é formada por César Braga, vocal, Kin Noise guitarra, Lennon Carneiro no baixo, Niel Melo na bateria e na percussão Eudes Júnior e Erivaldo Romão. Esses dois últimos não faziam parte da formação original. A banda só lançou alguns singles, talvez por conta de um hiato na carreira. Em 2022, gravou um audiovisual no projeto Estúdio Show Livre, e o mais recente foi lançado em 2025 e veio acompanhado de um clipe, com o título de “Iluminado”. Agora é aguardar novas músicas dessa banda que tem muito a mostrar. Vida longa a Janete. Vou deixar aqui o link do clipe de “Iluminado”: https://www.youtube.com/watch?v=MpYJvmRyK2U&list=RDMpYJvmRyK2U&start_radio=1     A segunda banda é a “Dona Iracema” ( @donairacema ) , da cidade de Vitória da Conquista, na Bahia, que foi criada pelo vocalista Rodrigo Bodão, pelo baixista Diegão Aprígio , Igor Kekas na bateria  que já não faz mais parte da banda e Pedro Pena na outra guitarra, que se uniram para tocar covers da banda Raimundos. Sobre o nome, eles queriam que fosse um nome forte feminino e que tivesse algo de pessoal com os integrantes. Um dia, durante uma conversa para definir o nome, a Dona Iracema, mãe de Diegão, liga para dar uma bronca no filho. Ao fim da ligação, eles não tiveram dúvidas,  ela preenchia todas as características para ser a “homenageada”. Com o tempo, foram se destacando no cenário regional e fazendo muitos shows, a partir daí veio a ideia de dar um passo importante, que foi compor suas próprias músicas. Eles denominaram o som da banda como sendo “Catingore Iracematico”. Na verdade, é um hardcore influenciado por Mamonas Assassinas, Raimundos, Luiz Gonzaga, Nação Zumbi e System of a Down. As letras podem tratar de situações complicadas que aconteceram com eles  e fazem questão de que sejam expressadas de uma forma divertida. Uma das características da banda é a irreverência,  que é uma das coisas mais legais  do rock. A banda lançou quatro álbuns: “Catingore Iracemático”, “Balbúrdia”, “Velório” e “Rojão 12×1”. O  disco “Velório”,  de 2021, foi lançado no formato de audiovisual, o primeiro do estado lançado dessa forma. A Dona Iracema detém o recorde mundial da música mais curta do mundo,  com a canção “Centro do Universo”, do disco “Balbúrdia”,  que tem duração de dois segundos. Nesse álbum tem a participação de Luiz Caldas em “Volta pra casa, João”. Em 2017, para atestar que a banda está no caminho certo e que o seu som é realmente muito bom,  se apresentaram no Rock In Rio. Também em 2017 a formação muda com a entrada da vocalista Balaio, uma mulher trans, que infelizmente já passou por situações constrangedoras e até agressões, mas isso não a desmotiva  e a vocalista acrescenta muito com sua voz poderosa e presença de palco Que a irreverência e o “Catingore Iracemático”  da Dona Iracema cheguem cada vez mais longe! Vou deixar aqui o link de um catingore pra vocês: https://www.youtube.com/watch?v=hiGhgHi7rUk&list=RDhiGhgHi7rUk&start_radio=1                

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Altos recebe “Território da Cultura” com oficinas, roda de conversa e encontro de culturas

Altos será palco, no próximo dia 29 de agosto, de uma programação especial voltada à cultura, à participação social e à valorização das manifestações culturais do município e da região. A ação “Altos, Território da Cultura” integra o Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC-PI), iniciativa que busca aproximar as políticas culturais dos territórios e fortalecer o diálogo com artistas, produtores, gestores e comunidades. A programação será realizada no Centro Social Urbano de Altos, a partir das 14h, reunindo representantes de instituições públicas, sociedade civil, artistas, grupos culturais e agentes da cultura em uma tarde de formação, diálogo e celebração da diversidade cultural. As atividades começam às 14h, com boas-vindas, acolhimento e credenciamento. Às 14h30, acontece a abertura institucional, com a participação do Comitê de Cultura no Piauí, Escritório do Ministério da Cultura (MinC), Associação da Juventude Praticante da Cidadania (AJPC), Secretaria Municipal de Cultura e Instituto Federal do Piauí (IFPI). A partir das 15h, o público poderá participar de duas atividades simultâneas. A oficina “Falando de Cultura nas Redes” será conduzida por Andressa Lopes e Alisson Veloso e abordará estratégias para criação e engajamento de conteúdos culturais nas redes sociais, aproximando artistas, produtores e iniciativas culturais do ambiente digital. No mesmo horário, será realizada a roda de conversa “Território, Democracia e Participação Social”, com Márcia Alencar, coordenadora da COOPCATA3RS. O encontro propõe uma reflexão sobre como fortalecer a participação popular e a atuação coletiva no território. Encerrando a programação, às 18h, o “Encontro de Culturas” reunirá diferentes expressões artísticas e culturais. Participam o Grupo Cultural Zabumbada; o Grupo de Capoeira Arte Secular do Brasil – Altos; Gigantes Break, com os Bboys Jimmy e Luketa; o CELEN (Centro Espiritual Luz Encantada); e Félix Sousa, com o projeto Cordel EnContado. Mais do que uma agenda de atividades, “Altos, Território da Cultura” propõe um espaço de encontro entre cultura, cidadania e participação social, valorizando os saberes, as manifestações e os agentes culturais do município. A programação é gratuita e aberta ao público. SERVIÇO Altos, Território da Cultura Ação do Programa Nacional dos Comitês de Cultura – PNCC-PI Data: 29 de agosto de 2026 Horário: a partir das 14h Local: Centro Social Urbano de Altos Endereço: Rua Jaime Rosa, 1-89 – Centro, Altos (PI) Realização: ASSAAC, Ministério da Cultura (MinC) e Governo Federal

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Modernidade e ancestralidade na música!

A nova MPB se alia a bases e batidas eletrônicas, mas não esquece suas raízes afro e regionais, na coluna de hoje, vou mostrar o trabalho desenvolvido por artistas que sabem extrair coisas boas  dessa vertente. Vou começar com Karola Nunes ( @karola_nunes ), cantora, compositora e instrumentista que atua profissionalmente na música há 20 anos. Com versatilidade, ela busca, dentro de diferentes projetos, expressar suas influências musicais. Entre os estilos que Karola já trabalhou estão samba, baião, reggae e maracatu. Até chegar a ter a sua própria linguagem, as letras falam de igualdade social, relações vividas por ela e também sobre a força e influência da música. Karola começou  a carreira em uma banda inspirada no movimento mangue beat, “Marakadaje”. Quando se mudou para Cuiabá, fez parte de um grupo de choro e samba feminino, “Bionne”, de um grupo de forró pé de serra, “Fuá”, da banda de reggae “Negramina” e do projeto “Orgânico Dub” . Em 2015, Karola faz seu primeiro show solo; a partir daí, ela viajou pelo estado do Mato-Grosso fazendo shows e oficinas. O EP “Já É” foi lançado em 2017, junto a um audiovisual da música título do disco. A exibição do clipe durante os intervalos da programação da TV Centro América  rendeu uma ótima repercussão dentro do estado. O seu primeiro álbum completo, “Somos som”, foi lançado em 2019, que traz a busca por uma nova sonoridade e suas primeiras composições e participações especiais, como o músico Curumim, Pacha Ana e Abel Dy Anjos. A pandemia atrapalhou a divulgação do álbum e, com isso, Karola se dedicou a trabalhos audiovisuais junto a um coletivo de artistas mato-grossenses, tratando de temas fortes como questões ambientais, raça e gênero. O material foi premiado em festivais de música e cinema. A grande referência de Karola é a MPB e, para ela, cantar é mais uma forma de se comunicar do que diversão. Ela segue em uma busca angustiante,  que é a definição do seu som, e espera que o público consiga entender a sua música. Vou deixar aqui um som da Karola Nunes: https://www.youtube.com/watch?v=Z0FN76s-SNU&list=RDZ0FN76s-SNU&start_radio=1   Aline de Silva Lira, cantora, compositora, atriz, escritora e ativista, adotou o nome artístico Kaê Guajajara (@kaekaekae ),que foi dado pelo seu povo. A maranhense teve que deixar sua aldeia rumo à favela da Maré, no Rio de Janeiro,  juntamente com sua mãe, em busca de uma vida melhor. Sua aldeia, além de não ser demarcada, sofria com conflitos com os madeireiros. No Rio, teve contato com funk e música periférica e montou um grupo de rap, “Crônicos”. Quando decidiu seguir carreira solo, ela pensou em não falar sobre as questões indígenas, mas chegou à conclusão de que seu trabalho poderia contribuir para alertar sobre, por exemplo, as violências que uma mulher indígena sofre em uma cidade. Kaê é muito atuante nas redes sociais, principalmente no Instagram, onde, além de divulgar seu trabalho, ela manifesta seu ativismo por meio de denúncias sobre as questões indígenas. A música de Kaê é uma união de elementos da língua do seu povo  e instrumentos tradicionais com  hip hop. As letras falam, entre outras coisas, da vivência dos povos originários no ambiente urbano e da extinção da identidade indígena. No palco, ela busca  que a sua imagem seja uma forma de resistência; ela se apresenta com pinturas e acessórios indígenas, valorizando a cultura do seu povo. Em 2021, seu show foi indicado como o melhor do ano pela “Women’s Music Event” e foi mencionada nos anos de 2022 e 2023 pela “Forbes Mulher” entre as 10 novas e promissoras cantoras brasileiras. Ela lançou em 2022 o primeiro álbum visual indígena da música brasileira, “Kwarahy Tazyr”. A moça é multi; em 2024 lançou seu livro “Descomplicando com Kaê Guajajara – o que você precisa saber sobre os povos originários e como ajudar na luta antirracista”. Kaê segue quebrando barreiras; foi a primeira mulher indígena a se apresentar no festival The Town. A artista já lançou três EPs e quatro álbuns e fundou o selo “Azuruhu”, que é voltado ao desenvolvimento e divulgação de artistas indígenas. É muito bom ver artistas com tanto talento e personalidade para manter viva a identidade e cultura do seu povo. Vou deixar aqui um link de uma música de Kaê: https://www.youtube.com/watch?v=lcGgjwnrO7U&list=RDlcGgjwnrO7U&start_radio=1

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A guitarra brilhando na MPB!

A guitarra é um dos instrumentos mais versáteis que existem, ela pode ser usada nos mais diversos ritmos e estilos musicais. No rock, por exemplo, é essencial ter guitarra, alguns roqueiros até conseguem abrir mão da guitarra, mas são exceções. Isso é assunto para uma próxima edição. Claro que o instrumento se destaca em outros estilos, como jazz e pop, mas eu vou falar aqui de alguns casos em que a guitarra se sobressai na MPB. Tem um disco da Gal Costa que é o “Gal” de 1969, que tem um trampo de guitarra fantástico. O guitarrista desse disco é Lanny Gordin, que é um mestre em harmonia, reverenciado por grandes guitarristas brasileiros, e nos arranjos e direção musical, nada mais, nada menos que Rogério Duprat. Com essas feras participando, não podia dar errado. O álbum, na verdade, não pode ser considerado de MPB, ele é mais de rock e psicodélico do que qualquer outra coisa. Mas, como a Gal não está “na prateleira do rock”, eu resolvi citá-lo mesmo assim. Nesse álbum tem a música “Meu nome é Gal”, que foi composta por Erasmo Carlos para Gal. Essa canção tem uma versão ao vivo em que ela duela com a guitarra e mostra todo o seu alcance vocal. Vou deixar aqui o link da música: https://www.youtube.com/watch?v=8KHtYIL7_-Q&list=RD8KHtYIL7_-Q&start_radio=1   Outra canção da MPB que tem um solo marcante é “Tropicana” de Alceu Valença. Foi gravada no disco “Cavalo de Pau” de 1982, um dos grandes sucessos de Alceu, e quem faz o solo foi o grande guitarrista Paulo Rafael (in memoriam). Esse músico tinha um estilo que mesclava psicodelia e regionalismo,  o que combinava muito com a forma de compor de Alceu Valença. A parceria desses dois rendeu vários momentos fantásticos da nossa música. E aqui deixo um link do solo: https://www.youtube.com/watch?v=12a-kXxovoE   Claro que eu poderia citar aqui pelo menos dez músicas, mas vou destacar só mais essa que é uma das minhas preferidas gravadas pelo grande cantor e compositor Milton Nascimento, estou falando de “Caçador de Mim” que foi lançada no disco homônimo em 1981. Mas essa linda canção é na verdade da banda também mineira  “14 Bis” e foi composta por Sérgio Magrão e Luiz Carlos Sá, e gravada no disco 14 Bis II de 1980. Um detalhe interessante é que na versão do  “14 Bis” não tem solo de guitarra e tem um estilo mais rock progressivo do que a de Milton. Quem fez o solo na canção interpretada por Milton foi um dos melhores guitarristas brasileiros, Hélio Delmiro, que, tocando jazz e MPB, se tornou um ícone do instrumento no Brasil. O solo feito por ele é um dos mais importantes da música brasileira. Vou deixar aqui um link da música: https://www.youtube.com/watch?v=JSxO2BLvm8M&list=RDJSxO2BLvm8M&start_radio=1&pp=ygUhY2HDp2Fkb3IgZGUgbWltIG1pbHRvbiBuYXNjaW1lbnRvoAcB        

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Literatura punk/rock!

Na coluna de hoje, vou destacar livros que retratam a história do punk e do rock piauiense. Vou começar com a biografia de uma das principais bandas do Piauí, “Narguilé hidromecânico”  ( @narguilehidromecanico), o título é “A alegria da festa é o que me resta”, escrito pelo vocalista e  um dos fundadores da banda, Fábio Crazy Christian (@fabiocrazychristian). A banda surgiu em 1998, com a proposta de fazer um som com muito groove nas guitarras, misturadas com percussão, zabumba, triângulo e ainda durante uma fase, a banda contou com um DJ mandando uns beats eletrônicos. Com esses instrumentos, eles mesclavam rock com forró, reggae e hardcore, mas com o passar do tempo, a banda ficou com um som mais direto, mas sem deixar de lado as influências de Luiz Gonzaga, Raimundo Soldado e Maria da Inglaterra. O Fábio conta a história da banda de um jeito fluido, deixando a leitura ainda mais prazerosa. Como toda biografia, o livro mostra como a banda surgiu e as “aventuras” pelo sul do país, onde por pouco a banda não fechou contrato com uma produtora que provavelmente levaria a banda a ter o reconhecimento nacional que merece. Não vou dar mais spoilers, quem quiser saber mais, pode acessar o link https://clubedeautores.com.br/livro/a-alegria-da-festa-e-o-que-me-resta.   “Chakal” foi lançado em dezembro de 2021, publicado pela editora Cancioneiro ( @editora_cancioneiro ) e escrito pelos historiadores  Aristide Oliveira, Heitor Matos e com a colaboração de Altaíde Pedreira, o próprio Chakal. A biografia teve como principal objetivo mostrar a evolução do adolescente Altaíde, até chegar ao professor e vocalista da banda “Obtus”. Ele é um dos ícones do hardcore piauiense, tanto participando de bandas como produzindo fanzines, com isso o que não falta é história para contar sobre o underground piauiense. Boa parte do livro é sobre a banda “Obtus” onde Chakal atua há três décadas. O livro é um relato sobre a cena punk desde os primórdios, sem deixar de lado outros gêneros do rock pesado, Chakal tem histórias incríveis que também mostram a dificuldade de se fazer música pesada no estado, fala das influências sonoras e da vivência de Altaíde na escola e como era  o acesso a discos, revistas e camisetas, itens importantes na vida de qualquer roqueiro. Vale a pena conhecer um pouco mais desse cara carismático e gente boa, que é um dos grandes do nosso underground. Para adquirir o livro, você pode entrar em contato com o próprio Chakal (@chakalpedreira) ou com Aristides Oliveira (86 998345393). “Vozes do punk”, o livro foi publicado pela editora Cancioneiro e escrito a três mãos pelo escritor, pesquisador nas áreas de música, cinema e cultura brasileira dos anos 70 e professor da UFPI Aristide Oliveira, Dante Galvão ( @dantegalvão),  ex-vocalista da banda “Anarcóticos” , professor e sociólogo, e por Eduardo Djow ( @eduardodjow ), vocalista da banda “Miséria”, criador da página “Piauí punk” e produtor de eventos punk/hardcore como “Arraiá da desgraça”. A publicação mostra, por meio de fatos e entrevistas, como era ser punk em Teresina nos anos 80. Além de ter que enfrentar o conservadorismo dos pais, os eventos eram escassos, então o que levava o movimento à frente eram os encontros nas praças onde rolavam debates sobre questões políticas e sociais, planos para realização de shows e também a troca de informações através de fanzines e revistas sobre o movimento, bandas locais, nacionais e internacionais. Pra quem se interessou vou deixar aqui o link para compra do livro: https://www.editoracancioneiro.com.br/vozes-do-punk. E para celebrar a trajetória de uma das melhores, se não a melhor banda de hardcore do Piauí, foi lançado esse ano o livro “Obtus”  30 anos de porrada”, escrito por Aristides Oliveira em parceria com Altaíde Pedreira, o Chakal, vocalista da banda. O livro encerra de certa forma uma trilogia sobre o punk/hardcore no Piauí que começou com a publicação de “Chakal”. A publicação retrata através de depoimentos de membros da banda desde a formação até hoje, experiências vividas ao longo de três décadas. Além de mostrar a história da banda o livro expõe uma visão de como era a identificação da  juventude piauiense com o punk/hardcore . O lançamento é fruto de uma campanha colaborativa nas redes sociais, financiada pelos fãs da banda e pra adquirir esse relato histórico você pode acessas o site da editora Debulhar, (https://editoradebulhar.com.br/), ou diretamente com os autores Arítides Oliveira (86 998345393) e Altaíde Pedreira (@chakalpedreira).

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Getúlio Abelha, irreverência em músicas para dançar e para pensar!

Alguns artistas se destacam por não serem fáceis de rotular, mesmo fazendo algo que não seja totalmente original, é o caso do piauiense Getúlio Abelha ( @getulioabelha). As principais características da música de Getúlio são irreverência e a fusão de ritmos como forró, punk, brega e eletrônico, mas suas composições vão além: exploram temas existenciais e convidam tanto a dançar quanto a pensar. Getúlio sabe que não basta ter talento e se preparou para seguir na carreira artística cursando artes cênicas na Universidade Federal do Ceará. Nessa época, se envolveu com teatro, dança e cinema. Suas primeiras músicas, “Laricado” e “Tamanco de Fogo”, foram lançadas de forma independente em 2017, com clipes no YouTube, participou de festivais em Fortaleza e São Paulo e em 2021 lançou o álbum “Marmota”  com novas versões dos singles que já haviam sido lançados e algumas inéditas. As letras desse disco falam sobre LGBTQIAfobia, política, violência. Tratando desse tema, ele foi rotulado como cantor de forró  “queer “, mas ele preferiu que o chamassem de forró eletrônico. Com esse trabalho, ele se tornou uma das figuras mais cativantes e surpreendentes da nossa música. Um ano depois desse lançamento, ele se mudou para São Paulo. Essa mudança fez com que o artista buscasse novas experimentações, como no single “Ranço”, que  tem elementos do brega. Uma das referências no trabalho de Getúlio são os videoclipes, nos quais ele participa da direção artística, roteiro e produção. Nos clipes, ele abusa da criatividade, os recursos financeiros são poucos, mas ele consegue fazer algo realmente sofisticado, não é à toa que o número de visualizações só cresce. E o reconhecimento da contribuição e destaque desses audiovisuais, veio com a premiação no MVF 2026, que é a principal premiação de videoclipes do Brasil, na categoria potência criativa, com o clipe de “Freak”. Em 2025, lançou “Autopsia”, que mostra uma nova fase influenciada pela mudança para São Paulo. Ele conseguiu preservar sua identidade mesmo deixando o humor um pouco de lado e partindo para temas mais introspectivos, onde ele busca descobrir coisas sobre si mesmo. Esse trabalho mostra o amadurecimento do artista, que agora não tem mais medo de expor sobre suas dores. Apesar de ainda ter forró, outros estilos foram agregados às composições desse disco, como emo, brega, e funk. Para Getúlio, a grande variedade de ritmos não faz com que o produto final não seja coeso. Uma confirmação da excelência da música feita por Getúlio foi a indicação da Associação de Críticos de Arte de São Paulo ao disco “Autopsia” como um dos melhores do Brasil em 2025. O mais novo lançamento de Getúlio é “Autopsia+”, que é um complemento do disco anterior. Nesse novo trampo, percebe-se que ele continua desafiando limites, assim reafirma sua autenticidade e identidade, com isso ele vai se firmando como um dos grandes artistas da atual música brasileira. Pra quem ainda não conhece vou deixar aqui o link de um dos clipes de Getúlio Abelha: https://www.youtube.com/watch?v=DOFoVw5mN2E&list=RDDOFoVw5mN2E&start_radio=1                    

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Música brasileira contemporânea!

Hoje vou destacar dois artistas que saem um pouco do convencional, tanto pela maneira de tocar como pela forma de cantar. Vou começar falando de Anna Tréa (@annatrea), cantora, compositora, arranjadora e multi-instrumentista, que nasceu em São Paulo. Anna, ao tocar violão ou guitarra, alia o virtuosismo  a uma abordagem rítmica e percussiva , além disso, ela mistura perfeitamente o modo de tocar com a sua expressão corporal, inspirada na dança e no teatro. Outra característica marcante de Anna é o seu jeito de cantar swingado e pulsante. Quando participou do The Voice espanhol, um dos jurados disse que a sua apresentação foi uma das mais originais que ele viu no programa. Ela participou da turnê mundial do rapper Emicida, como guitarrista solo e backing vocal, e também tocou com Arrigo Barnabé. Tocar com artistas com estilos tão diferentes mostra toda a versatilidade dessa artista. Em 2016, lançou seu primeiro álbum com o nome de “Clareia”, que foi produzido por Swami Jr., grande nome que trabalhou com Buena Vista Social Club, entre outros. Um fato muito interessante é que o disco é 99% acústico e executado por Anna. A turnê do disco foi projetada para ser totalmente diferente do disco, com convidados, músicos, dançarinos e artistas circenses. O que mais chama atenção no som de Anna é a forma como mistura ritmos brasileiros com sons do mundo de uma forma sutil e madura. Vou deixar um link de uma música de Anna Tréa: https://www.youtube.com/watch?v=Hd0i0uxBjXY&list=PLvrGO4IQT8KR7wJDdQdcoicGujUB7–nI       Marcelo Dai (@marcelodaimusica ) vem se firmando como um dos artistas mais expressivos da atualidade. Tocar bateria e cantar exige coordenação motora, manter o ritmo e controle da respiração, e Marcelo faz isso com maestria. Ele já acompanhou grandes nomes da música brasileira como Milton Nascimento, Lô Borges, Paulinho Moska e Zeca Baleiro. Mas decidiu que era hora de seguir carreira solo e interpretar as suas próprias canções sem deixar a bateria de lado. Com seu projeto Marcelo Dai e Macondos, ele tem excursionado pelo Brasil e outros países. E ainda tem o Marcelo Dai Trio, onde ele passeia pelo jazz, funk, soul e R&B. Marcelo não é só um baterista talentoso, ele também é considerado um dos cantores mais influentes da atualidade, principalmente pela sua criatividade. Um dos principais projetos do artista é “Marcelo Dai canta Simonal”, onde ele interpreta os grandes sucessos e canções menos conhecidas. O objetivo de Dai é mostrar para essa geração a obra de Simonal. Ele é um dos grandes artistas da MPB contemporânea, esbanjando criatividade, musicalidade e técnica. Marcelo bota o público para cantar e dançar. Vou deixar aqui o link de uma das interpretações de Marcelo: https://www.youtube.com/watch?v=EfIcmw7fuHE&list=RDEfIcmw7fuHE&start_radio=1    

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Dois talentos da MPB completam 80 anos!

Na coluna de hoje, vou falar de dois monstros da música brasileira, que completaram 80 anos de vida, são eles João Bôsco (@joaoboscoreal ) e Alceu Valença ( @alceuvalenca ),  sempre que vou citar esses grandes nomes me pergunto se devo fazer, porquê o que eu posso acrescentar que ainda não foi dito, me convenço pensando que esses caras tem que ser reverenciados de todas as formas repetidamente. Dito isso vou começar com João Bosco, o quinto filho de dez irmãos, que teve o seu gosto musical eclético, moldado pelos discos dos mais diversos estilos que duas de suas irmãs compravam. Aos dez anos, a sua irmã pianista lhe deu seu primeiro violão e com uma capacidade auditiva incrível ele conseguia transpor para o violão tudo que escutava, então não precisou de professor. João foi estudar em Ouro Preto e, em 1967, foi apresentado a Vinicius de Moraes, seu primeiro parceiro. Já começou bem essa história de parceria. Ainda na cidade, enquanto tocava em um bar, foi abordado por Pedro Lourenço, que disse ter um amigo carioca, Aldir Blanc,  com um jeito de escrever que se encaixaria com as melodias criadas por João e assim nasceu uma das parcerias mais importantes da música brasileira. As primeiras músicas compostas pelos dois foram feitas por meio de troca de cartas, já que João ainda morava em Ouro Preto. Eles só se conheceram pessoalmente quando João foi morar no Rio de Janeiro. Dessa união surgiram clássicos da MPB como “Falso Brilhante”, “Mestre-Sala dos Mares”, “Bala com Bala”,  a lista é extensa, para mim tem uma que é uma das melhores da música brasileira, “Corsário” imortalizada na voz de Elis Regina (de novo citando Elis?! Elis sempre) . A obra de João Bosco é diversificada, não se limita à MPB, tem jazz e música latina, entre outras coisas. Além de grande cantor e compositor, João é um excepcional violonista, dono de uma técnica rara, onde, enquanto a mão direita reproduz ritmos afro-brasileiros, a mão esquerda vem com sofisticadas harmonias. Como se não bastasse, o cara, quando canta, faz divisões rítmicas intrincadas e vocalizações improvisadas que sincronizam de forma perfeita com o som que sai do violão. João Bosco é referência para músicos nacionais e internacionais, para muitos, ouvi-lo tocando é como se fosse uma orquestra sintetizada em um violão. Vou deixar aqui uma interpretação fantástica ao vivo de “Corsário”: https://www.youtube.com/watch?v=s9Ye-i8fIWk&list=RDs9Ye-i8fIWk&start_radio=1   Alceu Valença, esse artista fantástico, mistura vários ritmos nordestinos como xote, baião, embolada, côco, forró e frevo com a energia do rock’n roll, sem ser roqueiro, como ele mesmo faz questão de dizer. Luiz Gonzaga disse que o som de Alceu é como se fosse uma banda de “pífanos elétrica”. Além da originalidade do seu som, Alceu difunde e valoriza a cultura nordestina como poucos e assim tornou-se um dos mais importantes artistas brasileiros. A música dele, ao mesmo tempo que é regional, também é contemporânea e urbana, talvez por isso ele tenha alcançado uma popularidade tão grande. Antes mesmo de comandar o bloco “Bicho Maluco Beleza”, que é título de uma de suas músicas, Alceu já era símbolo do carnaval pernambucano, mais especificamente de Olinda. É interessante como a música de Alceu vem conquistando várias gerações, um exemplo disso é a canção “Anunciação”, que é a sua composição mais tocada no Spotify, com 197 milhões de reproduções. Sem falar na quantidade de versões feitas por outros artistas, tem até uma versão muito legal do projeto musical infantil Mundo Bita. Com o filme “Luneta do Tempo”, um musical que conta a história de Lampião e Maria Bonita, Alceu estreou como cineasta, diretor e roteirista, comprovando a grandiosidade de seu talento. O longa foi premiado nas categorias trilha sonora e direção de arte no 42º Festival de Cinema de Gramado. O auto-intitulado discípulo de Luiz Gonzaga está em turnê desde março, com o espetáculo “80 Girassóis”, que foi idealizado para comemorar os 80 anos de vida. Além dos shows, a turnê conta com exposições de artes plásticas e exibição de filmes. Vida longa ao Bicho Maluco Beleza da música brasileira. Entre tantas músicas incríveis, vou deixar o link de “Anunciação”, que é uma das minhas preferidas: https://www.youtube.com/watch?v=OR74idpsweg&list=RDOR74idpsweg&start_radio=1                          

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