Dois gênios pouco conhecidos, Moacir Santos e Téo Azevedo!

Às vezes fico pensando quantos artistas incríveis, não conseguem ter o reconhecimento que merecem em termos de popularidade. Hoje vou mostrar dois que conheci recentemente, que são muito respeitados por quem conhece bem a música brasileira, e um deles fez até trabalhos fora do país, então vamos ver quem são eles.   Moacir Santos, compositor, arranjador, multi-instrumentista e maestro, completaria cem anos em julho deste ano. O pernambucano de Flores do Pajeú,  ficou órfão aos dois anos de idade e foi adotado por uma família branca que lhe ofereceu educação formal e musical. Por outro lado, sofria maus-tratos e, aos quatorze anos, fugiu de casa. Aos nove anos, ele brincava de banda de música com os amigos nas ruas de sua cidade,  aos dez, a banda já tocava marchinhas. Foi o início de sua vivência com a música. Quando fugiu de casa, vagou pelo Nordeste, tocando em bandas militares e de circos. Nessas andanças, foi para João Pessoa e ainda nem tinha dezoito anos quando comandou a Orquestra da Rádio Tabajara. Foi para o Rio de Janeiro com vinte e dois anos, seu talento foi rapidamente reconhecido e logo se tornou saxofonista da Orquestra da Rádio Nacional. Não demorou a ser promovido a arranjador e regente,  nessa época trabalhou com Radamés Gnatalli. A partir daí, foi estudar música clássica com maestros renomados como Guerra Peixe e Cláudio Santoro. Após se formar, como professor, ajudou a criar uma geração nova de músicos incríveis, por exemplo, Baden Powell, Sérgio Mendes e João Donato,  só por esses nomes, já dá para ter uma ideia da importância de Moacir para a cultura brasileira. Moacir deixou sua marca no chamado “Cinema Novo”, compondo trilhas sonoras de alguns filmes. Uma parte delas foi lançada no disco que é considerado sua obra-prima, “Coisas”, no início da década de sessenta. Um fato interessante é que ele nomeou as canções do disco baseado na forma erudita de catalogar  e as chamou de “coisas”, por exemplo, “Coisa 1” e assim sucessivamente. A sonoridade do disco era uma fusão de “Big Band Jazz” com ritmos afro-brasileiros. Quando foi lançado, teve pouca repercussão, mas, com o tempo, recebeu a devida aclamação, o “The New York Times” disse que a obra era “uma das grandes realizações da música brasileira moderna”. Nessa mesma época, arranjou álbuns de Elizeth Cardoso e Baden Powell. Em 1967, mudou-se para os Estados Unidos, foi convidado a compor trilhas para filmes de Hollywood. Um fato estranho é que os seus trabalhos não foram creditados, apenas “Final Justice” foi oficialmente registrado. Moacir permaneceu por lá até o fim dos seus dias. O álbum “Ouro Negro”, lançado em 2001, foi um projeto criado por Zé Nogueira e Mário Adnet, para regravar composições de Moacir e teve a participação de Milton Nascimento, João Donato e Gilberto Gil. O disco reacendeu o interesse pela obra do artista no Brasil e no exterior. Pouco antes de falecer nos EUA, em 6 de agosto de 2006, Moacir recebeu o Prêmio Shell de Música e o Prêmio Tim. Moacir dominava vários instrumentos e é considerado um dos grandes mestres da renovação harmônica da música brasileira. Com certeza é mais um artista que merece ter sua obra divulgada para que mais brasileiros possam desfrutar da sua arte. Deixo aqui um link de uama de suas músicas: https://www.youtube.com/watch?v=L8DCv2RQba0&list=PLmMoWdh-X390nixGG5M8giWOeIrcqa8cb&index=7   Téo Azevedo, foi cantor, compositor, repentista, violeiro, folclorista, escritor, produtor musical e radialista. Mineiro de Bocaiúva, seguiu os passos do pai, que era seresteiro, folião de reis, repentista e cantador popular. Para ajudar a família, trabalhou de engraxate e, nessa época, começou a cantar repentes e participar de concursos de calouros em parques e circos. Aos 16 anos, já em Belo Horizonte, se apresentava nas ruas cantando repentes. Por conta disso, foi preso por vadiagem e, para se livrar da prisão, criou um repente que dizia que era um crime prender um cantador. O delegado gostou tanto que o soltou e autorizou que ele continuasse a se apresentar nas ruas. Não tinha tempo ruim para Téo, e sua vida não foi fácil. No começo dos anos 60, foi campeão de boxe e se apresentava em casas de shows cantando repente. Em 1965, gravou no estúdio Discobel, seu primeiro disco, “Brasil Terra da Gente”. Três anos depois, foi apontado pelo cronista Gerson Evangelista como o melhor compositor mineiro do ano. Quando chegou em São Paulo em 1969, conheceu o cantador alagoano Guaiatã de Coqueiros, e com ele aprendeu todas as modalidades de cantorias nordestinas. Cantou nas ruas, onde passava o chapéu em busca de uns trocados, e na Feira de Arte da Praça da República, chegou a cantar com um jovem pernambucano que iniciava sua carreira artística, Alceu Valença. Junto a outros companheiros, criou em 1980 a ARPPNM, Associação de Repentistas Populares do Norte de Minas. No mesmo ano, conheceu Zé Coco do Riachão, violeiro e tocador de rabeca, do qual produziu os primeiros discos. Ele se dedicou também à literatura, sempre enfatizando a cultura regional. Seu primeiro livro foi “Literatura Popular do Norte de Minas”. Em seu segundo livro, “Plantas medicinais e Benzeduras”, ele captou o depoimento de mais de 120 curandeiros e benzedeiras. Téo musicou várias peças de teatro. Além de algumas de Guimarães Rosa, musicou também um especial sobre ele para a FM Cultura de São Paulo e, para uma TV alemã, um especial sobre “Grandes Sertão Veredas” e outro sobre “Cantigas de vaqueiro e repentistas”. Com o saxofonista Bobby Keys, que tocou nos Rolling Stones, gravou uma versão de “For Bobby Keys” de Michael Grosman, e com Charlie Musselwhite, considerado o maior gaitista de blues do mundo, gravou de sua autoria “Puxe o fole sanfoneiro, Dominguinhos tocador”. A canção foi indicada como a melhor do disco. Vou ter que resumir os feitos de Téo, sua obra é muito extensa. Ele teve mais de 1.500 músicas gravadas por outros artistas, entre eles Luiz Gonzaga, Clemilda e Zé Ramalho, a lista chega a mais de vinte. Até o ano de 2000, era considerado o terceiro compositor com mais músicas gravadas no Brasil e compôs mais de 2.500. E, até…

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Literatura punk/rock!

Na coluna de hoje, vou destacar livros que retratam a história do punk e do rock piauiense. Vou começar com a biografia de uma das principais bandas do Piauí, “Narguilé hidromecânico”  ( @narguilehidromecanico), o título é “A alegria da festa é o que me resta”, escrito pelo vocalista e  um dos fundadores da banda, Fábio Crazy Christian (@fabiocrazychristian). A banda surgiu em 1998, com a proposta de fazer um som com muito groove nas guitarras, misturadas com percussão, zabumba, triângulo e ainda durante uma fase, a banda contou com um DJ mandando uns beats eletrônicos. Com esses instrumentos, eles mesclavam rock com forró, reggae e hardcore, mas com o passar do tempo, a banda ficou com um som mais direto, mas sem deixar de lado as influências de Luiz Gonzaga, Raimundo Soldado e Maria da Inglaterra. O Fábio conta a história da banda de um jeito fluido, deixando a leitura ainda mais prazerosa. Como toda biografia, o livro mostra como a banda surgiu e as “aventuras” pelo sul do país, onde por pouco a banda não fechou contrato com uma produtora que provavelmente levaria a banda a ter o reconhecimento nacional que merece. Não vou dar mais spoilers, quem quiser saber mais, pode acessar o link https://clubedeautores.com.br/livro/a-alegria-da-festa-e-o-que-me-resta.   “Chakal” foi lançado em dezembro de 2021, publicado pela editora Cancioneiro ( @editora_cancioneiro ) e escrito pelos historiadores  Aristide Oliveira, Heitor Matos e com a colaboração de Altaíde Pedreira, o próprio Chakal. A biografia teve como principal objetivo mostrar a evolução do adolescente Altaíde, até chegar ao professor e vocalista da banda “Obtus”. Ele é um dos ícones do hardcore piauiense, tanto participando de bandas como produzindo fanzines, com isso o que não falta é história para contar sobre o underground piauiense. Boa parte do livro é sobre a banda “Obtus” onde Chakal atua há três décadas. O livro é um relato sobre a cena punk desde os primórdios, sem deixar de lado outros gêneros do rock pesado, Chakal tem histórias incríveis que também mostram a dificuldade de se fazer música pesada no estado, fala das influências sonoras e da vivência de Altaíde na escola e como era  o acesso a discos, revistas e camisetas, itens importantes na vida de qualquer roqueiro. Vale a pena conhecer um pouco mais desse cara carismático e gente boa, que é um dos grandes do nosso underground. Para adquirir o livro, você pode entrar em contato com o próprio Chakal (@chakalpedreira) ou com Aristides Oliveira (86 998345393). “Vozes do punk”, o livro foi publicado pela editora Cancioneiro e escrito a três mãos pelo escritor, pesquisador nas áreas de música, cinema e cultura brasileira dos anos 70 e professor da UFPI Aristide Oliveira, Dante Galvão ( @dantegalvão),  ex-vocalista da banda “Anarcóticos” , professor e sociólogo, e por Eduardo Djow ( @eduardodjow ), vocalista da banda “Miséria”, criador da página “Piauí punk” e produtor de eventos punk/hardcore como “Arraiá da desgraça”. A publicação mostra, por meio de fatos e entrevistas, como era ser punk em Teresina nos anos 80. Além de ter que enfrentar o conservadorismo dos pais, os eventos eram escassos, então o que levava o movimento à frente eram os encontros nas praças onde rolavam debates sobre questões políticas e sociais, planos para realização de shows e também a troca de informações através de fanzines e revistas sobre o movimento, bandas locais, nacionais e internacionais. Pra quem se interessou vou deixar aqui o link para compra do livro: https://www.editoracancioneiro.com.br/vozes-do-punk. E para celebrar a trajetória de uma das melhores, se não a melhor banda de hardcore do Piauí, foi lançado esse ano o livro “Obtus”  30 anos de porrada”, escrito por Aristides Oliveira em parceria com Altaíde Pedreira, o Chakal, vocalista da banda. O livro encerra de certa forma uma trilogia sobre o punk/hardcore no Piauí que começou com a publicação de “Chakal”. A publicação retrata através de depoimentos de membros da banda desde a formação até hoje, experiências vividas ao longo de três décadas. Além de mostrar a história da banda o livro expõe uma visão de como era a identificação da  juventude piauiense com o punk/hardcore . O lançamento é fruto de uma campanha colaborativa nas redes sociais, financiada pelos fãs da banda e pra adquirir esse relato histórico você pode acessas o site da editora Debulhar, (https://editoradebulhar.com.br/), ou diretamente com os autores Arítides Oliveira (86 998345393) e Altaíde Pedreira (@chakalpedreira).

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literatura Rocker

    Destaco nessa coluna, dois livros escritos por roqueiros piauienses, o primeiro é “Chakal” escrito por Altaídes Pedreira o Chakal. Aristides Oliveira e Heitor Matos e foi lançado pela editora Cancioneiro. O livro é biográfico e fala da vivência do vocalista Chakal da banda óbtus que é referência no punk/hardcore do Piauí, que também  é sem dúvida um dos melhores frontmans do Piauí e além disso é um cara querido por todos. O eixo central do livro são as lembranças de Chakal no cenário musical de Teresina, mais especificamente ligadas ao metal e hardcore, só na banda óbtus são vinte anos de estrada. Então ele acompanhou de perto o underground teresinense e como foi a evolução e as barreiras que as bandas tem de ultrapassar pra se manter na ativa. É uma excelente dica pra quem quer conhecer melhor o underground teresinense. O segundo destaque, não menos importante é o livro “A alegria da festa é o que me resta”, escrito pelo vocalista e um dos fundadores da banda Narguilé Hidromecânico, Fábio Crazy. O livro conta a trajetória da banda que pra mim é a melhor que apareceu por aqui, a princípio o som dos caras era uma mistura de rock com ritmos regionais e foi ficando mais rock´n roll com o passar do tempo. Os shows da banda são uma verdadeira celebração, com performances energéticas e hipnotizantes, a banda ganhou mais punch e versatilidade com a entrada do guitarrista André de Sousa, na minha modesta opinião o melhor do Piauí. Recomendo demais por que é um livro que você lê de uma tacada só, a publicação lançada pelo clube dos autores, basicamente narra sobre a ascensão meteórica da banda em Teresina e as andanças e experiências por outros estados, pelos relatos do autor faltou pouco pra banda ter uma visibilidade maior, talvez até ser reconhecida nacionalmente, atributos não faltam. Enfim, duas excelentes dicas pra quem quer conhecer mais sobre o rock piauiense, os livros podem ser adquiridos diretamente com os autores, aqui vai os contatos de Chakal @chakalpedreira e de Fábio Crazy @fabiocrazychristian. E como sempre faço vou deixar links de vídeos da banda óbtus e da Narguilé hidromecânico. Óbtus https://www.youtube.com/watch?v=Uk0yDL3_aKQ Narguilé Hidromecanico https://www.youtube.com/watch?v=i_VvYH5_rGk

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