Música preta brasileira!
Nessa edição, vou falar de artistas que, na minha opinião, merecem mais visibilidade. A grande mídia, infelizmente, não está interessada em mostrar esse tipo de artista, que faz trabalhos mais elaborados, mas isso não quer dizer que sejam de difícil assimilação. Também não estão começando as suas carreiras, mas podemos dizer que fazem parte da nova MPB. Vou começar destacando a cantora, compositora, atriz, ativista e pesquisadora sergipana, Héloa (@heloaeu). Quando ainda estava na faculdade cursando artes visuais, Héloa teve sua primeira experiência com banda. Muito antes disso, aos treze anos, ela começou a estudar canto lírico, dança e teatro. Em 2013, ela lançou o Ep “Solta”, com esse primeiro trabalho ela conseguiu ganhar prêmios e fez uma turnê pelo nordeste. Com a boa aceitação de seu trabalho, Héloa percebeu que era hora de mudar para um grande centro cultural, a cidade de São Paulo, isso em 2016. Nesse mesmo ano, ela lança o álbum “Eu” e já consegue uma boa repercussão tanto da crítica quanto do público. O álbum “Opará”, lançado em 2019, teve total influência da imersão da cantora na religião afro-brasileira e no contato com os indígenas da tribo Kariri-Xocó. Em dezesseis anos de carreira, podemos constatar que Héloa busca uma troca com artistas e ativistas negros e indígenas, buscando a exaltação da força das raízes das matrizes africanas e indígenas, mostrando a sonoridade dos povos de terreiro e de aldeia. Algo interessante no trabalho de Héloa é como ela consegue unir elementos de suas raízes ancestrais com a música contemporânea, juntando a percussão com bases eletrônicas. Ela é mais um grande talento que deve ser mais vista! Como sempre, vou deixar aqui um link de uma música dela: https://www.youtube.com/watch?v=a7ShNYWvtDY&list=RDEMKx867ofCcEFzhReJOqDQkg&index=2 O Soul de brasileiro (@soudebr) é um trio vocal carioca que iniciou suas atividades em 2005, é formado por Negra Silva, José Júnior e Ge Vieira, o grupo chamou atenção em 2011 quando foi finalista do Favela Festival. O som deles é uma mistura de soul music, MPB e jazz, enfatizando a cultura afro-diaspórica. Dessa salada surge algo totalmente brasileiro. O Ep “Ciclo 4” foi lançado em 2021 e teve a produção e direção artística da grande Sandra de Sá. Com harmonias vocais elaboradas, eles mostram força no seu canto. A ideia do grupo é retratar a periferia como um local onde também existe arte, fé e raízes ancestrais. Celebrando o que há de bom nesses locais, assim como resistência e orgulho de suas origens. No significativo mês da consciência negra, em 2025, foi lançado o single “De onde eu vim”, que é o primeiro single do primeiro álbum do trio, que terá o título de “Sou”. Para divulgar a faixa, foi produzido um clipe documental gravado na Vila Kennedy, comunidade onde os integrantes nasceram. A canção foi gravada no lendário estúdio “Toca do Bandido” com distribuição da Universal Music Brasil. O aguardado primeiro álbum do trio deve trazer toda a energia da periferia, fundindo soul music, samba e poesia urbana. Vem coisa boa por aí. Enquanto esse disco não vem, vou deixar aqui um link de uma música do trio: https://www.youtube.com/watch?v=TDUydZEw52M&list=RDTDUydZEw52M&start_radio=1
