Literatura punk/rock!

Na coluna de hoje, vou destacar livros que retratam a história do punk e do rock piauiense. Vou começar com a biografia de uma das principais bandas do Piauí, “Narguilé hidromecânico”  ( @narguilehidromecanico), o título é “A alegria da festa é o que me resta”, escrito pelo vocalista e  um dos fundadores da banda, Fábio Crazy Christian (@fabiocrazychristian). A banda surgiu em 1998, com a proposta de fazer um som com muito groove nas guitarras, misturadas com percussão, zabumba, triângulo e ainda durante uma fase, a banda contou com um DJ mandando uns beats eletrônicos. Com esses instrumentos, eles mesclavam rock com forró, reggae e hardcore, mas com o passar do tempo, a banda ficou com um som mais direto, mas sem deixar de lado as influências de Luiz Gonzaga, Raimundo Soldado e Maria da Inglaterra. O Fábio conta a história da banda de um jeito fluido, deixando a leitura ainda mais prazerosa. Como toda biografia, o livro mostra como a banda surgiu e as “aventuras” pelo sul do país, onde por pouco a banda não fechou contrato com uma produtora que provavelmente levaria a banda a ter o reconhecimento nacional que merece. Não vou dar mais spoilers, quem quiser saber mais, pode acessar o link https://clubedeautores.com.br/livro/a-alegria-da-festa-e-o-que-me-resta.   “Chakal” foi lançado em dezembro de 2021, publicado pela editora Cancioneiro ( @editora_cancioneiro ) e escrito pelos historiadores  Aristide Oliveira, Heitor Matos e com a colaboração de Altaíde Pedreira, o próprio Chakal. A biografia teve como principal objetivo mostrar a evolução do adolescente Altaíde, até chegar ao professor e vocalista da banda “Obtus”. Ele é um dos ícones do hardcore piauiense, tanto participando de bandas como produzindo fanzines, com isso o que não falta é história para contar sobre o underground piauiense. Boa parte do livro é sobre a banda “Obtus” onde Chakal atua há três décadas. O livro é um relato sobre a cena punk desde os primórdios, sem deixar de lado outros gêneros do rock pesado, Chakal tem histórias incríveis que também mostram a dificuldade de se fazer música pesada no estado, fala das influências sonoras e da vivência de Altaíde na escola e como era  o acesso a discos, revistas e camisetas, itens importantes na vida de qualquer roqueiro. Vale a pena conhecer um pouco mais desse cara carismático e gente boa, que é um dos grandes do nosso underground. Para adquirir o livro, você pode entrar em contato com o próprio Chakal (@chakalpedreira) ou com Aristides Oliveira (86 998345393). “Vozes do punk”, o livro foi publicado pela editora Cancioneiro e escrito a três mãos pelo escritor, pesquisador nas áreas de música, cinema e cultura brasileira dos anos 70 e professor da UFPI Aristide Oliveira, Dante Galvão ( @dantegalvão),  ex-vocalista da banda “Anarcóticos” , professor e sociólogo, e por Eduardo Djow ( @eduardodjow ), vocalista da banda “Miséria”, criador da página “Piauí punk” e produtor de eventos punk/hardcore como “Arraiá da desgraça”. A publicação mostra, por meio de fatos e entrevistas, como era ser punk em Teresina nos anos 80. Além de ter que enfrentar o conservadorismo dos pais, os eventos eram escassos, então o que levava o movimento à frente eram os encontros nas praças onde rolavam debates sobre questões políticas e sociais, planos para realização de shows e também a troca de informações através de fanzines e revistas sobre o movimento, bandas locais, nacionais e internacionais. Pra quem se interessou vou deixar aqui o link para compra do livro: https://www.editoracancioneiro.com.br/vozes-do-punk. E para celebrar a trajetória de uma das melhores, se não a melhor banda de hardcore do Piauí, foi lançado esse ano o livro “Obtus”  30 anos de porrada”, escrito por Aristides Oliveira em parceria com Altaíde Pedreira, o Chakal, vocalista da banda. O livro encerra de certa forma uma trilogia sobre o punk/hardcore no Piauí que começou com a publicação de “Chakal”. A publicação retrata através de depoimentos de membros da banda desde a formação até hoje, experiências vividas ao longo de três décadas. Além de mostrar a história da banda o livro expõe uma visão de como era a identificação da  juventude piauiense com o punk/hardcore . O lançamento é fruto de uma campanha colaborativa nas redes sociais, financiada pelos fãs da banda e pra adquirir esse relato histórico você pode acessas o site da editora Debulhar, (https://editoradebulhar.com.br/), ou diretamente com os autores Arítides Oliveira (86 998345393) e Altaíde Pedreira (

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Rock x Religião

Uma das principais características do rock é a contestação. O estilo veio, entre outras coisas, para questionar o que a sociedade impõe. Nessa coluna, irei destacar algumas músicas que questionam a religião ou fatos relacionados a ela, que é uma das coisas mais importantes na vida dos seres humanos e que, na minha opinião, é algo de extrema necessidade, mas que acaba sendo usada para as mais diferentes finalidades que não o bem, podendo se tornar uma das piores coisas que existem no mundo. Afinal, quem pode imaginar ter sentido uma guerra, ou seja, matar em nome de Deus? A verdade é que a usam basicamente para manipular e alienar os fiéis e ainda enriquecer algumas pessoas. Dito isso, vou listar algumas bandas ou artistas brasileiros que meteram o dedo na ferida, usando o rock da melhor forma possível. A primeira é a Plebe Rude, banda de Brasília que foi formada em 1981 e faz um punk rock, como não poderia deixar de ser, com críticas sociais e políticas. A banda se destacou por não se prender ao estilo, digamos, engessado do punk, misturando influências de bandas inglesas a arranjos e melodias mais elaboradas. A música em questão é “Até quando esperar”, que faz uma crítica ao capitalismo e, ao mesmo tempo, em alguns trechos, uma analogia entre o sistema econômico e a religião. Por exemplo, no trecho “E cadê a esmola que nós damos sem perceber que aquele abençoado poderia ter sido você?”, às vezes não percebemos que a nossa generosidade ao dar esmolas não é suficiente para diminuir as desigualdades e “aquele abençoado” poderia tanto ser o patrão ou Jesus, passando a ideia de que a pessoa teria uma vida melhor. E para fechar essa resumida análise, o refrão que diz “Até quando esperar a plebe ajoelhar esperando a ajuda de Deus”, enquanto o povo estiver ajoelhado rezando, nada irá mudar. Os caras estão na ativa e, como muitas coisas ainda não mudaram no país, eles continuam tendo de onde tirar inspiração para compor. Ele não poderia ficar de fora dessa lista. Raul Seixas é um dos caras que personificam o rock. Suas letras e músicas incríveis, além de nos divertir, nos levam à reflexão, como no caso de “Rock do Diabo”. Nessa letra, Raul fala da conexão e influência do diabo no rock, o ser do “mal” incita a rebeldia e liberdade que são coisas enfatizadas pelo rock. Proclamando o diabo como pai do estilo, ele sugere o poder do gênero musical que desafia as normas sociais. E para finalizar essa lista que poderia ser bem maior, uma música de uma das maiores bandas brasileiras que eu admiro que é a “Titãs”, também porque eles fizeram e fazem o que querem. Começaram com um som meio new wave, mais à frente flertaram com música eletrônica, mas o que eles sabem fazer melhor é o rock com muita guitarra e letras contundentes, como em “Igreja”. Os caras não tiveram receio de que a letra fosse trazer problemas, por vivermos infelizmente (na minha opinião) em um dos países mais religiosos do mundo, um dos motivos de sermos atrasados cultural e socialmente. Não concordo com tudo que a letra diz. Dito isso, uma das coisas que me chama atenção é que os versos dessa música vão direto ao ponto, sem rodeios, como podemos perceber logo no primeiro trecho: “Eu não gosto de padre, eu não gosto de madre, eu não gosto de Frei, eu não gosto de bispo, eu não gosto de cristo, eu não digo amém”. Eu incluiria “eu não gosto de pastor”, mas na época esse tipo não estava tão em evidência como (infelizmente) hoje em dia. Essa é uma das minhas preferidas da banda, pois além de tudo levanta a bandeira da liberdade de expressão e o inconformismo com instituições que fazem mal à humanidade, quando deveria justamente ser o contrário. E como de praxe deixo aqui os links das músicas: Plebe Rude.https://www.youtube.com/watch?v=Hau9i7FiVfM&pp=ygUecGxlYmUgcnVkZSBhdMOpIHF1YW5kbyBlc3BlcmFy Raul Seixas https://www.youtube.com/watch?v=uxzIiAQFTWM&pp=ygUacmF1bCBzZWl4YXMgcm9jayBkbyBkaWFibyA%3D Titãs https://youtu.be/ppQUPskpcvs

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