Ney Matogrosso, 85 Anos de Ousadia!

Um dos ícones da música brasileira, Ney Matogrosso, anuncia mais uma turnê e, aos 85 anos, nem pensa em parar. Ele diz que, enquanto tiver prazer em se apresentar, vai continuar; que bom para nós. Com um sangue latino que parece ferver mais que o normal e uma alma incrivelmente cativante, ele segue em uma carreira onde, segundo ele, ousadia nada mais é do que caminhar com liberdade. A vontade de ser livre fez com que ele saísse de casa, e os conflitos com o pai militar também contribuíram para isso, mas provavelmente, mesmo que não existisse esse conflito familiar, Ney buscaria a liberdade de ser artista. Após sair de casa, Ney foi morar em Brasília, na casa de um primo, teve empregos formais, mas não deixou a arte de lado, atuou em peças de teatro e, em busca desse sonho, foi para o Rio de Janeiro, onde adotou a cultura “hippie” como modo de vida e fazia artesanato para sobreviver. Nas andanças entre Rio e São Paulo, conheceu João Ricardo, que estava à procura de um cantor para um conjunto musical, e convidou Ney para entrar no “Secos & Molhados”. Gravaram dois discos antológicos e, no auge de um sucesso surpreendente e meteórico, Ney, insatisfeito com a forma que foi feita a mudança do empresário da banda, decidiu sair; isso ocorreu em 1974. Acredito que muitos outros pensariam duas vezes, mas talvez ele já soubesse que aqueles dois discos serviriam como impulso para sua carreira solo. No ano seguinte à saída da banda, Ney lança seu primeiro álbum, “Água do Céu-Pássaro”, com um direcionamento considerado vanguardista e extravagante; esse primeiro trabalho não vendeu bem, um dos poucos destaques foi a música “América do Sul”. Com o segundo disco, “Bandido”, Ney começou a ter o reconhecimento merecido; a música “Corazon Bandido”, composta por sua amiga Rita Lee, foi seu primeiro sucesso, e o espetáculo montado para divulgar o disco é considerado um dos mais ousados da sua carreira. A partir daí, ele segue gravando bons discos, criando figurinos exóticos que, junto à sua voz incrível e a uma presença de palco única e magnética, o levaram ao patamar de ídolo da música brasileira. Ney, mesmo fazendo sucesso na música, ainda se arriscava em outras áreas, como no teatro, onde projetava a iluminação de peças, e também foi diretor artístico da banda “RPM”, uma das maiores do rock brasileiro. Alguns anos depois, dirigiu o show da histórica turnê “O tempo não para”, de Cazuza. Um dos fatos interessantes nessa trajetória é que Ney gravou vários estilos, passando pelo rock, mambo, fado, MPB, samba e forró; nesse estilo, gravou uma música que fez um grande sucesso, mas que, a princípio, ele achava que não tinha nada a ver com ele, por conta do ritmo. A música é “Homem com H”; para surpresa dele, a música estourou e, de certo modo, foi um marco na ousada carreira de Ney. Além da voz, figurinos e presença de palco, o lado intérprete é um dos pontos fortes desse artista. Ney gravou alguns discos homenageando grandes compositores, como Cartola e Chico Buarque; além disso, fez releituras de clássicos e de músicas que não tiveram grande repercussão, mas que na voz dele ganharam uma vida nova. Outro ponto de destaque na carreira dele é que, ao mesmo tempo que gravou ou interpretou clássicos ou músicas mais rebuscadas, Ney soube explorar músicas mais populares, como no caso de “Homem com H”. Ney sempre esteve aberto a trabalhar com novos talentos; gravou com o grande violonista Rafael Rabello, que infelizmente já nos deixou, trabalhou com Pedro Luiz e a Parede, Ana Cañas, Duda Brack, se apresentou no Rock in Rio com a banda Nação Zumbi, entre muitos outros. Claro que uma carreira como a dele deve ser reverenciada de várias formas, como a cinebiografia “Homem com H”, com direção e roteiro de Esmir Filho, e que teve Jesuita Barbosa como Ney. O filme é bom, mas, na minha opinião, poderia ser melhor; achei que o Jesuita exagerou um pouco nos trejeitos. Até o próprio Ney declarou sobre a atuação do ator que “no geral ele acertou”; para mim, isso quer dizer que não foi o esperado. Posso estar errado quanto à interpretação dessa declaração. A turnê “85 anos de Ousadia” está prevista para apenas dez apresentações, e terá início em janeiro de 2027, mas acredito que, com o sucesso que será, deve ser estendida. Ney diz que revisitará momentos e figurinos marcantes na sua trajetória, com novas propostas visuais, logicamente com a ousadia que é uma de suas marcas. Ele é de Neandertal, é homem com H e bota o bloco na rua, com liberdade e ousadia, que esse sentimento de prazer em se apresentar, dure por muito tempo. Viva a ousadia e o talento de Ney Matogrosso. E aqui vou tentar cumprir a difícil missão de, no meio de tantas, escolher uma grande interpretação de Ney Matogrosso: https://www.youtube.com/watch?v=-39x2OwnLmM&list=PLaLInJb1ogu5dGG0NtZykLyqtIUQIuHuE&index=4

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Dois gênios pouco conhecidos, Moacir Santos e Téo Azevedo!

Às vezes fico pensando quantos artistas incríveis, não conseguem ter o reconhecimento que merecem em termos de popularidade. Hoje vou mostrar dois que conheci recentemente, que são muito respeitados por quem conhece bem a música brasileira, e um deles fez até trabalhos fora do país, então vamos ver quem são eles.   Moacir Santos, compositor, arranjador, multi-instrumentista e maestro, completaria cem anos em julho deste ano. O pernambucano de Flores do Pajeú,  ficou órfão aos dois anos de idade e foi adotado por uma família branca que lhe ofereceu educação formal e musical. Por outro lado, sofria maus-tratos e, aos quatorze anos, fugiu de casa. Aos nove anos, ele brincava de banda de música com os amigos nas ruas de sua cidade,  aos dez, a banda já tocava marchinhas. Foi o início de sua vivência com a música. Quando fugiu de casa, vagou pelo Nordeste, tocando em bandas militares e de circos. Nessas andanças, foi para João Pessoa e ainda nem tinha dezoito anos quando comandou a Orquestra da Rádio Tabajara. Foi para o Rio de Janeiro com vinte e dois anos, seu talento foi rapidamente reconhecido e logo se tornou saxofonista da Orquestra da Rádio Nacional. Não demorou a ser promovido a arranjador e regente,  nessa época trabalhou com Radamés Gnatalli. A partir daí, foi estudar música clássica com maestros renomados como Guerra Peixe e Cláudio Santoro. Após se formar, como professor, ajudou a criar uma geração nova de músicos incríveis, por exemplo, Baden Powell, Sérgio Mendes e João Donato,  só por esses nomes, já dá para ter uma ideia da importância de Moacir para a cultura brasileira. Moacir deixou sua marca no chamado “Cinema Novo”, compondo trilhas sonoras de alguns filmes. Uma parte delas foi lançada no disco que é considerado sua obra-prima, “Coisas”, no início da década de sessenta. Um fato interessante é que ele nomeou as canções do disco baseado na forma erudita de catalogar  e as chamou de “coisas”, por exemplo, “Coisa 1” e assim sucessivamente. A sonoridade do disco era uma fusão de “Big Band Jazz” com ritmos afro-brasileiros. Quando foi lançado, teve pouca repercussão, mas, com o tempo, recebeu a devida aclamação, o “The New York Times” disse que a obra era “uma das grandes realizações da música brasileira moderna”. Nessa mesma época, arranjou álbuns de Elizeth Cardoso e Baden Powell. Em 1967, mudou-se para os Estados Unidos, foi convidado a compor trilhas para filmes de Hollywood. Um fato estranho é que os seus trabalhos não foram creditados, apenas “Final Justice” foi oficialmente registrado. Moacir permaneceu por lá até o fim dos seus dias. O álbum “Ouro Negro”, lançado em 2001, foi um projeto criado por Zé Nogueira e Mário Adnet, para regravar composições de Moacir e teve a participação de Milton Nascimento, João Donato e Gilberto Gil. O disco reacendeu o interesse pela obra do artista no Brasil e no exterior. Pouco antes de falecer nos EUA, em 6 de agosto de 2006, Moacir recebeu o Prêmio Shell de Música e o Prêmio Tim. Moacir dominava vários instrumentos e é considerado um dos grandes mestres da renovação harmônica da música brasileira. Com certeza é mais um artista que merece ter sua obra divulgada para que mais brasileiros possam desfrutar da sua arte. Deixo aqui um link de uama de suas músicas: https://www.youtube.com/watch?v=L8DCv2RQba0&list=PLmMoWdh-X390nixGG5M8giWOeIrcqa8cb&index=7   Téo Azevedo, foi cantor, compositor, repentista, violeiro, folclorista, escritor, produtor musical e radialista. Mineiro de Bocaiúva, seguiu os passos do pai, que era seresteiro, folião de reis, repentista e cantador popular. Para ajudar a família, trabalhou de engraxate e, nessa época, começou a cantar repentes e participar de concursos de calouros em parques e circos. Aos 16 anos, já em Belo Horizonte, se apresentava nas ruas cantando repentes. Por conta disso, foi preso por vadiagem e, para se livrar da prisão, criou um repente que dizia que era um crime prender um cantador. O delegado gostou tanto que o soltou e autorizou que ele continuasse a se apresentar nas ruas. Não tinha tempo ruim para Téo, e sua vida não foi fácil. No começo dos anos 60, foi campeão de boxe e se apresentava em casas de shows cantando repente. Em 1965, gravou no estúdio Discobel, seu primeiro disco, “Brasil Terra da Gente”. Três anos depois, foi apontado pelo cronista Gerson Evangelista como o melhor compositor mineiro do ano. Quando chegou em São Paulo em 1969, conheceu o cantador alagoano Guaiatã de Coqueiros, e com ele aprendeu todas as modalidades de cantorias nordestinas. Cantou nas ruas, onde passava o chapéu em busca de uns trocados, e na Feira de Arte da Praça da República, chegou a cantar com um jovem pernambucano que iniciava sua carreira artística, Alceu Valença. Junto a outros companheiros, criou em 1980 a ARPPNM, Associação de Repentistas Populares do Norte de Minas. No mesmo ano, conheceu Zé Coco do Riachão, violeiro e tocador de rabeca, do qual produziu os primeiros discos. Ele se dedicou também à literatura, sempre enfatizando a cultura regional. Seu primeiro livro foi “Literatura Popular do Norte de Minas”. Em seu segundo livro, “Plantas medicinais e Benzeduras”, ele captou o depoimento de mais de 120 curandeiros e benzedeiras. Téo musicou várias peças de teatro. Além de algumas de Guimarães Rosa, musicou também um especial sobre ele para a FM Cultura de São Paulo e, para uma TV alemã, um especial sobre “Grandes Sertão Veredas” e outro sobre “Cantigas de vaqueiro e repentistas”. Com o saxofonista Bobby Keys, que tocou nos Rolling Stones, gravou uma versão de “For Bobby Keys” de Michael Grosman, e com Charlie Musselwhite, considerado o maior gaitista de blues do mundo, gravou de sua autoria “Puxe o fole sanfoneiro, Dominguinhos tocador”. A canção foi indicada como a melhor do disco. Vou ter que resumir os feitos de Téo, sua obra é muito extensa. Ele teve mais de 1.500 músicas gravadas por outros artistas, entre eles Luiz Gonzaga, Clemilda e Zé Ramalho, a lista chega a mais de vinte. Até o ano de 2000, era considerado o terceiro compositor com mais músicas gravadas no Brasil e compôs mais de 2.500. E, até…

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A nova MPB, vem forte!

  É impressionante a quantidade e a qualidade de artistas brasileiros que eu encontro nas minhas pesquisas e que o algoritmo me mostra. Hoje vou destacar mais dois artistas brasileiros, muito talentosos. Começando com Emanuel Santos Sousa, que adotou o nome artístico de Will Santt (@will.santt), o primeiro nome faz referência ao ator Will Smith por causa do cabelo black power que Emanuel usa, e o segundo vem de Santos, do seu sobrenome. Will não é uma novidade, o cantor, compositor e multi-instrumentista começou sua carreira em 2019, quando criou um perfil no Instagram que virou palco para sua arte e foi onde ele começou a ser reconhecido até internacionalmente. Ele começou na música aos nove anos, tocando bateria e para não brigar com seu irmão, teve que, a contragosto, optar pelo violão. Aos doze, assistiu a um vídeo no YouTube que despertou seu interesse pela bossa nova, era Tom Jobim e Elis Regina cantando “Águas de março”. A base sonora de Will é a bossa nova, mas ele diz que tem uma veia “djavanica”, referência a Djavan, no tocante as letras que falam de amor e romance, e também tem influência de Caetano Veloso e claro João Gilberto. Mas ele não se prende apenas a um tema ou ritmo, tendo passado pelo rock e música clássica. Em 2024, partiu para sua terceira turnê pela Europa e lançou um disco gravado ao vivo, “Will Santt – Ao vivo no Blue Note”, com a participação de Roberto Menescal, que elogiou a forma de tocar do jovem músico. Ele comenta que seu público é mais velho, mas que gostaria de chegar a um público mais jovem e quebrar um pouco a seriedade da MPB. Will já lançou dois álbuns: “Meu Caminho” de 2024 e “Cores do meu coração” em 2026, e dois EPs: “O novo sempre vem” e “Slap sessions”, ambos em 2026, além do ao vivo no Blue Note. Algumas pessoas acham que ele imita o João Gilberto por causa da forma de cantar, mas para outras, ele apenas tem um jeito parecido e o próprio Will diz que fala baixo, não gosta de barulho e que não conseguiria imitar o ídolo. O mais importante é que ele é mais um grande artista brasileiro, que veio renovar a nossa música. E quem quiser conferir, é só acessar esse link: https://www.youtube.com/watch?v=iUagI0V8YmA&list=RDiUagI0V8YmA&start_radio=1&t=141s   O recifense Fitti (@fitti_____ ), teve seu canto moldado desde cedo, já que em sua casa a música estava muito presente. Da capital pernambucana  veio a sua essência e personalidade artística, e se tornou ator, cantor, compositor e produtor musical. Fitti vem em ascensão na música brasileira e transita em várias linguagens e expressões artísticas, música, teatro e audiovisual. Já participou de espetáculos de teatro e da série “Só se for por amor” da  Netflix. Em 2024, lançou seu primeiro álbum, “Transespacial”, produzido por Zé Nigro. Em 2025, o disco foi indicado ao Grammy Latino na categoria “Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa”. Fitti é o primeiro cantor trans da história a ter uma indicação a esse prêmio. Ele busca, nesse trabalho, partilhar com o público como o indivíduo se relaciona com suas emoções e dificuldades de acordo com a vivência do próprio artista. E estreou o projeto “O Novo Sempre Vem”, apresentado por João Marcelo Bôscoli, exibido na TV Cultura. Foi por meio desse audiovisual que conheci Fitti. Recomendo para quem quer conhecer novos artistas. Iniciando uma nova fase, Fitti lançou o single “Postal de Amor”. Nesse momento, se dedica a um audacioso projeto que é “Fitti Canta Ney”, com direção musical de Pupilo, ex-baterista da Nação Zumbi, que agora trabalha também como produtor musical. Nessa empreitada, Fitti busca uma leitura artística diferente para a obra dessa lenda da música brasileira, tem que ter muita coragem e personalidade para fazer isso. E ainda deve fazer a turnê do disco “Transespacial”, mostrando assim o seu talento para um público maior. O que me chama atenção em artistas como Fitti é o jeito “estranho” que, em alguns momentos, ele coloca a voz, é essa estranheza que eu busco e felizmente encontrei nele. Como faço sempre vou deixar aqui o link de uma música: https://www.youtube.com/watch?v=hVqAo68TplU&list=RDhVqAo68TplU&start_radio=1    

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Nepo Baby X Talento!

Um dos assuntos que tem gerado discussão no mundo artístico é a questão dos “nepo babies”, pra quem não sabe, o termo descreve filhos de artistas que alcançam alguma notoriedade ou sucesso, supostamente, por ser filho de algum famoso e por conta disso poderá ter sua carreira facilitada e até chegar com mais facilidade ao “estrelato”. Mas se o “nepo baby” não tiver talento suficiente para manter uma carreira estável de sucesso? O fato de ter ajuda direta ou indiretamente do pai ou da mãe não vai ser determinante para que ele tenha sucesso ou reconhecimento. Para mim, o que importa é se o(a) artista é bom ou boa.  O que entra nessa discussão é que muitos artistas talentosos que não são “apadrinhados” não conseguem muitas vezes nem gravar suas músicas, enquanto que os filhos dos artistas famosos têm mais facilidade para gravar e divulgar o seu trabalho. Outra questão que deve ser levada em conta é a pressão que os filhos de famosos devem sofrer pra  “provar” que  herdaram talento dos pais e que, de certa forma, têm que manter o legado do seu sobrenome. Viver à sombra de uma estrela da música, deve ser muito difícil como o caso da cantora Maria Rita  (mariaritaoficial), filha da maior cantora brasileira, Elis Regina,  ainda mais por ela  ter uma voz parecida com a da mãe, então é mais complicado fugir das comparações. Felizmente, a filha tem muito talento,  personalidade e conseguiu furar a bolha e se tornou uma grande estrela da MPB. Um cantor e compositor que está sendo chamado de  “nepo baby” é o Chico Chico (@duasvezeschico), filho de Cássia Eller. Que já teve música e disco indicados ao Grammy Latino, já participou de shows e gravações de grandes artistas como Maria Bethânia, Nando Reis, Tetê Espíndola entre outros. Com sua bela voz, carisma, talento e personalidade o cantor e compositor está construindo uma carreira sólida. Claro que o “nome da mãe” ajuda mas na minha opinião ele merece o reconhecimento que alcançou até agora. Vou deixar um link de uma música do Chico Chico: https://www.youtube.com/watch?v=zWKeWzbWn1U&list=RDzWKeWzbWn1U&start_radio=1   O número de filhos de artistas que seguiram ou seguem os passos dos pais é imenso, temos exemplos de músicos, atores, atrizes e etc. Acredito que as pessoas deve analisar o trabalho desses artistas, deixando de lado a paternidade ou maternidade dos mesmos, focando na capacidade artística. Se o talento se perpetua no DNA a arte e o público só tem a ganhar.

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