A nova MPB se alia a bases e batidas eletrônicas, mas não esquece suas raízes afro e regionais, na coluna de hoje, vou mostrar o trabalho desenvolvido por artistas que sabem extrair coisas boas dessa vertente.


Vou começar com Karola Nunes ( @karola_nunes ), cantora, compositora e instrumentista que atua profissionalmente na música há 20 anos. Com versatilidade, ela busca, dentro de diferentes projetos, expressar suas influências musicais. Entre os estilos que Karola já trabalhou estão samba, baião, reggae e maracatu. Até chegar a ter a sua própria linguagem, as letras falam de igualdade social, relações vividas por ela e também sobre a força e influência da música.
Karola começou a carreira em uma banda inspirada no movimento mangue beat, “Marakadaje”. Quando se mudou para Cuiabá, fez parte de um grupo de choro e samba feminino, “Bionne”, de um grupo de forró pé de serra, “Fuá”, da banda de reggae “Negramina” e do projeto “Orgânico Dub” .
Em 2015, Karola faz seu primeiro show solo; a partir daí, ela viajou pelo estado do Mato-Grosso fazendo shows e oficinas. O EP “Já É” foi lançado em 2017, junto a um audiovisual da música título do disco. A exibição do clipe durante os intervalos da programação da TV Centro América rendeu uma ótima repercussão dentro do estado.
O seu primeiro álbum completo, “Somos som”, foi lançado em 2019, que traz a busca por uma nova sonoridade e suas primeiras composições e participações especiais, como o músico Curumim, Pacha Ana e Abel Dy Anjos.
A pandemia atrapalhou a divulgação do álbum e, com isso, Karola se dedicou a trabalhos audiovisuais junto a um coletivo de artistas mato-grossenses, tratando de temas fortes como questões ambientais, raça e gênero. O material foi premiado em festivais de música e cinema.
A grande referência de Karola é a MPB e, para ela, cantar é mais uma forma de se comunicar do que diversão. Ela segue em uma busca angustiante, que é a definição do seu som, e espera que o público consiga entender a sua música.
Vou deixar aqui um som da Karola Nunes: https://www.youtube.com/watch?v=Z0FN76s-SNU&list=RDZ0FN76s-SNU&start_radio=1


Aline de Silva Lira, cantora, compositora, atriz, escritora e ativista, adotou o nome artístico Kaê Guajajara (@kaekaekae ),que foi dado pelo seu povo. A maranhense teve que deixar sua aldeia rumo à favela da Maré, no Rio de Janeiro, juntamente com sua mãe, em busca de uma vida melhor. Sua aldeia, além de não ser demarcada, sofria com conflitos com os madeireiros. No Rio, teve contato com funk e música periférica e montou um grupo de rap, “Crônicos”.
Quando decidiu seguir carreira solo, ela pensou em não falar sobre as questões indígenas, mas chegou à conclusão de que seu trabalho poderia contribuir para alertar sobre, por exemplo, as violências que uma mulher indígena sofre em uma cidade.
Kaê é muito atuante nas redes sociais, principalmente no Instagram, onde, além de divulgar seu trabalho, ela manifesta seu ativismo por meio de denúncias sobre as questões indígenas.
A música de Kaê é uma união de elementos da língua do seu povo e instrumentos tradicionais com hip hop. As letras falam, entre outras coisas, da vivência dos povos originários no ambiente urbano e da extinção da identidade indígena. No palco, ela busca que a sua imagem seja uma forma de resistência; ela se apresenta com pinturas e acessórios indígenas, valorizando a cultura do seu povo.
Em 2021, seu show foi indicado como o melhor do ano pela “Women’s Music Event” e foi mencionada nos anos de 2022 e 2023 pela “Forbes Mulher” entre as 10 novas e promissoras cantoras brasileiras. Ela lançou em 2022 o primeiro álbum visual indígena da música brasileira, “Kwarahy Tazyr”. A moça é multi; em 2024 lançou seu livro “Descomplicando com Kaê Guajajara – o que você precisa saber sobre os povos originários e como ajudar na luta antirracista”. Kaê segue quebrando barreiras; foi a primeira mulher indígena a se apresentar no festival The Town.
A artista já lançou três EPs e quatro álbuns e fundou o selo “Azuruhu”, que é voltado ao desenvolvimento e divulgação de artistas indígenas.
É muito bom ver artistas com tanto talento e personalidade para manter viva a identidade e cultura do seu povo.
Vou deixar aqui um link de uma música de Kaê: https://www.youtube.com/watch?v=lcGgjwnrO7U&list=RDlcGgjwnrO7U&start_radio=1
