Benito Di Paula, o “sambeiro pianeiro” que inovou o samba!

A música perdeu, nesse mês de outubro, um grande cantor e compositor, Benito Di Paula. Ele  teve a coragem de mudar algo que, para muitos, não caberia uma inovação tão radical, mas ele fez isso de uma maneira que o povo gostou. Com uma forma percussiva de tocar piano, Benito Di Paula, inovou o jeito de fazer samba. Os mais puristas não gostaram; alguns o chamavam de forma pejorativa de “sambeiro pianeiro”, de brega e até de traidor do samba. Ele, apesar de um pouco magoado, assumiu esse “rótulo”, por achar que a sua música não era mesmo um samba tradicional. Teve até quem supostamente  fizesse música como forma de “protesto”, por não aceitar que no samba, ao invés de instrumentos como cavaquinho, pandeiro e tamborim, fosse usado um piano. Foi Paulinho da Viola que compôs a canção “Argumento”, mas ele não admitiu que a composição tenha sido feita direcionada a alguém  e disse que jamais faria isso com um colega,  Será? Em contrapartida, Benito fez uma música, “Não me importa nada”,  que aparentemente retrucava a opinião de Paulinho. O que importa, na verdade, é que Benito fez o povo cantar e dançar com esse samba diferente e canções que viraram clássicos. Os seus primeiros dois discos não tiveram tanto impacto, mas algumas músicas do segundo disco tocaram nos Estados Unidos. O ano da virada na sua carreira foi em 1973, com o lançamento do LP “Um novo samba”, que tinha a canção “Retalhos de cetim”, que se tornou um grande sucesso, sendo a segunda música mais executada do ano. É uma das minhas preferidas dele, por conta também de uma memória afetiva. Minha irmã gosta muito e, por tabela, acabei ouvindo bastante na minha infância. Essa canção é daquelas que, por meio da letra, pode se desenvolver o roteiro de  um filme. E outra coisa interessante é que algumas pessoas cantam sem perceber como ela é triste. Benito é daqueles compositores que criam melodias grudentas e letras que as pessoas sentem a “necessidade” de cantar e até de improvisar. Ele compôs muitas músicas românticas, mas também fez homenagens, como em “Sanfona branca”, que reverencia o rei do baião Luiz Gonzaga, que era uma das suas principais referências musicais. Na canção “Meu amigo Charles Brown”, ele cita alguns compositores brasileiros, Vinicius de Moraes, Jorge Ben Jor e, mais uma vez, Luiz Gonzaga, e exalta a beleza e força das nossas mulheres em “Mulher brasileira”. Tem também aquelas que falam da vida, do cotidiano. Posso citar duas, são elas: “Tudo está em seu lugar” e “Do jeito que a vida quer. Ele teve músicas gravadas por grandes cantores, como Roberto Carlos e Cauby Peixoto, entre outros. O seu estilo de samba também foi denominado de “samba-joia”, que ele não gostava. Para alguns críticos, essa forma de tocar e compor antecipou o que viria a ser o pagode que estourou nos anos 90 com grupos como Raça Negra. Ele inovou a forma de se fazer samba ao introduzir o piano tocando de uma forma percussiva, suingada e com toques de jazz, deixando assim sua marca com grandes clássicos e para mim, assim como não se faz festa sem tocar Tim Maia, não se faz roda de samba sem tocar Benito Di Paula. E, como sempre faço, vou deixar aqui o link de um dos clássicos de Benito: https://www.youtube.com/watch?v=Mk4XngicZtY&list=RDMk4XngicZtY&start_radio=1      

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