Rock e nordestinidade!
Na coluna de hoje, vou falar de duas bandas nordestinas de rock. A primeira é “Janete saiu para beber” ( @janetesaiuparabeber ), foi formada em 2010 na cidade pernambucana de Cabo de Santo Agostinho. A proposta sonora não é nada que já não tenha sido feito, que é uma mistura de punk, rock de garagem e ritmos nordestinos, como coco de roda, cavalo marinho e frevo, mas os caras conseguem se sobressair com muita agressividade, percussão e boas letras que falam da indignação com os rumos da sociedade e a falta de consciência de classe. Os integrantes têm empregos comuns, então sentem na pele o que é ser um assalariado no Brasil e daí vem inspiração para as letras. O nome da banda é inspirado em uma personagem de Charles Bukowski, Jane, que, ao fim da jornada de trabalho, saía para beber, na esperança de se sentir melhor. Para trazer ao “universo” da banda, eles resolveram colocar “Janete” em vez de Jane, e assim surgiu o nome. A banda é formada por César Braga, vocal, Kin Noise guitarra, Lennon Carneiro no baixo, Niel Melo na bateria e na percussão Eudes Júnior e Erivaldo Romão. Esses dois últimos não faziam parte da formação original. A banda só lançou alguns singles, talvez por conta de um hiato na carreira. Em 2022, gravou um audiovisual no projeto Estúdio Show Livre, e o mais recente foi lançado em 2025 e veio acompanhado de um clipe, com o título de “Iluminado”. Agora é aguardar novas músicas dessa banda que tem muito a mostrar. Vida longa a Janete. Vou deixar aqui o link do clipe de “Iluminado”: https://www.youtube.com/watch?v=MpYJvmRyK2U&list=RDMpYJvmRyK2U&start_radio=1 A segunda banda é a “Dona Iracema” ( @donairacema ) , da cidade de Vitória da Conquista, na Bahia, que foi criada pelo vocalista Rodrigo Bodão, pelo baixista Diegão Aprígio , Igor Kekas na bateria que já não faz mais parte da banda e Pedro Pena na outra guitarra, que se uniram para tocar covers da banda Raimundos. Sobre o nome, eles queriam que fosse um nome forte feminino e que tivesse algo de pessoal com os integrantes. Um dia, durante uma conversa para definir o nome, a Dona Iracema, mãe de Diegão, liga para dar uma bronca no filho. Ao fim da ligação, eles não tiveram dúvidas, ela preenchia todas as características para ser a “homenageada”. Com o tempo, foram se destacando no cenário regional e fazendo muitos shows, a partir daí veio a ideia de dar um passo importante, que foi compor suas próprias músicas. Eles denominaram o som da banda como sendo “Catingore Iracematico”. Na verdade, é um hardcore influenciado por Mamonas Assassinas, Raimundos, Luiz Gonzaga, Nação Zumbi e System of a Down. As letras podem tratar de situações complicadas que aconteceram com eles e fazem questão de que sejam expressadas de uma forma divertida. Uma das características da banda é a irreverência, que é uma das coisas mais legais do rock. A banda lançou quatro álbuns: “Catingore Iracemático”, “Balbúrdia”, “Velório” e “Rojão 12×1”. O disco “Velório”, de 2021, foi lançado no formato de audiovisual, o primeiro do estado lançado dessa forma. A Dona Iracema detém o recorde mundial da música mais curta do mundo, com a canção “Centro do Universo”, do disco “Balbúrdia”, que tem duração de dois segundos. Nesse álbum tem a participação de Luiz Caldas em “Volta pra casa, João”. Em 2017, para atestar que a banda está no caminho certo e que o seu som é realmente muito bom, se apresentaram no Rock In Rio. Também em 2017 a formação muda com a entrada da vocalista Balaio, uma mulher trans, que infelizmente já passou por situações constrangedoras e até agressões, mas isso não a desmotiva e a vocalista acrescenta muito com sua voz poderosa e presença de palco Que a irreverência e o “Catingore Iracemático” da Dona Iracema cheguem cada vez mais longe! Vou deixar aqui o link de um catingore pra vocês: https://www.youtube.com/watch?v=hiGhgHi7rUk&list=RDhiGhgHi7rUk&start_radio=1
