Tangolo Mangos e Papangu!
Dessa vez vou falar de duas bandas de rock brasileiras, nordestinas, que fazem um som de primeiríssima qualidade, são elas Tangolo Mangos e Papangu. A Tangolo Mangos (@tangolomangos ), foi formada em 2017, na cidade de Salvador, por Felipe Vaqueiro, vocalista da banda; a princípio era um projeto para gravar as canções compostas por Felipe, mas ele percebeu que precisava fazer algo coletivo, com outras ideias e composições, e assim, junto com alguns colegas da universidade, surgiu um grupo que tem seu som descrito como “camaleônico, diverso, miscelânico e eclético”; essas denominações vêm da mistura de MPB, rock, psicodelia e ritmos nordestinos, é uma “fórmula” que já foi usada por outras bandas, mas o Tangolo se sobressai pela criatividade. A atual formação, além de Felipe, conta com Bruno Fecchine (Neca), vocais, guitarra e percussão, João Antônio Dourado, bateria e percussão, João Denovaro, baixo e percussão, e Theo Kiono, guitarra. O grupo começou a se destacar na cena e, em 2019, de forma totalmente independente, eles lançam o EP “Mangas a caminho da feira n 1”; a engenharia de som, captação, produção e mixagem foram feitas pela própria banda, contando com algumas parcerias. O grupo se hospedou em um sítio durante dez dias para gravar o material. Os caras são adeptos da cultura do “Faça você mesmo”, mas alguns processos de finalização do disco são mais caros e a banda não tinha como arcar, então veio a ideia do financiamento coletivo e deu muito certo; a resposta foi rápida e surpreendeu a banda. Nesse mesmo ano iniciaram a produção de um novo material, mas aí veio a pandemia e o processo foi interrompido; como não poderiam se encontrar, eles usaram as formas possíveis para gravar as músicas que resultaram no EP “tngl_mngs.rar”; o disco conta com as participações de Colibri e André Becker, ambas gravadas através de smartphones. Em 2022 a banda volta aos palcos, se apresentou no Teatro Casto Alves e iniciou a produção do seu primeiro álbum completo, “Garatujas”, que também foi gravado em salas, quartos e estúdios de Salvador; para comemorar o lançamento, foi feita uma audição pública no dia 05 de dezembro, no Teatro Cambará da Casa Rosa. No dia 08 de dezembro o álbum chegou às plataformas de streaming; a boa repercussão do disco levou a banda a fazer turnês pelo Brasil e até na Europa. O segundo álbum da banda, “Pedágios Y Caronas”, dessa vez com um novo desafio para os integrantes, gravar em um estúdio profissional, essa experiência resultou em um som mais direto e sólido. O álbum foi lançado esse ano; com meia hora de duração, o disco abre ainda mais o leque sonoro da banda; nesse novo trabalho eles evoluíram tanto na parte técnica como nas composições, com refrões fáceis de cantar e harmonias difíceis de esquecer. Vou deixar aqui o link de uma música: https://www.youtube.com/watch?v=MXosW_YTzgc&list=RDMXosW_YTzgc&start_radio=1 O Papangu (@papangu.br), foi formado em 2012 na cidade de João Pessoa, só agora no começo de 2026 que o som desses caras chegou até mim, logo eu que pesquiso tanto e gosto tanto de rock progressivo. E o que essa banda faz é muito bom, eles conseguem mesclar, rock progressivo, jazz fusion, black metal com ritmos nordestinos, uma missão difícil mas muito bem concretizada. Em 2021, quando lançou seu primeiro disco “Holoceno” foi logo considerada uma grande revelação do rock brasileiro e o álbum entrou na lista entre os 50 melhores discos do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte e também figurou em sites e revistas especializadas como um dos melhores lançamentos do ano no Brasil e no exterior. O segundo disco “Lampião Rei” foi lançado em setembro de 2024, a princípio pelo selo britânico “Repose Records”, é um disco que vem com um som mais refinado, sem deixar de lado os blast beats, vocais guturais e linhas de baixo marcantes, que foram gravadas pelo baixista Phelipe Bussonet, ex integrante da banda francesa Magma, que é uma das influências do Papangu. No Brasil o disco só foi lançado em 2025 pelo selo paraibano Taioba Discos e novamente a banda teve um disco selecionado entre os 50 melhores do ano pela APCA. Em agosto desse mesmo ano a banda faz sua primeira turnê pela Europa, participando de festivais na Inglaterra e Holanda, eles aproveitaram que estavam por lá e foram até Berlim, gravar o terceiro disco “Celestial”, produzido por Richard Behrens que já havia trabalhado no álbum “Lampião Rei”, a captação, mixagem e masterização foram feitas totalmente de forma analógica, essa atitude é uma forma de se posicionar contra o uso de inteligência artificial na música. Uma banda com as influências e sonoridade do Papangu tem um desafio muito grande, o risco de fazer algo repetitivo e sem originalidade é grande, mas eles conseguem de forma impressionante fazer um som que tem ecos do passado, está sintonizado com o presente e aponta para o que virá. Como sempre faço vou deixar aqui o link de uma música da banda: https://www.youtube.com/watch?v=K_yy9hua9L8&list=RDK_yy9hua9L8&start_radio=1
