Ideias e improvisos que deram muito certo!
A produção de uma música, pode evidenciar detalhes que às vezes se sobressaem tanto que fazem com que a música seja lembrada por um arranjo ou som que, em alguns casos, não fazia parte no ato da composição ou poderia não combinar com a música, mas que acabam dando muito certo e se tornam tão importantes quanto a própria música! O produtor ou algum músico da banda pode sugerir algo diferente, por exemplo, um solo de um instrumento que não faz parte do som da banda, como flauta, saxofone, violinos, enfim, vai depender da criatividade na hora de produzir a música. Em alguns casos, pode ser um solo de guitarra que se destaca, como na música “Ovelha Negra” de Rita Lee e Tutti Frutti, que faz parte do disco “Fruto Proibido”. O guitarrista Luiz Carlini (@luizcarlini_oficial) fez no primeiro take de gravação o solo que é considerado o melhor do rock brasileiro. Reza a lenda que ele quis refazer, mas o produtor não deixou e o que foi publicado foi mesmo o da primeira tentativa e totalmente de improviso! O solo é dotado de uma certa simplicidade combinada com muita emoção, provavelmente por isso seja uma referência para críticos e músicos. Eu não poderia deixar de fora desse post um dos arranjos mais incríveis da história do rock brasileiro e o responsável é Willy Verdaguer (@willy.verdaguer) esse argentino é entre outras coisas maestro, arranjador e exímio baixista, ele é o cara responsável pelos arranjos de baixo de dois dos mais importantes álbuns lançados no Brasil, esse músico tocou nos clássicos discos dos “Secos e Molhados”, dito isso vou falar de um dos vários arranjos incríveis de Willy o da música “Amor” do primeiro álbum da banda que foi lançado em 1973, essa linha de baixo é emblemática e mostra como o baixista ajudou a moldar o som da banda, o que ele fez é tão incrível que virou alvo de estudo para músicos, muitos instrumentistas praticam essa parte da música para desenvolver sua técnica. E esse é só um dos vários arranjos legais dos discos, participar de dois discos lendários e se destacar não é para qualquer um. Abaixo vou colocar o link com o arranjo citado acima. https://www.youtube.com/watch?v=xGzAuG6B208&list=RDxGzAuG6B208&start_radio=1&pp=ygUwd2lsbHkgdmVyZGFndWVyIHRvY2FuZG8gbyBhcnJhaj1uam8gZGUgYW1vciBhbW9yoAcB No rock internacional posso citar a vocalização na canção “The great gig in the sky”, que está no clássico album do Pink Floyd “Dark side of the moon”, e a dona da voz é Clare Torry. A princípio, não havia essa parte na composição. O engenheiro de som Alan Parsons foi quem teve a ideia de incluir esse trecho que foi feito praticamente de improviso, mais um acaso que entrou para a história do rock. Abaixo vou deixar o link de um trecho da música “The great gig in the sky”, ao vivo com Clare Torry brilhando na vocalização citada. https://www.youtube.com/shorts/0r7TRHXeiq8?feature=share Outro fato a ser destacado é o solo de guitarra do lendário Ed Van Halen na música “Beat it” de Michael Jackson. O cantor chamou para produzir seu disco “Thriller” que viraria um clássico do pop, nada mais nada menos do que Quincy Jones, um dos maiores produtores musicais de todos os tempos. Jones concordou com a intenção de Michael de que a música alcançasse todos os públicos, por isso pensou em Ed para participar da música. Engraçado que o próprio Quincy ligou para fazer o convite ao guitarrista que desligou o telefone várias vezes na cara do produtor por não acreditar que fosse Quincy ligando para ele, mas depois pensou bem, atendeu e acabou aceitando o convite. Segundo Ed Van Halen, sem pedir permissão a Michael, ele rearranjou a música porque na parte do solo não tinha nenhum acorde. Lógico, depois ele avisou ao cantor que adorou tudo que Ed fez. Havia um problema para a participação do guitarrista, era que Ed tinha um pacto com sua banda Van Halen de não participar de gravações ou shows de outros artistas e para que os companheiros de banda não soubessem, o nome do guitarrista não foi creditado no disco e de cachê Ed pediu uma caixa de cerveja e que Michael lhe ensinasse alguns passos de dança. Um valor irrisório para um solo que, de tão bom, virou um dos pontos altos da música. Segue abaixo o link de Ed Van Halen fazendo o solo em um show com Michael Jackson. https://www.youtube.com/watch?v=ShV2Hu8veoE&list=RDShV2Hu8veoE&start_radio=1 Eu poderia enumerar vários casos como esses que aconteceram tanto na MPB, na música pop e no rock, talvez possa rolar a parte dois dessa coluna. Até a próxima!
